sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Na companhia de Anna Karenina

Por vezes, é preciso termos presente a ideia de que existe uma adaptação cinematográfica de um romance antes de nos aventurarmos a ler as suas cerca de mil páginas. Funciona como um incentivo, pelo menos para mim, que adoro comparar a história original ao filme que lhe corresponde, produzido mais de um século depois de ter sido escrita. Adoro os clássicos criados entre o fim do século XIX e o início do século XX e sinto-me um pouco fascinada pela literatura dessa época. A minha autora preferida da altura é, até agora, a Jane Austen, capaz de tornar uma descrição exaustiva num deleite para o coração e de construir personagens como poucos conseguem. Há uns dias, quando soube que "Anna Karenina", de Liev Tolstói, já foi adaptado e está quase a estrear nos cinemas, peguei, finalmente, no exemplar do romance que existe na biblioteca da minha escola e comecei a lê-lo. Surpreendi-me bastante: a escrita é relativamente simples, o vocabulário não é muito exigente e há grande destaque para a descrição das emoções e das relações entre as personagens. Poderia tratar-se de algo escrito em pleno século XXI, apenas retratando tempos passados! Entretanto, vou continuar a ler o livro, para depois ver o filme e cumprir a minha mania das comparações.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Vão levar com a "igualdade de oportunidades" no c... no rabinho!

Orgulhamo-nos de viver num país ao nível dos mais desenvolvidos da União Europeia ou até do mundo, de haver igualdade de oportunidades para todos dentro da comunidade... mas, no fim de contas, igualdade de oportunidades só se for para os ricos.
Não nos venham encher a cabeça com porcarias, como se fôssemos todos burrinhos, nomeadamente nos livros de Geografia - eu sei do que falo. Ainda hoje, no século XXI, tentam fazer com que os jovens   acreditem numa data de mentiras, uma autêntica lavagem cerebral ao "povinho" - que nós é que mandamos, que o poder parte de nós, que as estatísticas provam o nosso grau de desenvolvimento relativamente ao resto do mundo, etc e tal.
Contudo, esta nova ideia constitucional vem provar exactamente o contrário, e só lhe ficará indiferente quem quiser. O acesso ao ensino, um dos direitos fundamentais de qualquer pessoa, está-nos a ser claramente negado. Já não chegava os nossos pais pagarem impostos exorbitantes, nem as "taxas simbólicas" que pagam no início de cada ano lectivo, nem o ensino superior estar cada vez mais caro, porque agora também pensam em cobrar umas propinas quaisquer no ensino secundário, sinónimo de mais despesas. E isto pouco tempo depois de ter sido instituída a escolaridade obrigatória até ao 12º ano! Sim, sim, esperem por essa. Se o panorama económico, financeiro e, consequentemente, social de Portugal permanecer como se encontra neste momento (já nem falo em piorar), voltaremos à cepa torta, em que as pessoas só conseguem estudar até ao 2º ou 3º ciclo, se tanto, à semelhança de há cinquenta anos atrás, quando éramos um país "retardado" (retardado sem aspas é aquele em que vivemos agora). Neste momento, há quem tenha dificuldade em ter dinheiro para comer, quanto mais para ir à escola!
Começo a acreditar piamente que não estamos a passar por uma mera época de austeridade. O que observo é a decadência de um país até à morte. Há quem consiga fugir, há quem esteja de pernas e mãos atadas. Os "sobreviventes" são uma minoria, a classe média entrou em vias de extinção e não existe governante nenhum que conserve o mínimo de respeito pelos seus compatriotas.
Enquanto estudante, esta notícia deixou-me revoltada. Não digo que o tenha ficado por mim, dado que estou prestes a terminar a "escolaridade obrigatória", mas não deixei de o ficar por todos os jovens que vivem e viverão em Portugal enquanto esta realidade vigorar. O que poderá parecer uma mera notícia, é mais um passo gigante para o desespero.
Espera-se sempre que um país progrida com o decorrer dos anos. Portugal está a regredir.

SAY WHAT?

Um gigantesco e sonoro "vão-se lixar!" para quem me garantiu que o 12º seria mais fácil que o 10º e, principalmente, que o 11º ano. Balelas. Esses amigos da onça... E eu, ingénua, acreditei de boa fé! Convinha-me acreditar e acabei assim: desiludida. Seria fácil, seria - cinco disciplinas de estudo, incluindo a melhoria. Canja de galinha, frango, perú. Seria açorda, pronto. Mas a minha realidade não é essa: estudo o dobro do tempo com o triplo da intensidade do ano passado (que já era mais do que no anterior) e não vejo resultados proporcionais. As notas baixam, o ego retrai-se e uma pessoa tem de aprender a conviver com o facto de que, ainda por cima, lhe calharam os professores mais picuinhas - nem sempre num bom sentido. Bolas... pois eu é que me lixo, enquanto esses parolos já se bamboleiam pela universidade, "que espertos que eles são".

Algo que poderá fazer de mim uma má pessoa

Quando alguém meu "amigo" no Facebook actualiza o seu estado para «numa relação» ou «casado», eu penso "não vai durar um mês até voltar a estar «solteiro»".
Quando ele/ela actualiza, como previsto, o seu estado para «solteiro» ao fim de duas semanas, eu penso "não vai durar dois dias até se reconciliarem".
Quando voltam a estar «numa relação»/«casados» trinta horas depois, eu penso "após mais incidentes destes, o namoro não vai sobreviver ao quarto mês".
Quando, ao fim de seis semanas e meia, é actualizado um «solteiro» definitivo, eu penso "LOL, só não adivinho no Euromilhões".

Sinto-me ligeiramente culpada por ter pensamentos destes a deambularem-me na cabeça, esses bichos. Porém, acabo por ter alguma razão, o que ainda me deixa mais aparvalhada, porque do que eu gosto realmente é de paz e amor... mesmo que seja no Facebook, e não que as minhas expectativas (cada uma mais negativa que a anterior) se concretizem.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Harry Potter e o desemprego

Questiono-me sobre qual será a taxa de desemprego entre a população mágica deste mundo. Será que lhes chega pegarem na varinha, proferirem um feitiço manhoso e, deste modo, criarem mais meia dúzia de postos de trabalho, consoante as necessidades? Ser-se muggle é uma treta, 'pá.

TWILIGHT - sem spoilers para quem já leu os livros


terça-feira, 27 de novembro de 2012

potatoe's logic

A minha colega Lisete encontrou esta imagem e associou-a de imediato às nossas aulas de Filosofia mas, na verdade, isto acontece em todo o lado.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

"Para Sempre, Talvez"

Há uns dias, o filme "Para Sempre, Talvez" foi transmitido na TVI e eu, naturalmente atraída por histórias com títulos lamechões, ainda mais se forem protagonizados pelo Ryan Reynolds (que, além de ser um trintão gostoso, também é um excelente actor de comédias românticas) e pela Isla Fisher (umas das actrizes mais bonitas de Hollywood) tive mesmo de o gravar para o poder ver mais tarde. Esse "mais tarde" foi hoje à hora do lanche e soube-me mesmo bem enrolar-me na manta a comer torradas e a reflectir sobre a ficção que em tanto aldraba a vida real.
Mas como por vezes a ficção, desde que não em doses excessivas, não faz mal ninguém, lá me alapei no sofá, como se a minha vida sentimental fosse um caco (não é) e não houvesse nada de mais útil para fazer em casa (mentira).
Para variar, o Ryan Reynolds não conseguiu conquistar-me no papel de pai, dada a sua aparência demasiado juvenil para quem já está mais perto dos quarenta que dos trinta. Lá tive de fazer um esforço e imaginar que a Abigail Breslin era filha dele. Contudo, não deixei de gostar do seu desempenho, pois é humanamente impossível alguém ter outra opinião. Quanto à Isla Fisher e às restantes actrizes, a Rachel Weisz e a Elizabeth Banks, também estiveram bem, principalmente a Rachel, que eu já conhecia de outros filmes. O enredo podia não ser genial, mas não se pode dizer que um romance lamechas cinematográfico exija muito. Estava no ponto. Nem demasiado previsível, nem demasiado elaborado, envolvendo um conflito engraçadito (amigos que passam anos e anos a tentarem ser mais do que isso, acontecendo sempre algo que os impede) e, como eu também não sou uma espectadora demasiado rígida, assim passei uma boa hora e meia. Recomendo, 4/5.


Argumentação, falácias e discussões do arco da velha

Em Filosofia, temos andado a estudar o domínio da argumentação e da retórica, pelo que a professora decidiu mandar-nos fazer trabalhos de grupo sobre alguns temas da actualidade, para que os pudéssemos discutir em aula, explorando e praticando a matéria em questão. Infelizmente, existem sempre uns tantos unicórnios (não sabia o que mais lhes havia de chamar sem parecer ofensivo) que adoram dar exemplos da sua vida pessoal ou outros sem cabimento para exporem a sua opinião. E esses exemplos até poderiam ser aceitáveis, desde que fossem adequados à aula. Na de hoje, duas colegas minhas chegaram a expressar convictamente o quanto querem ser mães, pois é o seu maior desejo!!! Mas quem quer saber dos desejos delas?! Queremos é discutir o aborto, minhas caras! São apenas miúdas de dezassete ou dezoito anos que já de si andam um bocado perdidas, quanto mais pensando em bebés! Ninguém falou em instintos maternais apurados precocemente. Ninguém vos perguntou se há um ano pensavam que estavam grávidas e o quanto se estavam borrifando se vos olhariam de lado ou não! No entanto, não foi surpresa nenhuma que essas minhas colegas descambassem em exemplos demasiado pessoais, visto que já nas duas aulas anteriores de apresentação de trabalhos tiveram que dar o seu parecer, fazendo-se de coitadinhas quando abordámos a crise ("a minha mãe e o meu padrasto estão desempregados!") ou o tráfico humano ("eu conheço esta e aquela mulher que vai ali à recta de Coina trabalhar porque o marido a obriga!"; "há uma miúda ao pé da minha casa que se prostitui porque a mãe quer que ela o faça!" - porque elas conhecem TODA a gente) e esquecendo-se de ser minimamente racionais e objectivas. No fundo, elas gostam é de armar peixeirada com o resto da turma. Até já cheguei a temer que, a certo ponto, ainda acabassem agarrados aos pescoços uns dos outros. Sempre quero ver o que me reservam para a apresentação do trabalho do meu grupo...
Agora, é a minha vez de opinar: isto não é Filosofia, não é estudo cívico, não é retórica - isto não é nada senão a prova do histerismo adolescente que reina nas escolas secundárias. Tenho dito.

domingo, 25 de novembro de 2012

oh não, é "true love"


Já existem vídeos sobre "amor verdadeiro" no Youtube, protagonizados por pré-púberes de catorze anos (sem miolos, por sinal)! À laia da experiência, decidi ver este e, sem surpresas, achei a coisa mais deprimente de sempre. Aquilo que mostra não é amor verdadeiro: são apenas dois adolescentes patetas, exibicionistas e sem nada para fazer que, querendo mostrar ao mundo o quão felizes são durante a primeira semana de namoro, resolveram filmar alguns momentos previamente encenados e ridiculamente parvos, descontextualizados. Porém, como a estupidez é pouca, os amigos ainda acrescentam comentários de comoção ao vídeo, para melhorar a festa. Sim, o amor é lindo e eles ficam tão fofos juntos. Ai, que inveja que eles têm do casalinho maravilha! Ai, tanta partilha no Facebook, "também quero, também quero!".

Oh gente, o amor não é isso, 'pá. O amor não é ser-se jovem e palerma, dar-se beijinhos, ter-se contacto físico e dizer-se "amo-te" porque fica bem, muito menos fazer de conta que tudo são rosas para iludir outros tantos palerminhas com falta de mimo. Não é fazer promessas de paixão eterna a alguém aos 14 anos, nem esperar que fiquem juntos para todo o sempre. 

Eu não faço a mínima ideia do que significa "amor verdadeiro", mas há pessoas que ainda sabem menos do que eu.

Harry Potter... e Twilight (se eu parasse de escrever sobre Twilight é que seria fixe)

Existem por aí páginas de fãs da saga Harry Potter que fazem crer que somos (sim, eu também sou fã incondicional do Harry Potter - e muito! - caso ainda não tenham dado por isso) completamente contra a saga Twilight, encarando-a como "o inimigo". Portanto, da minha parte, quero já esclarecer esse mal entendido.
Eu acho imensa piada à rivalidade entre sagas, mas não a alimentarei, até porque Harry Potter é bem melhor que Twilight, em todos os aspectos - não me censurem pela minha opinião! Desde a criatividade de todo o enredo, incluindo a criação de um mundo totalmente novo e original, com um vasto número de personagens, todas elas genialmente criadas, com personalidades coerentes e com quem não só nos identificamos como poderiam tratar-se de uma pessoa qualquer do mundo real (acrescentando o facto de que andam numa escola de magia toda marada e, ao mesmo tempo, combatendo um vilão teimoso que nem cornos), até ao sucesso que se perpetuará por gerações, como um verdadeiro culto, passando pela diversidade de idades dos seus fãs, constituindo uma história intemporal que contempla a sensibilização para a importância de um sem número de valores morais, como um bom conto deve contemplar, o Harry Potter bate o Twilight aos pontos. Este último, parece-me, é somente algo temporário para uma grande quantidade de seguidores. Acredito que terá marcado muita gente, inevitavelmente, mas, para a maioria, não creio que será lembrada durante tanto tempo quanto, segundo os meus cálculos primários, o Harry Potter permanecerá "vivo". O Twilight foi criado mais a pensar num público específico, o que tanto pode ser um benefício como uma desvantagem. Além disso, não vejo que o carácter das personagens, o enredo ou até a qualidade literária sejam grande espingarda. Sim, é uma saga fixe, com que nos podemos identificar e para onde poderemos desejar escapulir-nos de vez em quando. Ainda assim, existe um je ne sais quoi de excepcionalmente brilhante no mundo potteriano que será difícil alguma saga superar.
Conclusão: aprecio Twilight, venero Harry Potter e não compreendo por que razão haveriam de ser rivais nesta coisa dos romances em série adaptados cinematograficamente.

A demonstração do que acontece com a saga Harry Potter...
... e um dos meus exemplos preferidos da dita rivalidade.

sábado, 24 de novembro de 2012

a prenda mais desejada

Está claro que a melhor altura do ano para se pôr aparelho nos dentes é o Natal, não é verdade?
Não, não é. No entanto, nada invalida que eu vá passar as festas a comer tudo trituradinho, devido ao novo pára-choques (nome pelo qual o dito cujo já é conhecido cá em casa) com que me vão presentear no dia 22. Para desculpar o meu dentista pela sua (falta de) pertinência, utilizarei a esfarrapada desculpa de que ele é um grande pão (com idade para ser meu... irmão muito, muito mais velho, digamos), um argumento que, ainda assim, é deveras abalado pela minha impressão de que sua excelência deve preferir os homens às mulheres (mas é só uma impressão!).

Façam-me só um favor: se, alguma vez, por mera sorte do destino, o meu blogue for transformado em livro, não incluam esta publicação. Agradecida!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

TWILIGHT (outra vez?!)

Ainda não fui ver o Amanhecer - parte II. Não digo que seja algo de estranhar pois, como já mencionei diversas vezes, a maluqueira já me passou há um bom par de anos e, neste momento, tenho outras prioridades (escola, escola, escola, blogue, escrever, escola, escrever, blogue... escola). No entanto, o mais estranho é que talvez essa não seja realmente a desculpa mais acertada. A verdade é que não arranjei uma única pessoa, um único mártir, um único cabeçudo que se oferecesse para me fazer companhia, excepto a minha melhor amiga - mas ela já foi vê-lo com o namorado e não a faria desperdiçar dinheiro, por muito boas que sejam as suas intenções - e o meu próprio namorado - que eu seria incapaz de arrastar para uma sala de cinema com o intuito de o fazer desembolsar 6€ para, na volta, passar duas horas a ouvi-lo tecer comentários de escárnio às "fadas pálidas e brilhantes com dentes afiados" (esta é para ti, Edward Cullen cinematográfico), transtornando a minha despedida da parte mais deprimente da minha adolescência (aquela em que eu ainda não havia entrado em contacto com literatura decente). Contudo, desculpas à parte, acho que vou antes esperar que alguém consiga encontrar o filme na Internet ("sacar") ou, no mais extremo dos casos, que saia em DVD e, com muuuuita sorte e algum milagre financeiro, eu o consiga adquirir. Não hei-de morrer por isso.

Once upon a time...

Há uns anos, este vídeo estava classificado no Youtube como sendo apenas indicado para maiores de 18. Mas isso foi antes de aparecerem as Pussycat Dolls e a Lady GaGa!
Nos tempos que correm, Britney Spears em biquíni, sendo apalpada por um tipo musculado em calções e com uma tatuagem foleira na omoplata é coisa pouca.

Paparazzis. They're all over the place.

Eu e a senhora minha avó, algures em 1998.
Como poderão verificar, nunca apreciei muito que me fotografassem em topless. Manias de miúda...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

o que tem de acontecer tem muita força

Sempre que levo algo de mais pesado ou volumoso para o andar de cima da minha casa, ou seja, tendo de subir as escadas, a minha avó recomenda-me "tem cuidado, não tropeces!". Há pouco, lá peguei eu no aquecedor (o meu quarto parece estar localizado num país do Norte, à parte do resto da casa). Qual foi a recomendação que ouvi de imediato? "Tem cuidado, não tropeces!"
Para a minha querida (tem dias) avó, os seus avisos devem ter poderes mágicos, como se, graças a eles, se impedissem acidentes inevitáveis noutras circunstâncias - caso contrário, eu poderia, propositadamente, cair na tentação de me estatelar no meio das escadas, não fosse ela alertar-me para não tropeçar, até porque se há coisa de que eu gosto é de quedas e de ficar cheia de nódoas negras ou com a boca em sangue - ou como se, proferidas tais palavras, o cosmos decidisse ter piedade de mim, amparando-me enquanto subo os ditos dezasseis degraus. Não nos esqueçamos das mamas gigantescas e do enorme e pesado rabo com que fui abençoada, que em muito poderão prejudicar o meu equilíbrio (e, para quem não está a par do contexto desta afirmação, trata-se da ironia mais barata de sempre).

Infelizmente para mim e para as boas intenções da minha avó, o que tem de acontecer tem muita força. Pelo menos, se um dia eu me espatifar num trambolhão, não será por falta de recomendações de cuidado.

coisas dos blogues

Se repararem, as visitas de um blogue aumentam exponencialmente a partir do momento em que o seu autor tem um bebé ou um cachorro. Ambos são cutchi cutchi, amorosos e blá blá, aspas-aspas, fazendo as delícias dos leitores, que não se coíbem de comentar tamanha fofice e ingenuidade dos pequenotes. Igualmente engraçado (eu chamo-lhe apenas "engraçoso", só para ser do contra) são as frases espontâneas das criancinhas. Toda a gente lhes acha imensa piada! E, no fundo, nem eu deixo de ler algumas das publicadas no Cocó na Fralda, porque sou humana e os humanos sentem-se atraídos por pirosices. (Esta foi a última.)
Infelizmente, como devem calcular, filhos são criaturas que dispenso neste momento da minha vida e, se querem saber, cachorros também não os há por cá. Tenho, sim, três cães, dois gatos e uma tartaruga, mas já são todos bem crescidos e já nenhum apresenta aquele ar de bebé, com olhinhos que brilham e focinho arrebitado (a tartaruga não tem focinho, tem bico, mas vocês perceberam a ideia). Quando publico fotos deles, não há quem não se mostre indiferente. Nada. Nenhuma reacção. Nicles de rien.
Talvez seja por isso que o meu blogue anda às moscas. Talvez seja por isso que ninguém se interessa, porque, afinal, procrastinar é fixe, mas não tanto quanto bebés.

Random Baby Koala, directamente copiado de um site qualquer a que não prestei atenção.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

palavras de Nosso Senhor das PONeLeirisses

"Depois de concluir a sua missão de converter todos os sapianos às maravilhas da procrastinação, Ela decide ir pregar a palavra do Santo Senhor Procrastinador para outras aldeias e chega assim ao Internacional Blogger. A plataforma muda mas a qualidade é a mesma =D", comenta Bruno Custódio, Nosso Senhor das PONeLeirisses a tempo inteiro e procrastinador nas horas livres [aqui].

Agradeço, mais uma vez, a todos os grandessíssimos desocupados da vida que continuam a procrastinar, motivando-me a procrastinar também! Obrigada pela inspiração!

fui procrastinar para o Blogger!

Traidora, traidora, traidora!, pensam vocês. Logo eu, que me dizia tão apologista do Sapo, tinha de abandonar as minhas origens sapianas...! Mas, como já vos tinha avisado anteriormente, não resisti a tentar desbravar terras do Blogger/Blogspot, tentando pregar a ideologia procrastinadora noutros lados. Pesados os argumentos a favor de cada uma das plataformas, optei pela mudança. Fui influenciada principalmente pela quantidade de utilizadores inscritos no Google e pela consequente visibilidade dos blogues. Também me guiei por algumas das opiniões de outros entendidos na matéria da blogosfera, nomeadamente através de comentários que me foram deixando, e pela experiência de que, no Sapo, é menor a quantidade de blogues conhecidos e até os que são estupendamente bem escritos não têm o destaque que merecem.

Portanto, aqui vos deixo a nova morada - http://fuiprocrastinar.blogspot.com/. Espero que, ainda assim, continuem a seguir o que publico. Teria muito gosto em continuar a escrever para os leitores que já me são familiares (e eu a eles)! O blogue é o mesmo, os conteúdos nem poderiam ser diferentes e até já estou a tratar de copiar todas as 866 publicações que aqui havia efectuado até hoje para lá (concluídas todas as deste mês de Novembro, tal como as primeiras quarenta e tal, daquelas que ainda evidenciam a minha eminente lamechice), visto que não as consegui importar directamente. Desse modo até poderão aceder a todas elas, excepto os respectivos comentários - infelizmente, esses têm de ser sacrificados. Apenas o URL foi alterado para algo mais simples e contextualizado.

Ah... E, para que não arranjem desculpas, volto a indicar: http://fuiprocrastinar.blogspot.com/.

Obrigada, queridos leitores! Que estes últimos dezasseis meses de procrastinação no Sapo vos tenham feito muito felizes!

[ORIGINALMENTE PUBLICADO EM: http://beatriizhelena.blogs.sapo.pt/223786.html]

terça-feira, 20 de novembro de 2012

mas quem será o pai da criança? (a parte da história que ainda não se conhecia)

dos outros #15

Hoje penso que se proibíssemos os nossos filhos iletrados de tocar nas maravilhosas coisas da nossa literatura, talvez eles as roubassem e encontrassem nelas uma alegria secreta.

John Steinbeck, Viagens com o Charley

haja pão!

Adoro pão com pão: pão sem manteiga, pão sem carnes frias, pão sem queijo, pão sem doce, pão sem nada. Pão apenas com a sua quente frescura de quem acabou de sair do forno. Pão que fazemos saltitar nas mãos, porque queima. Pão cuja côdea estala quando o trincamos, pão cujo miolo tenro gostamos de saborear - a melhor dicotomia gastronómica de sempre. Quais croissants, quais bolos! Eu quero é pão... mas só se for com pão. São preferências à medida da crise. E até me costumam dizer que a minha trisavó tinha a mesma mania. Já me está nos genes!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sapo vs. Blogger

Ao longo da minha vida blogosférica, já criei para lá de cinco blogues, sendo este mesmo em que vossas excelências se encontram o que tem sobrevivido durante mais tempo (quase um ano e meio). Entretanto, fui alojando-os, à laia da experiência, ora no Blogger, ora no Sapo, ora no Wordpress. Este último é uma porcaria e não o recomendo a ninguém, a menos que gostem de um bom e complicado desafio, porque Wordpress que se preze é isso mesmo: complicado. O Blogger não é mau; no entanto, quando criei o "Procrastinar", ainda só tinha o meu computador velho, lento que só ele, e tudo o que era sistemas do Google ainda o enfermizava mais, daí ter escolhido o Sapo, que sempre me parecia algo mais ligeiro. Porém, agora que já tenho um computador capaz de executar qualquer tarefa com eficiência, vejo-me inclinada entre as duas plataformas, Sapo ou Blogger, Blogger ou Sapo. Cada um deles tem características igualmente apelativas e, certamente, os seus inconvenientes também. O que menos me atrai no Sapo é a escassez de blogues de qualidade, em comparação ao Blogger; o que mais me atrai é a possibilidade de ser destacada na página inicial, como já tem acontecido. O que menos me atrai no Blogger é o sistema de publicação e edição; oque mais me atrai é a quantidade de pessoas que lá circula, ou seja, promissores seguidores. Se repararem, todos os blogues com número de seguidores para lá de mil estão alojados no Blogger, e a sua visibilidade parece-me, no geral, bastante grande. Por pouco não tenho cedido a uma mudança, ainda por cima tendo descoberto recentemente as maravilhas da importação e exportação de blogues (que ainda não sei como efectuar). 

No meio deste indecisão toda, penso que, um dia destes, vou definitivamente procrastinar para outros lados. O mais difícil será arranjar um novo URL de jeito, visto ter sido parva o suficiente para arranjar um nome blogosférico cheio de acentos.

(Texto escrito quando o blogue se encontrava alojado em http://beatriizhelena.blogs.sapo.pt .)

domingo, 18 de novembro de 2012

dos outros #14

"Vais ter sempre gente que vai dizer mal das tuas paixões. A verdade é que parte deles, no íntimo, vai desejar que tu falhes. [...] Na pior das hipóteses vais-te embora deste mundo sem um grande arrependimento. E uma das maiores vantagens é que não te tornas no tipo de pessoa que não compreende quando alguém te fala do que é capaz de fazer por aquilo em que acredita."

Blogue O Mundo Hipotético dos Ses

uma gaja que no geral não gosta de gajas

[1:44] "Na maioria das vezes, o que acontece com estas raparigas é terem mais garganta do que tomates."

sábado, 17 de novembro de 2012

mashup morning

TWILIGHT - porque eu também já guinchei pelos abdominais do Taylor Lautner

Não me considero a maior apreciadora da saga, mas também nunca desgostei dela, muito pelo contrário.

Tinha catorze anos quando surgiu o primeiro filme, que foi um sucesso enorme na altura, apesar de, em Portugal, nenhum dos livros da Stephenie Meyer ainda ser muito conhecido. Fui ver o “Crepúsculo” no aniversário de um amigo e lembro-me de todos os que lá estavam comigo, na mesma sala de cinema, terem vibrado imenso. No entanto, eu não me lembro de ter vibrado grande coisa. Sim, achei que era uma história de amor engraçada, o enredo não era mau, mas, se não tivesse lido os livros posteriormente, não me teria interessado como cheguei a interessar.

Nos meses que se seguiram, devorei todos os livros que já estavam publicados, emprestados por duas colegas, e, perto do meu aniversário seguinte, calhou ser publicada a tradução portuguesa do “Amanhecer”. Quase exigi que fosse uma das minhas prendas e até consegui um bom preço de lançamento – quinze euros e pouco, enquanto noutras lojas o vendiam a dezoito. Antes do dia em que era suposto recebê-lo, se tivesse seguido as regras dos aniversários, já acabara de o ler. Na verdade, devorei-o em menos de quarenta e oito horas.

Julgo que poucos foram os livros que tiveram o mesmo efeito em mim que os quatro romances “base” da saga escrita pela Stephenie Meyer, apesar de não ter lido mais nenhum da mesma autora. Recomendaram-me imenso o “Nómada”, mas não o cheguei a ler. Na altura, tive pena; agora, já não.

Porque, se formos a ver, tudo isto foi grandemente influenciado pela idade que tinha e pelo que me estava a acontecer na época em que me interessei por vampiros, lobisomens e amores impossíveis: estava infeliz, sentia-me incompreendida, um bicho feio, vivia na ignorância do que era uma relação amorosa, não fazia a mínima ideia do que fazer com a minha vida, sabendo apenas que adorava ler e escrever, e a ficção ajudava-me a manter a minha auto-estima em níveis decentes. Tinha catorze anos, já não era uma criança, mas ainda pecava em falta de maturidade. Actualmente, já não revelo tanto entusiasmo quando me falam no Edward Cullen, na Bella Swan ou no Jacob Black porque, resumidamente, arranjei uma vida. E não o digo de uma maneira negativa face à ficção! Fui muito feliz na companhia de tais personagens! Acontece que cresci, conheci outro tipo de histórias e deixaram de ser, do meu ponto de vista, o suprassumo que outrora foram.

Portanto, se me perguntarem se me sinto empolgada por já ter estreado o “Amanhecer, parte II”, o último filme da sua espécie, dir-vos-ei que estou curiosa, mas que poderei esperar até à próxima semana para o ver e que até sobreviveria se não o visse, de todo. A minha curiosidade advém mais do facto de ter seguido atentamente toda a saga, ter lido todos os livros, ter visto todos os filmes e, como é normal, querer saber se a adaptação cinematográfica faz jus ao que li. Raramente pego num dos romances, mas o novo filme parece-me um bom pretexto para ir ao cinema.

 

Eu sei que vocês gostam, deixem-se lá de tretas! :)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

TWILIGHT - sobre os pobres dos namorados que sofrem à custa do sonho da Stephenie Meyer

Estreia hoje o último filme da saga "Crepúsculo", ou seja, "Amanhecer, parte II". Graças a este acontecimento, milhares de rapazes/homens serão levados a testar os seus próprios limites de lamechice e paciência, de modo a poderem acompanhar as suas namoradas, potenciais candidatas a namorada, mulheres ou amigas ao cinema, porque elas gostam de ter companhia para apreciar as capacidades de sedução do Edward Cullen (interpretado pelo mais que famoso Robert Pattinson) ou o corpanzil do Jacob Black (dispensando apresentações, Taylor Lautner), rebaixando-os e questionando-se, nem que seja intimamente, "por que é que tu também não podes ser como eles?". Se eu pertencesse a esse grupo de pobres sacrificados, a minha resposta seria "porque eu sou real e vim contigo ver esta porcaria de filme, logo, sou muito melhor que esse bando de panhonhas ficcionais!". 

Claro que ir ver um filme direccionado para o público feminino adolescente não faz parte da lista de coisas mais perigosas e indesejáveis de se fazer, o que não invalida que o esforço dos rapazes que se submetem a tal suplício não seja de mérito. Devem haver por aí miúdas bastante satisfeitas por terem o namorado do seu lado enquanto vêem o que leram anteriormente nos livros materializar-se na tela, disso não tenho dúvidas.

Ainda assim, acho que me custaria imenso levar um namorado ou amigo para qualquer uma das cinco guilhotinas do "Twilight", numa sala de cinema cheia de miúdas de doze anos com as hormonas aos saltos, aos gritinhos, mesmo que ele se voluntariasse. Sentir-me-ia algo culpada pelos 6€ que o faria gastar no bilhete, dinheiro esse que poderia investir, por exemplo, na minha prenda de Natal. Há ocasiões em que devemos escolher bem a nossa companhia, não é verdade?

Cá para mim, penso ser muito mais inteligente levar uma data de amigas estridentes e com quem possa discutir o quão já admirei a saga e o quão pouco familiar ela me parece agora, apesar de estar curiosa acerca da adaptação cinematográfica e não desgostar da trama emocional envolvente.

Da minha parte, boa sorte aos mártires que se sacrificam perante tanta vampiragem deslavada e canídeos bem constituídos! Que a vossa vontade de agradar seja devidamente justificada! (Nem que seja pelo decote da Kristen Stewart naquele vestido azul.)

 

em dia de greve, praia

O farol do porto de Sesimbra.

Andam a construir mais uns apartamentos de luxo e a esburacar as ruas junto à praia. O que vale é o resto da paisagem, e o ir-vir das ondas, e o sol a reflectir no mar...!

Euxinha a markar pauza. Prokraxtinaxão à la plage.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

14 de Novembro

Acordei para esta solarenga quarta-feira que, noutro contexto, seria igual a tantas outras quartas-feiras, sentindo-a como se se tratasse de um feriado. Despertei por despertar, passarei o dia a estudar, talvez vá passear entretanto. E hoje parecia-me realmente um feriado, asseguro-vos!, que se insurgia no nosso calendário em honra de todos os que vamos perder nos próximos anos. Sem nada para "celebrar", a greve geral de 14 de Novembro de 2012 tornou-se o último suspiro desses felizes dias em que podíamos dormir até ao meio-dia e reunir a família para um almoço às três da tarde ou, noutros casos, não fazer nada de nada, existindo simplesmente.

 

Belas recordações...! Disfrutemos, então, desta pseudo-celebração, antes que também nos tirem o direito à greve!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

la biolence matinal

Somos todos iguais. Brancos, pretos, amarelos, vermelhos, azuis às bolinhas, com pilinha, com maminhas, uns mais burros do que outros... Mas, afinal, teremos sempre algo em comum, que nos une: ninguém gosta de pancada e todos são a favor dos beijinhos (entre outras demonstrações de amor, pois claro).

formiga, formiguinha, esmaguei-te bem esmagadinha

Estava eu em plena reflexão sobre que raio poderia escrever, deambulando pelo Facebook porque sim, porque é azul e tem muitas imagens de outras cores, qual bebé absorto no arco-íris da sua existência, quando vejo uma formiga minúscula a fugir por cima da secretária e por tudo quanto a cobre, em particular a revista Flash! de há duas semanas, aberta na página (façam lá o favor de não me apedrejar) da crónica semanal da Margarida Rebelo Pinto (sobre a qual me debruçarei numa publicação posterior, decerto, justificando-me validamente). E o que é que podemos concluir sobre a personalidade desta formiguinha?

  • Ela tinha, evidentemente, tendências suicidas. Não é que eu desgoste de formigas, pois até as acho adoráveis... desde que se encontrem no quintal. Da porta para dentro, já deviam saber que o seu destino é a) serem borrifadas com spray anti-rastejantes, b) serem pisadas até à morte ou c) serem apanhadas pela ponta dos meus dedos ossudos, que gostam de desfazer qualquer porcaria minúscula como distração. Já deu para perceberem que a amorosa formiga não esticou o pernil de velha;
  • Ela não gostava de vento, uma vez que parecia fugir do ventilador do meu portátil. Este último também faz "vrrrrrummmm", pelo que depreendo que a nossa amiguinha também não gostasse de ambientes ruidosos;
  • Ela gosta das fofocas baratuxas de uma das revistas mais mal escritas em Portugal;
  • Mon Dieu!, ela gosta de Margarida Rebelo Pinto!!!;
  • Era uma formiga aventureira e ainda estou a tentar desmistificar de que maneira é que uma formiga chega ilesa ao piso superior de uma vivenda, encontrando-se isolada;
  • Aposto que se tratava de uma formiga pouco inteligente e instruída, dados os pontos anteriores.

 

E agora, perguntam vocês, oh Beatriz, tu lês a Flash?

Pode-se dizer que do que eu mais gosto nestas revistas rosconhofe é de poder falar mal das tiazocas que frequentam as festas do jet7, enquanto comento a sua falta de classe para se vestirem para tais eventos e as poses demasiado ensaiadas que as fotografias mostram. Já vos tinha dito que sou uma miúda muito ranhosa?

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

thumbs up, guys!

Ainda não me habituei ao facto de os meus amigos lerem o meu blogue... mas até tem a sua piada!

a ranhosa da Beatriz

Sr. Pedro Chagas Freitas,

Acho que o senhor só está a complicar o que é simples. Eu nunca precisei dos seus cursos para aprender a usar vírgulas. Bastou a minha professora do 5º ano ensinar-me que só precisamos de nos guiar pela entoação com que falamos para que consigamos escrever um texto gramaticalmente correcto. Se soubermos falar, também sabemos escrever, dizia-me ela. E, se as pessoas não souberem falar, o que será delas nas ocasiões mais banais do dia-a-dia?
Já agora, a sua é uma das piores publicidades que vi nos últimos tempos. Nota-se logo que, com tanta falta de modéstia, quer impingir os seus cursos à força toda a um público que julga minimamente estúpido, dado o discurso que nos prega. Vá mas é pregar para outra freguesia, amigo! Pare de se intitular o "Mourinho da Escrita Criativa", porque ela é isso mesmo: criativa. Se me apetecer encavalitar vírgulas, pontos de exclamação e travessões, isso é cá da minha conta!

E, no entanto, como eu sou muito solidária para com os outros (cof, cof), ainda o ajudo na sua demanda pelas vírgulas, através da minha ranhosice, já viu?

Votos de boa sorte,

Beatriz

a noção de privacidade do século XXI

domingo, 11 de novembro de 2012

os ignóbeis convencidos

   Sabem o que me irrita? Entre muitas outras coisas, rapazes que são uns ignóbeis convencidos que, mesmo não tendo nada, mas mesmo na-di-nha de especial, se acham umas grandes figuras. E, mais do que isso, odeio que, sendo rejeitados por uma rapariga, fiquem sem saber bem porquê. Porque será…?!

   Coitados. Não, a sério. Coitados! Tenho pena que existam desafortunados desses a caminhar pelo mundo fora. É que um pouco de humildade nunca fez mal a ninguém – nem um bom par de olhos na cara e um pedaço de bom senso. Se alguém já morreu de indigestão por causa deles, que se chegue à frente (ou que se levante da campa, neste caso). É que, da sua falta, derivam outras maleitas igualmente perigosas. Enumerando algumas: estupidez q.b., humilhação, parvoíce, humilhação, permanente ausência de relações amorosas, mais humilhação… tudo isto sendo uma causa/efeito de constantes rejeições, umas atrás das outras.

   Tamanhos egos intrigam-me. Estas criaturas até podiam ter uma qualquer característica que os fizesse sobressair de entre as restantes do sexo masculino, mas não. Além de serem rapazes absolutamente normais, ainda são uns panhonhas do caraças. São pouco apelativos para o sexo oposto, a dobrar ou ao quadrado, venha o diabo e escolha. Não há nada que os salve de si próprios, a menos que exista por aí uma miúda igualmente totó e, desse modo, como se costuma dizer, “cada techo tem a sua panela”.

   Eles tentam elogiar, eles tentam ser atenciosos, eles tentam ser homens (ai, minha nossa!) e só fazem porcaria. Não compreendem o sexo feminino, não reconhecem que não o compreendem e, consequentemente, nem fazem por compreendê-lo. Enquanto rapariga, isto poderia ofender-me, se eu me desse a tal importância. Não dando, apenas me faz comichão.

   Conheço pelo menos dois casos de “bichos” como estes que vos descrevo. Podia não vos dizer que já fui o “alvo” de um deles, mas a situação até tem a sua piada (apesar de, na altura, não ter tido nenhuma, agora sim, até tem). O segundo já levou não sei quantas tampas (atrevo-me a chamar-lhes TAMPÕES!) de uma amiga minha e continua sem chegar lá, ao cume da montanha da iluminação, ou seja… à primeira, persiste-se; à segunda, insiste-se; à terceira, desiste-se. Algumas pessoas, incluindo eu, já lhe esmiuçaram a ideia de todas as formas e feitios concretizáveis e… o resto já vocês imaginam. Das duas uma: ou o rapaz se encontra em negação há catrefadas de meses, ou é mesmo tapadinho.

   No que pensarão estas cabecinhas? Em que acreditarão elas?! Que são deuses em forma humana? Que são humanos com poderes divinos? Que são lindos, maravilhosos, desejáveis, irresistíveis? Mas não são. Será assim tão complicado chegar a uma conclusão de tamanha simplicidade? Será assim tão complicado olharem-se ao espelho, procederem a uma curtíssima introspecção e avaliarem-se como gente pensante? E até poderiam ser realmente criaturas fantásticas e deslumbrantes, estando conscientes disso, desde que conseguissem mentalizar-se de que, por muito perto da perfeição que alguém esteja, nem sempre poderá agradar a gregos e a troianos. Então, no amor, nem se fala!

   Não escolhemos de quem gostamos ou por quem nos sentimos atraídos, portanto, os ignóbeis convencidos que tomem juízo. Não será por passarem meia vida a tentar conquistar uma rapariga que ela se vergará perante os seus esforços, não será por lhe perguntarem mil vezes como está que serão mais agradáveis, não será por se lamentarem infindavelmente aos seus amigos que eles lhes satisfarão a necessidade eminente de dar uma queca.

   Porque, ao fim e ao cabo, tudo isto não passa de um assunto estritamente hormonal. Rapazes como os que retratei estão, como é evidente, desesperados. Não é que estejam realmente interessados em conquistar por razões amorosas. Na cabeça deles, o carinho e o desejo misturam-se. Não é de estranhar que anseiem por um relacionamento amoroso, dado o contacto físico ser uma das premissas incluídas no compromisso (supostamente).

   Os ignóbeis convencidos que se enganem a si mesmos! Estejam à vontade. Toda a gente já lhes adivinhou as intenções. Do que precisam não é de alguém para amar, mas sim de uma companhia casual. Se fossem minimamente inteligentes, sabê-lo-iam de antemão e estariam quietinhos e caladinhos.

sábado

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

existem métodos... e métodos

Como já devo ter referido anteriormente, o meu professor de Psicologia deste ano já foi o de Filosofia que tive no ano passado. Com ele, as nossas notas baixam a pique. A maioria dos meus colegas, tal como eu, não consegue ficar imune ao grau de dificuldade dos testes deste professor. Hoje, lá fomos surpreendidos, mais uma vez, como se nunca tivéssemos aprendido com as experiências anteriores.

Conclusão: em testes "normais", a escolha múltipla é a parte mais fácil; em testes do professor A.J., a escolha múltipla suscita nos alunos preocupantes tendências suicidas. Pelo menos, os dois grupos de resposta escrita não eram grande espiga - o pior serão mesmo os métodos de correcção.

 

No entanto, fico feliz por ter este professor. Apesar de ser muito exigente, é um excelente profissional e, fora das aulas, é o que se chama de "bacano", a todos os níveis.

encontro de animadores da Fórum Estudante 2012/13

Já escrevi no blogue sobre o último encontro dos animadores da Fórum Estudante, há cerca de três semanas. Mas, para que fiquem com uma melhor ideia sobre o que realmente se passou em Almada nesse fim-de-semana, deixo-vos aqui o link para a versão online da revista deste mês, remetendo-vos em particular para as páginas 10 e 11, onde poderão, inclusivé, deparar-se com uma fotografia da minha bela pessoa, tal como o meu depoimento sobre uma das parcerias da Fórum.

 

as "loucas" conversas à hora de almoço (ou pura parvoíce)

Lisete (bebendo do copo do Ricardo): Isto parece chá.

Ricardo: Hum... porque é Ice Tea.

 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

dos outros #13

"Sei que nos mandam escrever sobre aquilo que conhecemos, como se alguma vez pudéssemos escrever sobre o que conhecemos, como se conhecer fosse o essencial, quando o essencial é o desejo."

Joanne Harris, O rapaz de olhos azuis

Breaking Dawn - part II

Aposto que, tal como eu - que já cheguei a gostar mais da saga do que gosto actualmente - muitos de vocês vão correr a participar neste passatempo da Fórum Estudante, cujo prémio é (*rufos*) bilhetes duplos para a antestreia da segunda parte do filme "Amanhecer", da saga "Crespúsculo", em Lisboa e no Porto! A cada 40 respostas correctas à questão colocada (quem é a actriz que interpreta a personagem Renesmée?), a Fórum premeia os leitores. Não se esqueçam que têm de estar inscritos no site para participarem. Aqui fica a ligação. Boa sorte!

 

(E quem é amiga, quem é? Sou euuuuuuu, não sou?! Não, por acaso é a Fórum Estudante, xisdê.)

 

não sei se a amostra da experiência é grande o suficiente, mas...

... a Cara de Panqueca costumava gostar muito dos One Direction. Certo dia, começou a namorar e a coisa passou-lhe. Será que esta lei mui pouco científica se aplica ao resto do mundo? Será que, afinal, do que as intituladas directioners precisam é de um sujeito palpável em quem possam depositar as suas energias quotidianas? Alguém se disponibiliza para verificar a minha teoria?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

1D - lol?

Não percebo por que razão ainda passam publicidade sobre o concerto dos One Direction na televisão. Não tinham já vendido todos os bilhetes em sete ou oito horas? Não serão os anúncios um desperdício de dinheiro? Acima de tudo, não serão eles um atentado à paciência de quem não grama os ditos boys e se vê obrigado a levar com a sua cantilena foleira* a cada dois minutos de intervalo, sem uma justificação decente?

 

*Dita por alguém que chegou a ter uma parede forrada a posters dos Jonas Brothers, esta afirmação ganha um significado totalmente diferente.

sunrise... is it in your mind at all?

trabalho procura-se (e os anúncios que se encontram)

Há com cada anúncio de oferta de trabalho com uma falta de credibilidade incrível que até me impressiono... Adoro aqueles que prometem tudo e mais alguma coisa (dinheiro, horário flexível, "fazer algo que não é difícil", "viajar e/ou ter férias quando quiser") e, nos contactos, a única informação disponível ser "Sr. João, nº 912345678". Pelo menos a mim dá-me a impressão de que o Sr. João tem é um grande negócio de meninas por trás do seu anúncio imaculado!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

questionários

https://www.facebook.com/questions/364620476963667/

Como todos os autores de blogues, também eu gosto de saber curiosidades destas.

Com que frequência lês o "procrastinar?"como o conheceste?

má nota, boa nota

Não me queixo muito: tive 15,2 no primeiro teste de História A do ano. Sim, fiquei desiludida por ter estudado imenso e não ter visto resultados proporcionais ao esforço, mas, se relativizar a situação, podia ter sido pior. Hoje, também recebi o primeiro teste de Filosofia e, surpresa das surpresas... tive a melhor nota à disciplina em três anos - 17! Ainda vai ser desta que começo a entender o "bicho", querem lá ver?

Já lá vão dois testes avaliados. Faltam sabe-se lá mais quantos...

 

A acompanhar...

gosto #1

(Escrito em Agosto; na altura, esqueci-me de o publicar.)


   Gosto de escrever, falar, comunicar, argumentar, enfim, gosto de me expressar. Gosto do fluir da caneta no papel ou do insistir das teclas que registam cada pensamento como se fosse o último, quando a musa o permite, e de medir o tamanho das minhas ideias pela quantidade de palavras.

   Gosto de barras de chocolate, de cereais de chocolate, bolos de chocolate e gelados de chocolate, principalmente quando comidos à beira-mar ou na companhia dos meus amigos.

   Gosto dos meus amigos e de os ter por perto, gosto de os ver sorrir. Gosto que eles sintam que os quero apoiar e proteger, apesar de nem sempre ser possível. Gosto da minha família de sangue, das minhas famílias emprestadas e dos meus animais de estimação – três cães, dois gatos e uma tartaruga – tal como gosto de ser a prima mais velha e encher os mais novos de mimos, antes que eles cresçam e passem a rejeitá-los.

   Apesar de gostar das férias, também gosto muito do tempo de escola, porque tenho gosto em aprender e em sentir-me motivada e valorizada. Gosto de voleibol, de basquete e de dança, mas vivo bem sem a ginástica ou o futebol.

   Há livros de que gosto mais e outros que dispenso. Gosto de crónicas, blogues, sarcamos, ironias, de pessoas normais que escrevem como génios e de génios que escrevem como pessoas normais. Gosto de José Luís Peixoto, de José Saramago, de Inês Botelho e de Rui Zink. Gosto ainda da J. K. Rowling, da Stephenie Meyer, do C. S. Lewis, do Christopher Moore e da Meg Cabot.

   Gosto da minha maneira de ser e do meu irritante optimismo. Gosto de saber que sou a amiga parva e absurdamente extrovertida que é capaz de fazer figuras no meio de qualquer sítio. Gosto mesmo de as fazer! Gosto de ser criança e de, aos poucos, ir assumindo responsabilidades, direitos e posturas de adulta, tal como de ver o futuro de uma perspectiva risonha, apesar dos tempos difíceis por que estamos a passar.

   Gosto de ter cuidado antes de atravessar a rua, quando desço escadas ou quando me apaixono. Gosto de gostar de alguém, mesmo que não valha a pena por não ser correspondida, porque a lamechice de que sou vítima sempre rende alguns textos. Gosto de me sentir protegida, pelo que é óbvio que gosto de abraços, em grau de preferência consoante o “abraçador”. Acho que também gosto de beijos e beijinhos, principalmente se forem completamente inesperados. E de dar a mão.

   Gosto de palavras ditas com boas intenções, de declarações inesperadas e, por vezes, de surpresas. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

pais "exigentes"

   Filha de pai solteiro, fui maioritariamente criada pela minha avó. Deste modo, sempre foi ela quem mais me apoiou e motivou em tudo o que fui fazendo ao longo dos já treze anos que tenho vivido debaixo da sua asa.

   E, como se costuma dizer, os avós são pais duas vezes. Neste caso, a minha avó não foi excepção, fazendo por mim ainda mais do que fez pelos dois filhos. É certo que a idade e a disponibilidade são diferentes, mas lá que a minha avó tem uma grande paciência e, principalmente, um grande coração, lá isso tem.

   Com a atenção quase toda sobre mim, controlando cada passo que dou, querendo saber cada pormenor do que me acontece, a minha avó tem-me sempre debaixo de olho. Tenha o assunto que ver com a escola ou com outra actividade qualquer, é ela quem está mais bem informada. E, como seria de esperar, sempre fez tudo para que eu fosse bem-sucedida no que quer que fizesse. Primeiro, assegura-se de que as minhas notas andam nos conformes (apesar de já nem ser necessário, porque, com a minha idade, já tenho juízo suficiente para saber o que quero); depois, e não menos relevante, preocupa-se com as minhas actividades extra-curriculares, ou seja, aquilo que me dá prazer e que convém ser igualmente apreciado.

   No entanto, não pensem que a minha avó, o meu pai ou outra pessoa qualquer me obriga a ser a MELHOR em tudo. Toda a minha família reconhece que ninguém é perfeito, muito menos eu. Por acaso, vai calhando que eu tenha sucesso nalgumas áreas da minha educação escolar e que, ainda um acaso maior, tenha encontrado a minha vocação (comunicar, sem dúvida!) há um certo tempo e, desde então, tenha vindo a trabalhar para a aperfeiçoar, o que me motiva. Acontece! Eu sou péssima a ginástica, a Filosofia e nas artes plásticas, mas a minha família não se queixa, porque, afinal, há piores coisas na vida. Repito, não sou perfeita nem a melhor em nada e farto-me de trabalhar para alcançar resultados visíveis. Dado o meu esforço, cada pequena conquista é celebrada como se valesse ouro, porque, segundo me parece, é assim que se educam as crianças e os jovens.

   Por outro lado, o que me causa urticária são aqueles pais que fazem trinta por uma linha para que os filhos sejam os melhores, os mais bonitos, os mais estudiosos, os mais dóceis, os mais persistentes, os “mais melhores”. Em última análise, se eles não o forem, fazem de conta que o são. E aqueles pais que esborracham na cara de todos os que conhecem que os filhos são isto e aquilo e aqueloutro? “O meu filho teve um 20 a Matemática.”; “O meu filho sabe falar trinta mil línguas.”; “O meu filho conseguiu a medalha de ouro no tiro ao alvo.”; “O meu filho não vai ter relações sexuais até ter casa própria.”; “O meu filho vai ser o próximo presidente da república.”; “O meu filho é melhor que o teu, e que o teu, e que o teu, na na na na na!” – e a lista continua.

   Pais que por aí andam, não confundam o orgulho que sentem pelos vossos filhos com uma exacerbação dos seus feitos. Não lhes coloquem a pressão de terem que estar constantemente a superar as (vossas) expectativas. Um dia, se não o conseguirem, tanto vocês quanto eles – especialmente eles! - ficarão frustrados, e de que vale isso? Nada!

   Aprendam a distinguir “apoiar os filhos” de “pressionar os filhos”. A fronteira entre um e outro é muito ténue e, segundo o que tenho observado na minha própria educação, não é preciso muito para saltar da primeira para a segunda.

   E tentem não andar a espalhar a toda a hora os maravilhásticos que eles são pelos vossos amigos. Se o fizerem com frequência, ambos pensarão que vocês fazem parte daquele tipo de pais que só está contente com vitórias sucessivas, que desapontar-vos é mais fácil do que descalçar uma meia e que agradar-vos é algo imperativo. Não se esqueçam que sabe bem ter os pais por perto aquando de uma derrota. Nunca ficou mal reconhecer “o Puto perdeu o jogo, mas fica para a próxima”.

 

   Com tudo isto, não estou a dizer a ninguém como se educam os filhos. Esta é apenas uma opinião pessoal.

domingo, 4 de novembro de 2012

é de iniciativa que este país precisa!

A combinar com o actual estado do país, com esta conjuntura caótica, encontramo-nos na época mais pessimista desde que nasci - e isso já é mais que uma década e meia! Falta ânimo ao pessoal, e com muita razão, os jovens pensam logo em emigrar antes sequer de acabarem os seus cursos, alguns até vão estudar para fora se tiverem dinheiro para tal, são mais o desempregados que as mães, não há condições de trabalho para os que o têm, está-se mesmo a ver que não vai haver reformas para ninguém nos próximos milhentos anos, não há esperança, etc, etc, etc, vocês vivem no mesmo país que eu e sabem como é.

Ainda assim, o que é de louvar aos céus, existem pessoas que são capazes de levantar a cabeça e ter INICIATIVA - já que os responsáveis por esta grande borrada nacional/internacional/MUNDIAL não a têm. Um desses exemplos de gente que vai à luta chama-se Sofia Mesquita e arranjou uma maneira surpreendentemente criativa para procurar trabalho. Achei brilhante! Ora dêem uma vista de olhos:

 

é só para avisar que...

A par da publicação anterior, não existe - pelo menos, neste blogue - nenhuma que se chame "Gosto" ou "Gosto #1", ao contrário do que eu pensava, dado que, despassarada como sou, nunca cheguei a publicar a primeira parte, apesar de a ter escrito em Agosto. Portanto, essa fica prometida para um destes dias! Se eu me esquecer, relembrem-me!

 

No entanto, este é o link para o "Não gosto".

gosto #2

   Gosto do Inverno. Gosto de estar perto do aquecedor e aí permanecer, sem um objectivo em vista, e gosto de não ter as mãos geladas, como sempre acontece seis meses por ano. Gosto de ficar na cama a ler ou a escrever ou, quem sabe, até sem fazer nada. Gosto de estar, somente.

   Gosto do céu escuro e enevoado, em tons de cinzento, como se alguém o tivesse sujado com pegadas gigantes, enquanto o observo pela janela. Talvez chova, e eu gosto da chuva que cai a menos de um metro da minha cabeça, no telhado, porque a ouço crepitar e escorrer. Gosto que o meu quarto seja no sótão.

   Gosto do tamanho da minha casa que, em comparação à maioria das casas que conheço, até é grande. Gosto de saber que é espaçosa e que, um dia, talvez os meus filhos brinquem onde eu escrevo estas palavras, neste preciso instante, a determinada altura da minha adolescência.

    Mas, por agora, gosto de ter a minha idade, os meus sonhos e os meus pseudo-problemas. Até chego a gostar dos dramas desnecessários que, por vezes, crio! Fazem parte do momento… Gosto de não ter preocupações maiores, gosto de imaginar o futuro e, simultaneamente, adorar o presente, mantendo aceso o passado.

   Gosto de ter o tempo de que preciso para ser feliz. Gosto de sentir que poucas são as vezes em que não estou satisfeita comigo mesma e que não tenho o que quero. Eu gosto de alcançar aquilo para que luto, eu gosto da sensação de ser recompensada pelo meu esforço e gosto de ser elogiada – afinal, quem não gosta? Gosto de ficar a olhar para um trabalho quando o acabo e de me congratular pela minha persistência, tal como gosto de perder e saber que, mesmo assim, ganhei. Gosto de dizer isso às pessoas e de as incentivar a serem positivas.

   Gosto de não ser pessimista, apesar de não me considerar completamente optimista. Gosto, de vez em quando, de não ser realista. Enfim, gosto do ânimo que uma fantasia me consegue trazer.

   Sem nenhum motivo específico, porque motivos não me faltam, gosto de me orgulhar de mim própria, da minha família e dos meus amigos. E gosto de não ser sempre orgulhosa! Mas também gosto dos meus momentos de egocentrismo, porque eles fazem bem ao ego! (E gosto da elasticidade do meu, que passa a vida a esticar e a encolher, conforme as exigências exteriores.)

   Gosto do meu blogue e dos comentários que me enviam. Gosto de escrever, sabendo que alguém lerá e apreciará o que faço. Ao final de um qualquer dia, mais ou menos satisfatório, gosto de verificar o meu contador de visitas e saber que X pessoas passaram um segundo da sua vida que fosse a olhar para o cabeçalho – “procrastinar também é viver”. Estariam elas próprias a procrastinar?

   E, como é óbvio, gosto muito de pessoas. Poderia dizer que as adoro, mas não é esse o título. Gosto de as observar, de as perscrutar e de as conhecer. Depois, gosto de saber no que pensam e o que esperam da vida. Jamais deixarei de gostar de pessoas. É delas que gosto mais, acima de tudo.

sábado, 3 de novembro de 2012

chamem-lhe contracepção caseira (ou coisas em que penso quando estou prestes a adormecer)

Se, nos próximos dez anos, eu tiver um filho, obriguem-me a chamar-lhe Ernesto; se for filha, que seja Florinda.

Com nomes tão feios, uma pessoa quase cai na tentação da abstinência.

dos outros #12

"Where there is desire, there is gonna be a flame. Where there is a flame, someone's about to get burnt. But just because it burns, doesn't mean you're gonna die. You gotta get up and try..." [Try, Pink, 2012]

faz parte

   Mudamos de penteado, mudamos de e-mail, mudamos de meias. De vez em quando, gostamos de mudar de ares, conhecendo novos sítios e revisitando os antigos. Noutras alturas, cansamo-nos do que não nos interessa, abandonamos velhos hábitos e desistimos de certos desafios. Ao fim e ao cabo, achamos que toda a nossa vida é feita de metamorfoses constantes, umas rápidas, outras mais subtis, que nos levam à circunstância desconhecida que, mais tarde, será o agora.

   E os amigos? Esses já não os trocamos ou, pelo menos, não deveríamos trocar. No entanto, é inevitável que tal vá acontecendo.

   É a vida…

   Não vou negar que existem por aí muitas amizades com prazo de validade. Talvez eu tenha algumas, mas, evidentemente, diferencio-as das que não o têm, categorizando-as: são as amizades por conveniência, as que nos interessam em determinado momento. E não me venham com moralismos, coisa nenhuma! Quem é que, a dada altura, não deixou de falar com o amigo X ou Y porque assim aconteceu, sem ressentimentos nem causas específicas? Parabéns – vocês já tiveram uma amizade por conveniência. Não lhe atribuam essa qualidade pejorativamente! Nem sempre podemos ter os nossos amigos-de-sempre-e-para-sempre por perto. Acontece…

   Porém, lamento alguns “amigos” que fui perdendo pelos motivos mais patéticos. Às vezes, ainda dou por mim a perguntar-me como estarão e qual as decisões que vão tomando, se têm passado bem, se também se vão recordando de mim ou se, por outro lado, querem é ver-me bem morta e enterrada (ei, não julgo ninguém!).

   Ainda assim, lembro-me deles principalmente porque, como já mencionei, as verdadeiras amizades não se deviam perder do pé para a mão. E é aí que o bom senso se me refresca: talvez tenham sido apenas meias mentiras e, apesar de o serem, não têm de constituir um drama descomunal. Se não deu, não deu - o que não impede que, numa ocasião ou noutra, sintamos uma qualquer nostalgia ou saudade.

   Faz parte…

não estávamos ainda em Novembro?

Hoje, fui ao El Corte Inglés. Do tecto já pendiam grinaldas e decorações que tais, douradas, prateadas e "Feliz Natal!", "Merry Christmas!", fazendo-me temer, por momentos, ouvir os jingles natalícios, com publicidade festiva à mistura. Mas esses também não devem tardar. Esperem até à próxima semana e depois digam-me se a coisa já não chegou a esse ponto!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

não é preciso título

Enquanto me penteio em frente do espelho, penso "invejo tanto aquelas pessoas com sobrancelhas bem delineadas e com aparência sólida".

sou uma adoradora de bebés

Como tal, enterneci-me com a filha da Pink.

não morram, compatriotas... não morram!

O feriado do 1 de Novembro, bastante concorrido para visitar as campas dos nossos entes falecidos, já não o vai ser, a partir do próximo ano. Os subsídios de morte foram cortados em 50%. Com esta crise, já nem há dinheiro para comprar um raminho de flores para decorar as sepulturas. O número de cremações tem aumentado imenso, porque... bem, é mais económico despejar as cinzas para um jarro Made In China e metê-lo, vejamos, em cima da lareira (o habitual cliché dos defuntos) do que comprar um caixão Made In Portugal, o que implica, supostamente, o aluguer ou compra de um espaço extra no cemitério. Portanto, compatriotas... não morram. Feitas as contas, permanecer vivo ainda é mais viável.