Apesar
da escassa experiência de vida que me precede, já assimilei um bom par de
conclusões que me permitem opinar sobre meia dúzia de assuntos. O das relações
é um deles, mais por observação do que realmente por vivência.
Do
meu ponto de vista, existem diversos tipos de relação, dentro das amorosas. Há
quem siga a filosofia do “é para sempre”, quem estipule, logo de início, um
prazo de validade e até quem prefira ficar na ignorância, não ligando à
duração, mas sim à intensidade. Também há quem prefira manter uma relação à
distância, por mero acaso ou porque assim o deseja, e há quem não consiga estar
a dez centímetros do seu loved one
por mais de três minutos.
E,
infelizmente, poucos são os casais, principalmente os mais jovens, que conseguem
manter uma relação relativamente pacífica, sem muitas discussões ou
complicações. Parece-me, mais uma vez segundo a minha quotidiana análise de
quem me rodeia, que é quase certo, pela opinião geral, que quem namora, casa ou
está íntima e romanticamente relacionado tem de discutir obrigatoriamente e que
os que não o fazem ou são um milagre ou vivem nas histórias de encantar. Os
conflitos dentro das relações estão cada vez mais vulgarizados e ninguém
encontra uma ponta de anormalidade nisso.
Digo-vos que não sou santa nenhuma e já
tive uma relação que contemplava praticamente toda a podridão que poderei já
ter descrito ou poderei vir a descrever neste texto. E o mais “engraçado” é
que, na altura, eu não conseguia fazer nada que o contrariasse, pois estava
viciada no ambiente de constantes discussões e conciliações, alheia ao resto do
planeta. Só sabia lamuriar-me. Mas, agora, com a cabeça fria e passado algum tempo
desde o sucedido, considerando o meu “eu” de então uma miúda bastante parvalhona,
esta coisa das relações problemáticas apresenta-se-me um bom tema para discutir
mais objectivamente.
A
pergunta-chave que me coloco é a seguinte: porque
haverá de ser “certo” que um casal tenha de discutir? Outra pergunta: numa relação, não é suposto haver
entendimento mútuo? E outra: porque
é que quem se encontra numa relação (demasiado) problemática não luta contra
isso ou, pelo menos, se esforça para o evitar?
Quando
questiono ou simplesmente observo outras pessoas da minha idade, a maioria é da
opinião de que, a certo ponto, um casal tem de discutir, porque nem tudo são
rosas numa relação. O mais dramático é que uma grande parte dessas relações em
questão, sobre as quais incido o foco principal, nem são muito sérias – são
“apenas” romances juvenis. E o primeiro problema que lhes encontro é
exactamente o serem levados com demasiada seriedade. Não estaremos nós,
adolescentes, a trocar as nossas prioridades? Até mesmo adultos que fôssemos...
Uma relação não deveria ser algo agradável? É que eu não vejo agradabilidade
nenhuma em discussões e implacáveis cenas de ciúmes! Aposto que nem eu nem
ninguém… Para problemas, já chegam os que são inevitáveis, quanto mais aqueles
de que nos podemos escapar voluntariamente. Não digo que um casal não tenha os
seus arrufos pontualmente. Arrufos são arrufos; andarem quase à pancada, a
acabarem e a reatarem durante meses a fio, é uma parvoíce. Mesmo nas
discussões, não há necessidade sequer de levantar a voz – muito pelo contrário,
isso só piora a situação.
E, se
pensarmos bem no assunto, o problema de raiz reside em algo bastante
rudimentar, mas que, ainda assim, tem vindo a perder o seu valor: o respeito.
Uma relação, não interessando o seu carácter, não resulta sem que haja o mínimo
de respeito mútuo. Não é preciso ter-se muita experiência de vida para o saber.
É o respeito à outra pessoa que nos impede de lhe mentir, ludibriar ou tratá-la
indevidamente, seja de que maneira for. Sem respeito, nunca nos pesará a
consciência para nada. Os problemas da relação acabam por nos ser indiferentes,
por não termos nada em conta senão o nosso próprio umbigo.
Não é
necessário amor para haver respeito, mas é preciso gostar-se minimamente de uma
pessoa para se ter uma relação com ela e, quem gosta, respeita (julgo eu). As palavras não chegam e os actos justificam-se a si próprios, quer para o bem, quer para o mal.