Ainda não entendi porque fazes de mim parva. Achas, sinceramente, que mereço que me enroles com histórias e mais histórias, numa bola de neve que me prende cada vez mais a ti? Acho que nunca te fiz um mal tão grande que o justifique, até pelo contrário. Passo a vida a tentar agradar-te. Serás assim tão difícil de satisfazer? Nunca estás contente, nunca sou boa o suficiente para ti.
Ora, bolas... Que problema, não é? No fim, a culpa é sempre minha ou, pelo menos, dás a ideia de pensar assim. Não consegues pôr o orgulho de lado por mim, que estou sempre do teu lado - até demais - e faço tudo para não te desiludir?
Na verdade, já lá vai o tempo em que me atingias e me fazias sofrer com as tuas ditas crises existenciais. Porém, isso já foi há tanto tempo que já nem te deves lembrar. Foi na altura em que corríamos riscos um pelo outro, não apenas eu por ti, o que parece ser habitual nos últimos tempos.
E, se já não significo nada na tua vida, porque não o dizes logo? Talvez seja porque, apesar de tudo, essa mentira é demasiado grave para ser dita, estarei certa? Tenho a certeza que, lá no fundo, só não admites por causa da porcaria desse orgulho, que a cada dia me repugna mais.
Eu tenho a certeza que sabes ou tens a mínima noção do quanto me mudaste. Primeiro, por umas razões ; mais tarde, por outras. Deixei de ser a menina que se deixava controlar para passar a ser a miúda intragável que já não consegues influenciar como antes. Já não sou manipulável, por muito que te ame e por muito que pense em ti e por muito que te queira por perto e por muito que sonhe que, um dia, voltaremos ao ponto onde começámos. Apesar de te desejar o melhor e que sejas feliz, não o serás rebaixando-me e brincando com os meus sentimentos.
Deixa-me que te diga - não te surpreendas quando, um dia, deixar de te responder, deixar de te ligar e seguir desenfreadamente. Não te admires quando ouvires da minha boca que o lugar que há algum tempo ocupaste já não se encontra à tua disposição.
EU já NÃO me encontro à TUA disposição. Por enquanto, ainda podes considerá-lo mentira, mas não julgues que será assim por tempo indefinido. Tudo tem limites e eu tenho objectivos e prioridades, os quais podem não incluir-te a longo prazo.
Tenho imensa pena por termos chegado onde chegámos, mas, se ficámos por aqui, não foi por minha causa. É possível existirem dois culpados numa situação que só um criou - tu. Desculpa, mas não sei por mais quanto tempo aguentarei observar-te a afastares-me.