Eu sei, eu sei que nem toda a gente tem a mesma cultura geral. A minha é péssima em filmes e em música "moderna", por exemplo. O pior é que só me apercebi disso quando conheci alguém cujos conhecimentos nessas áreas são bastante acima da média (adivinhem quem). Perguntem-me o que quiserem sobre literatura ou história. Com alguma sorte, hei-de saber qualquer coisa acerca de música clássica (lá que gosto de ouvir, lá isso gosto), arte ou política actual. Acabo por não ser completamente tapadinha no que toca a assuntos culturais, não sei tudo, mas também não deixo de saber o suficiente para não fazer figuras tristes. Sei o que sei.
No entanto, parece-me que ainda existem por aí muitos bichos do mato que nem os dedos dos pés devem conseguir contar. Representam apenas uma parte do mundo (alegadamente) instruído, vá lá que não vá, mas são o que baste para me deixar um tanto ou quanto aborrecida - não por mim, mas pela humanidade em geral. É que nem sequer existem, actualmente, muitos obstáculos ao conhecimento: existem livros sobre tudo e mais alguma coisa (a começar pelos guias de instruções do Ikea e a acabar nos manuais de preparação para os exames, passando pelo Código Civil e pela Bíblia itself), quase toda a gente tem acesso à Internet, à rádio ou a um jornal e, milagre dos céus, existem mais televisões do que humanos no planeta Terra! (Na verdade, acabei de inventar este último aspecto, mas espero que tenham entendido a ideia.)
Deste modo, ironicamente, achei o artigo "A ignorância dos nossos universitários", publicado no site da revista Sábado, a paródia total. (Agradeço à amiga que mo enviou e que sugeriu de imediato que eu escrevesse sobre o assunto.) Não devia, mas achei. Antes rir do que chorar, não é verdade? E o mais triste é que não me admirei de cada vez que algum dos inquiridos falhou a resposta certa e largou uma qualquer barbaridade mais bárbara do que os próprios bárbaros, caso estes o tenham realmente sido. Então no vídeo, observando a expressão de cada um deles, tive a certeza de que, afinal, a espécie poderá não ter evoluído tanto quanto me fazem crer.
Uma das razões pela qual este artigo não me surpreendeu foi por "já saber o que a casa gasta". Estou numa turma de Línguas e Humanidades (12º ano) e tenho a certeza de que aproximadamente 40% dos meus colegas não 'tá nem aí. E os que lêem o meu blogue não poderão discordar, acho eu, do alto do meu pedestal blogosférico.
Então, eis o TOP 5 das maiores falhas dos ditos estudantes universitários (e que belos universitários, caramba!):
1 - O Leonardo DiCaprio pintou a Mona Lisa. Deve tê-lo feito nos intervalos das filmagens do Titanic.
2 - O John Lennon foi contratado pela Disney para fazer as suas bandas sonoras. Na volta, ainda foi ele que escreveu as do High School Musical!
3 - Água...? Água é PH. Só espero que seja neutro.
4 - "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" foi escrito por um dos apóstolos.
5 - A capital de Itália é, visivelmente, Veneza, talvez porque o Casanova é de lá. A de Portugal deve ser Massamá, nem que seja porque é onde vive o Passos Coelho.
I rest my case.
De facto, é preciso estar muito alheado da realidade para não saber quem é o actual presidente dos EUA ou o presidente da Comissão Europeia, pois são referências tão mediáticas que só alguém que tape deliberadamente os olhos e ouvidos em relação a qualquer meio de comunicação é que pode desconhecer tais factos. Ou então vive num bunker. De resto, houve perguntas que eu não achei que reflectissem assim tanto o grau de cultura ou interesse de uma pessoa, pelo menos não ao ponto de ser vergonhoso não saber a resposta, ou ao ponto de fazer destes estudantes (amostra insignificante) o pobre retrato intelectual que caracteriza a juventude (supostamente). Para além disso, o tom que deram a este este vox pop, "a ignorância dos nossos universitários", é de uma condescendência inaceitável e lamentável e não sei realmente o que é que ganham com este exibicionismo todo, que não se pode chamar de jornalismo certamente, nem sequer uma peça informativa é.
ResponderEliminarFoi um ardil muito pouco rigoroso, em que de um universo tão grande de respostas, seleccionaram a dedo somente umas quantas, que nem sequer formam uma amostra representativa, com o único intuito de procederem ao gozo público. É impossível tirar conclusões de uma amostra tão pequenina - a não ser aquela de que muita gente tem um deficiente sentido crítico, que faz juízos à parva completamente infrutíferos.
Concordo com tudo o que referiste, mas, na verdade, o universo de respostas foi maior e tal é mencionado no artigo publicado por baixo do vídeo. Este último foi apenas fruto de uma selecção que talvez tenha sido menos feliz. Neste caso, entendo este artigo mais como um "abre olhos" para um aspecto da realidade actual - os jovens prestam cada vez menos atenção à sua cultura geral e, em parte, atribuo-o à maneira como o sistema educativo está estruturado, dado que somos cada vez mais encaminhados para memorizar temporariamente as matérias, despejando-as pouco depois nos testes e exames. Pelo menos, enquanto aluna, enquanto jovem em Portugal, é esta a minha opinião.
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