sábado, 27 de abril de 2013

Emprego ou não, eis a questão!

A minha família não me deixa trabalhar, uma vez que o meu único trabalho deve ser estudar, e querem que eu o faça sendo a minha prioridade.
Talvez nas férias, diz a minha avó. Não, não, diz o meu pai, deves é aproveitar estes meses, esta altura, enquanto podes, ir para a universidade sem outras preocupações, porque nós não sabemos o dia de amanhã, nem como estará o país daqui a uns meses...
Está bem, eu entendo. E é sobre isto que vos quero escrever.
Enquanto estudantes sem nenhuma especialização (falo, pelo menos, em nome dos que enveredaram pelo ensino regular não profissionalizante, tal como eu), porventura ainda no ensino secundário ou nos primeiros anos de faculdade, os empregos que poderemos, possivelmente, arranjar, no campo dos part-times, é andar a virar hambúrgueres ou frangos, sermos vendedores por telefone, darmos explicações, caso tenhamos, sequer, habilitações e credibilidade para tal ou (tentar) vender cosméticos por catálogo (mais no caso das raparigas). Principalmente nos dois primeiros, somos mais do que explorados. Recebemos uma miséria, já temos de descontar para os impostos, graças aos novos procedimentos e controlos fiscais por parte do Estado e, no fim, sobra-nos quanto dinheiro…? 100 euros por mês? 150? E com alguma sorte! Por uma média de 88 horas de trabalho mensal (contando que se trabalham 4 horas todos os 22 dias úteis), isso é uma ninharia, fora o transporte, a alimentação e outros descontos que possamos ter no ordenado.
Eu quero muito trabalhar, uma vez que mal tenho dinheiro para pagar a faculdade que começa já em Setembro, mas não sei se valerá a pena. Além de, por agora, não me deixarem arranjar nada, apesar de já ter sido chamada para duas entrevistas, talvez tenham razão quando argumentam que desperdiçarei tempo quase desnecessariamente, tempo esse que posso utilizar a estudar, a escrever (porventura, concorrendo a alguns concursos literários em que poderei arrecadar dinheiro livre de impostos, se ganhar algum prémio), a namorar e a estar com os amigos... Enfim, a divertir-me enquanto estou na idade de o fazer com maior liberdade. Há todo um conjunto de prós e contras que tem de ser pesado.
Arranjar um emprego poderia trazer-me a experiência profissional que ainda mal tenho, poderia dar um jeito ao meu CV, dar-me uma primeira perspectiva do que é realmente o mercado do trabalho e permitir-me amealhar algum dinheiro para as propinas da faculdade. Por outro lado, estaria a perder horas de estudo e de descanso, teria que deixar as aulas da Alliance Française em suspenso, nem que fosse temporariamente, não conseguiria ter nenhuma disponibilidade para escrever nem ler… Percebem o meu dilema?
Portanto, deste modo, decidi-me apenas a inscrever para monitora das actividades de Verão da freguesia onde estudo. Em princípio, julgo que decorram somente durante o mês de Julho e farei algo de que gosto: ou tomar conta de crianças, ou da biblioteca de praia/jardim. No ano passado, fiquei como “suplente” para as bibliotecas, mas ninguém desistiu da vaga que lhe fora atribuída e acabei por não ser chamada. Este ano, tenho mais hipóteses: já terei o 12º ano terminado, mais um diploma de nível C1 a Inglês (fora o B2 de Francês, para o qual ainda tentarei a sorte no próximo dia 10) e serei maior de idade. Sei que não se ganha muito mais nestes empregos de Verão a tempo inteiro do que em qualquer outro a tempo parcial, mas não custa tentar por apenas quatro semanas.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cumprindo uma promessa que foi mais do que procrastinada

Em Dezembro, escrevi uma crónica chamada «"Teorias sobre o "ÉS TODA BOA!"», em que sujeitei toda uma comunidade procrastinadora a reflectir sobre o que é mais ou menos atraente numa rapariga ou mulher e sobre o conceito de verdadeira beleza feminina.
Então, em jeito de comentário, a Raquel do blogue "À Carne Nua da Emoção" sugeriu-me que lançasse um questionário em que se apurassem as preferências masculinas no que toca ao físico feminino. Pois, que eu já o devia ter feito há c'anos, mas só agora tomo iniciativa! Porém, como mais vale tarde do que nunca, convido os senhores (e meninos, porque não?) meus leitores a dizerem de sua justiça, pode ser? Não custa nada, é só um clique ou dois (ou meia dúzia, escolham quantas opções vos aprouver) e estarão a contribuir para o esclarecimento da curiosidade dos rabinhos-de-saia procrastinadores e, quem sabe, para uma vaga blogosférica de consequente felicidade-barra-depressão-ai-que-eu-não-agrado-a-ninguém-e-preciso-mas-é-de-uma-dieta! Poderão votar mesmo aqui no blogue - mais precisamente na barra lateral -, na respectiva página de Facebook ou, como há alternativas para todos os gostos, até nos dois sítios. Darei permissão para que adicionem outras respostas aos questionários, mas vejam lá se não abusam da sorte, que este é um blogue sério, 'tá bien? E, ATENÇÃO, só o pessoal do sexo masculino é que deve responder (talvez abra uma excepção para as lésbicas, mas nem sei, sequer, se haverá alguma a ler o meu blogue...), portanto, meninas, deixem-se lá de fazer batota...!

No Facebook, em https://www.facebook.com/questions/440623812696666/ .

Têm pouco mais de dois meses para responder, ou seja, até dia 30 de Junho, pelo que não há desculpas  do género "não vi", "não tive tempo" ou "estive a procrastinar", porque, afinal, isso fazêmo-lo todos, se não estou em erro. Agora, toca a votar, minha gente, toca a votar! Convidem namorados, amigos, irmãos, os vossos primos giros e os menos giros, o vizinho do lado, o de cima e o de baixo... quem vocês quiserem! Menos pais e avós, a ver se nos cingimos à nossa geração, se possível...

(E, amor... vota tu também! Rick's gonna vote, Rick's gonna vote!)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Not even possible, my dears!


Esqueçam lá isso, escusam de perguntar, porque não há mesmo maneira de viver sem procrastinar. Eu já tentei e não consegui. Muito menos será neste blogue que encontrarão as respostas de que necessitam, ok?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Comichão, irritação, incompreensão fatal, chamem-lhe o que quiserem...

Se há coisa que me inquieta terrivelmente é, na minha escola, valorizar-se mais o desporto do que a actividade intelectual. Não me interpretem mal - eu sou da opinião de que deve haver um equilíbrio entre os dois, pois ambos são importantes, à sua maneira, na nossa formação. Mas, vejam-me lá o desplante da situação!, o pessoal que ganha, por exemplo, campeonatos desportivos, tem direito a fotografia e a alegre comunicado no site da escola, tal como à entrada de cada pavilhão, enquanto o pessoal que ganha concursos literários ou científicos é colocado em segundo plano e, se obtiver uma linha na página de Facebook do agrupamento, já vai com muita sorte (e, confesso, até poderei estar a incluir-me nesse grupo, uma vez que já ganhei pelo menos 4 prémios desde que entrei na C+S, além de ser algo activa na comunidade lectiva, nunca tendo visto o meu esforço recompensado com tais mordomias). Deste modo, pegando num pequeno exemplo como este, se confirma que a sociedade, em geral, tem as prioridades um bocado trocadas. Vivemos num mundo em que o pontapé na bola é superior à investigação científica, ao exercício da cidadania e à cultura. Depois queixam-se de que andamos em crise.

dos outros #24

"Aprendemos das lições da vida que de pouco nos poderá servir uma democracia política, por mais equilibrada que pareça apresentar-se nas suas estruturas internas e no seu funcionamento institucional, se não tiver sido constituída como raiz de uma efectiva e concreta democracia económica e de uma não menos concreto e efectiva democracia cultural."

José Saramago, O Caderno

terça-feira, 23 de abril de 2013

Aos livros (a todos eles)

Entraram na minha vida desde bem pequenina. Depois das chaves de plástico de cor deslavada, tornaram-se o meu brinquedo favorito. Sim, eu ainda me lembro. Havia os clássicos ilustrados, cujas figuras se elevavam em relevo das páginas rijas - o Gato das Botas, a Cinderela, ... -, havia aquele livro com a forma de um pássaro, fazendo eu questão de o levar para todo o lado, por ser tão pequenino e ter apenas algumas palavras que eu adorava que me lessem, e, depois desses livros, houve muitos mais - como o do Winnie The Pooh, os da Anita com autocolantes, as colectâneas de contos, os do Harry Potter, os do Clube das Amigas, os variados romances de faca e alguidar por que me perdi e com que me iludi, os de crónicas, o José Luís Peixoto, o Saramago... Enumerei apenas alguns, pois foram os que mais me marcaram, aqueles de que me recordo mais vividamente e que acabam por representar fases distintas da minha (ainda curtíssima) vida.
Arrisco afirmar que os livros são os meus objectos (ou serão somente meio objectos, meio seres com vida própria?) preferidos neste mundo. Acho que não conseguiria viver equilibradamente sem lhes sentir as páginas entre os dedos, sem lhes ver as letras, palavras, histórias que se materializam sem quê nem porquê, sem lhes pedirmos directamente. Cresci rodeada de livros, emocionalmente ligada aos livros. Em minha casa, não existem estantes suficientes para tanto livro, há mais pó no ar por causa dessa enorme quantidade de livros, há livros sobre tudo e mais alguma coisa, de autores de inúmeras origens e épocas, desde as mais remotas às mais recentes.
Quando vou a um centro comercial, é às livrarias que me dirijo primeiro; perco-me em bibliotecas; surripio livros às minhas amigas sempre que vou a casa delas.
Portanto, não foi surpresa nenhuma eu ter anunciado, há uns anos, que não, não queria ser veterinária, nem bióloga, nem actriz: eu queria (e quero, muito, muito!) escrever ou, pelo menos, estar para sempre e sempre vinculada às letras.
Um dia, também eu quero ter um livro com o meu nome na capa e fazer companhia a desconhecidos que me hão-de conhecer anonimamente. Quero contar as minhas histórias, porventura sobre as histórias que me foram sido contadas, a par das que me aconteceram ou vi acontecerem. Quero ter mais livros, não só meus de posse, como igualmente de autoria.

Ele já está quase a acabar, mas desejo-vos um feliz dia do livro. E que os próximos 365 dias continuem a sê-lo: felizes... e acompanhados de livros!

(Spam&parvoíce: livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros. Vamos ser miguxos foreva. Amo-vos muito, coisas fofas.)

Estou perdida

Não gosto de reality shows, não gosto de futebol, não gosto de passadeiras vermelhas, não gosto da música que, hoje em dia, se considera pop, não percebo nada de moda, não sou popular, também não sou nenhuma oprimida-excluída, não possuo uma beleza rara, não sou lamechas, não tenho do que me queixar no campo emocional, não digo nem escrevo muitas asneiras, estou-me pouco lixando para o acordo ortográfico, ainda ando na secundária, não leio muita literatura "light" e muito menos da pesadona, não escrevo eruditamente, ...

Arre, o que ando eu a fazer na blogosfera...??!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A blogosfera tells us how it is: o movimento do swag

Recomendo:


SWAG: Stupid Whores and Alien Gonods

Já viram o Big Brother?

Eu não. Estive a dormir desde as 19h30 até agora, com uma dor de cabeça de caixão à cova (cortesia do senhor meu Vocês-Sabem-o-Nome-Dele) e perdi o primeiro episódio, totalmente. Que triste que eu estou. Claro que, se eu tivesse estado acordada, teria mas é acabado o trabalho de Filosofia, qual Big Brother, qual carapuça, logo eu que tenho uma vida (de estudante... belhac) tão ocupada...! Ainda estou para perceber qual é o interesse que move meia dúzia de gerações de uma vez a assistir aos reality shows de quarta categoria (terceira parece-me um eufemismo) da TVI, mas, verdade das verdadinhas, quem é a miúda que admite gostar de ver Jersey Shore para julgar tais pessoas? Pelo menos, elas ainda vêem o que é nacional! Parvalhona...

domingo, 21 de abril de 2013

Sobre o atentado bombista de Boston

Ainda não me tinha pronunciado sobre o assunto e, na verdade, a minha opinião não vai muito além das que toda a gente partilha: morreram pessoas inocentes, traumatizaram-se outras tantas que assim hão-de viver o resto das suas vidas, assustou-se um mundo inteiro e, afinal, para quê? Qual era o objectivo dos dois irmãos - o mais velho de vinte seis anos, jogador amador de boxe, em vias de representar os EUA nos Jogos Olímpicos, e o mais novo de dezanove, estudante de Medicina em Dartmouth? O que é que leva dois indivíduos devidamente legalizados no seu país de acolhimento, inclusivé bastante bem-sucedidos e acolhidos na comunidade, a cometer uma atrocidade deste tipo? Deste modo se chega à conclusão que deverão ser tomadas medidas de protecção e contra o extremismo islâmico; há que controlar, apesar da liberdade religiosa vigente, os indivíduos suspeitos da sua prática. À custa desta religião cujos princípios me parecem terrivelmente adulterados, já aconteceram desastres semelhantes em todo o mundo e acenderam-se guerras sangrentas e desnecessárias. Tenho (temos!) muitas perguntas e poucas respostas.

(E, agora, à laia do sarcasmo costumeiro - não me levem a mal - que tal arranjarem uns quantos pares de irmãos destes que não se importem de se deslocar a São Bento ou a Belém, hein? Alojamento e deslocação pagas pelo contribuinte e tudo!)

sábado, 20 de abril de 2013

Drama queen

O que a minha avó pensa que eu estou a fazer em casa do Ricardo, sem a avisar, antes do ensaio de teatro:
- bebés (ou a treinar, pelo menos);
- se calhar, a ser violada;
- a ser desprezada e espezinhada pelos meus "sogrinhos", que me odeeeeeiam como tudo, 'tão a ver?.

O que eu estou realmente a fazer:
- a procurar uns calções e uma t-shirt que já não sirvam ao rapaz e que ele me possa emprestar para eu fazer de miúdo no teatro;
- a cuscar-lhe o Facebook.

Logo a mim, que tenho sorte no amor e azar ao jogo...



Acabo de ganhar um bilhete para ir ver a Aurea a Tróia, na na na na na na! =)
(Como já vos devo ter contado, sou uma fã acérrima da menina acima mencionada, pelo que estou aqui aos pulinhos na cadeira e já dei a boa nova aos sete ventos...)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Rick's stuff #8


Pronto! Eu sabia que era sorte a mais... O meu amor é homossexual! As provas estavam ali mesmo, debaixo do meu nariz, mas eu ignorei-as e, agora, aqui está simplificado o que eu já desconfiava. Giro (e fofinho, ainda por cima!), inteligente e simpático???! O 9gag diz que o Ricardo só pode ser gay! 

...

GAYS SÃO ELES! PARVOS! Temos pena se não conhecem rapazes/homens decentes!
(xisdê)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Crónica sobre o meu rabo

Caros amigos, quero confessar-vos uma coisa: o meu rabo é estúpido. (E o que é que vocês têm que ver com isso?? Nada. Nadinha mesmo. Mas apetece-me escrever sobre o assunto.) Enquanto as minhas ancas enchem um par de calças 38, o belo do dito cujo, o senhor meu rabo, contenta-se com um 34. Dommage! Sou mesmo anormal. O meu mais-que-tudo subscreve: que belas ancas eu tenho, mas que nádegas tão insuficientes me calharam, em comparação às primeiras! Consta que as leggings disfarçam esta disparidade físico-volumétrica, só que... já me chegam as pernas esqueléticas, o peito de tábua de engomar, e ainda tenho de gramar com este rabo à moda da África Subsariana, como se eu não comesse as quantidades industriais de pão e a comidinha da avó que como??? Oh,senhores! O Ricardo diz que isto vai com exercício, ele diz que até nem importa, que gosta assim e, se tivesse que ser, gostaria assado, mas o meu maior drama, aquele que mais me assombra, é não conseguir comprar Aquele par de calças, que me assentará que nem uma luva, da cintura aos tornozelos. A única vantagem que vejo nestas minhas desproporcionadas formas é ter menor probabilidade de ser afectada pela p*ta da celul***, pelo menos a médio prazo. Pode ser que, daqui a quinze anos, o meu rabo atinja a dimensão ideal.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

"Ranho", um poema quase horizontal

Ranho. Substância consubstanciada nas minhas vias respiratórias, no meu nariz - entupido - e a respiração a falhar-me, a boca que arfa, sem fôlego. Resfolego.
Enfim, suspiro. Quem me dera um espirro, mas isto é só obstrução. Uma danação!
Alergia, constipação, insolação.
É ranho, é ranho, é ranho, senhores!
É ranho que eu tenho!

Real opinião sobre a realeza de Espanha

Então, aqui vai disto: não gosto de ninguém da família real espanhola. Enfim, talvez até ache fofos alguns dos miúdos... e não desgosto da rainha Sofia e da infanta Elena, que me parecem mais ou menos inocentes e simpáticas, mas é só. O rei Juan Carlos vai caçar elefantes para África com a sua amásia loira e abotoxada (princesa alemã), o genro Iñaki mete-se em corruptas alhadas (patrocinadas pelo próprio sogro, aposto!), a infanta Cristina envolvida, idém, aspas, aspas, o príncipe Felipe é um panhonhas que não tem mão em nada (incluindo naquela sua barba, c'horror!!), a Leticia gosta de andar na moda e de vestir as melhores marcas à custa do povinho e de andar de evento em evento do social, nem sempre acompanhando o marido nos seus deveres - ainda assim, desculpo-lhe as polémicas do divórcio e do aborto, porque, afinal, ela nem sempre foi princesa - e, no meio disto tudo, nada se resolve no país vizinho, que não tarda está pior do que nós, se é que tal seja possível.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Inteligência rara

Ontem, mal vi um bocadinho de sol (pronto, era bem mais do que um mero bocadinho!), despi o pijama (quente, quase sufocante), vesti o biquíni e fui para o jardim apanhar sol e ler; estava uma brasa (o dia, não eu), mas soprava um ventinho mesmo irritante. Hoje, estou com uma pseudo-insolação/constipação. Como poderão aferir, as minhas ideias costumam ser geniais.

Moral da história: não fiquem demasiado eufóricos, mal a temperatura suba ligeiramente. Pode acabar em ranho... e ninguém gosta de ranho. Belhac.

Ei, mas pelo menos sou uma ranhosa - digamos que - bronzeada, capiche?

Absolument terminé!

Daqui a menos de um mês, tenho um exame de Francês de nível B2, o quarto nível a contar do mais simples, o terceiro a contar do mais difícil. Em jogo, está mais um ano de bolsa de estudo na Alliance Française e, consequentemente, todo o meu empenho nos últimos três anos em que tenho estudado Francês a sério. Sei que sou uma perfeccionista e que poderei estar a massacrar-me sem necessidade, mas desta vez estou mesmo à rasca, em bom português. O nível B2 é dificílimo e até a minha professora me diz que eu tenho de melhorar certos aspectos. Não tenho muita prática a argumentar oralmente, descobri, ainda por cima, que as minhas bases nesta língua eram nulas, e ando atolada de trabalho (teatro, escola, Forum Estudante, mais o Francês,  claro... e escola, e mais escola, e mais ESCOLA! ...) até ao mais ínfimo nervo do meu corpo. Toda eu sou uma pilha de tarefas por fazer, terminar ou começar, acrescida a fraca capacidade que tenho de me concentrar para o trabalho durante mais de hora e meia seguida, que tem sempre de ser equilibrada com outra hora e meia a fazer whatever I desire... Portanto, aqui fica registado para a posteridade (e motivando-me mais um bocado), o meu niveau débutant da Grammaire Progressive du Français acabadinho de fazer, como prova de que, pelo menos, eu tentei. Amanhã (ou hoje, que já passa da meia-noite), começo já o niveau intermédiaire, que é para ver o que é bom para as dores! Arre, que tenho de ir dormir!

domingo, 14 de abril de 2013

Dos outros #23

"A nossa tristeza é mais sombria do que dolorosa, mais de mágoa do que de sofrimento, de sonho do que de realidade: não é lancinante, é aconchegante.
   Sofremos porque temos pena de nós próprios. Gostamos de imaginar-nos os seres mais incompreendidos, mais infelizes do mundo. «A minha vida dava», garante toda a gente, «um romance!»
  Rebolamo-nos de gozo com a imensíssima desgraça que nos eleva aos altares das mais incríveis megalomanias. Adoramos sentir-nos mártires, Cristos supliciados em Gólgotas de santidade, protagonistas de paixões desmesuradas - maneira de compensarmos a apagada e vil tristeza que nos sepulta. A tristeza é «o não contentarmo-nos de contentes», verseja Camões."

Fernando Dacosta, Máscaras de Salazar

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Badalhoquices

Não entendo a aversão da generalidade das pessoas à palavra "badalhoco". Dizem que é feia, ordinária, sem classe. Pessoalmente, nunca a achei nada disso. Pelo contrário, encontro-lhe uma faceta muito sua, as sílabas provocadoras, sonantes - ba-da-lho-co... É-lhe característico (ou sou eu que imagino) um sentido de humor mordaz e versátil, que não tem de ser obrigatoriamente associado à promiscuidade, podendo ser, antes, empregue ao serviço da boa disposição e do sarcasmo ocasional. Digo eu, verbalmente badalhoca...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Esclarecimentos que não foram pedidos, mas que eu dispenso na mesma

Nunca fui muito de pedir às pessoas para gostarem/pôrem like/partilharem o que quer que seja da minha propriedade virtual. Talvez tenha pedido uma ou duas vezes, mas acabei por desistir, porque isso é parvo. Se utilizarmos este blogue e a sua respectiva página de Facebook como exemplo, limito-me a divulgá-los, sem forçar ninguém (não lhes sucessivas mensagens desesperadas), fazer chantagem emocional ("meti like no teu A, metes like no meu B?") ou trocas ("tu fazes X para mim, eu faço X para ti"). Se as pessoas apreciarem realmente o que lhes tenho para dar, elas lá me hão-de ajudar a divulgá-lo. Não vejo que sejam necessárias medidas de coacção adicionais... Deste modo, peço-vos encarecidamente que parem de me maçar a cabeça com o já célebre "fazes-me um favor?", porque assim é que eu não faço mesmo, ok? No máximo dos máximos, basta enviarem-me a hiperligação numa mensagem privada, tudo direitinho, com uma possível e breve explicação do que se trata e, se eu não vos responder no prazo de 12 horas, não insistam. Esqueçam a cena. A sério...

Para que não percam o vosso tempo comigo, aqui vai uma lista de alguns dos conteúdos pelos quais eu não nutro um rabinho de simpatia, escusando vossemecês de mas publicitarem:

  1. Vlogs que não interessam nem ao menino Jesus;
  2. Qualquer página/site/blogue/pilinha que envolva frases ditas "filosóficas";
  3. Qualquer página/site/blogue/pilinha que envolva jovens pertencentes ao movimento do swag, do yolo, bonés da Obey, da Monster, do raio que lhes valha, entre outros;
  4. Qualquer página/site/blogue/pilinha que envolva materiais retirados de outros sítios na Internet e que sejam reblogados porque sim, porque é fixe!;
  5. Tumblrs.
É tudo, obrigada pela vossa atenção.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sobre o novo despacho das Finanças (ou "o princípio do fim do ensino universitário")

Pois bem, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, assinou um despacho que vai cortar as despesas no ensino universitário, ou seja, como é sintetizado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos,  "Fica suspensa a concretização de projectos cofinanciados por fundos europeus, o fornecimento de refeições aos estudantes, a limpeza e higiene, a reparação e conservação de edifícios e equipamentos, o funcionamento de aulas laboratoriais e oficinais, entre outras".
Agora, digo eu, não tarda, mais valerá encerrar todas essas faculdades, cujos projectos e investigações ficarão paralisados, devido à falta de materiais e condições de trabalho, de uma vez por todas. Caso sua eminência, Sô-dotor Vítor Gaspar, não saiba, os cursos de cariz prático, como são a maioria dos de ciências experimentais, necessitam disso mesmo - de experiência. Eu sei que o fofuxo tirou Economia, mas não me venha dizer que, lá quando o rei fazia anos, não precisava de uns quadros e de uns acetatozinhos para levar a cabo a realização de muitos dos seus trabalhos...! E a comida? Alguma vez se viu alguém dar vida ao miolo sem uma boa duma refeição, ou várias até? Eu também sei que andou na Católica, onde não deve haver paredes a cair, mas já viu o problema que era um aluno do público levar com um pedaço de estuque em cima? Ah pois, nem me venham com coisas.
O que me vale (mais ou menos) é estar na área das Humanidades - com prosseguimento, em Setembro, para Línguas, Literaturas e Culturas na FLUL (i hope so!) - e só precisar de um computador com Internet e uma biblioteca para me safar, sendo que desses já cá eu tenho em casa (refeições a cada vinte minutos, infraestrutura firme) com fartura.

A notícia séria, aqui.

Irmandades e coisas que tais

Supostamente, hoje é o dia dos irmãos (a Wikipédia diz que é a 5 de Setembro, mas eu faço de conta que não vi nada). Bem... eu sou filha única. Com três cães, dois gatos e uma tartaruga, mas, ainda assim, filha humana única. Mimadinha até ao tutano, criada pela avó, não conheço outra realidade. No entanto, como tenho alguns bons amigos, as minhas felicitações neste dia vão para eles. Vocês são uns bacanos! (Só muuuuuuuito de vez em quando.)


Será que também há um dia dos filhos únicos??

terça-feira, 9 de abril de 2013

E ler no comboio, senhores? Ai, jasus...

Eu faço parte daquele tipo de pessoas que são capazes de deixar passar a estação de comboio de chegada porque estão demasiado embrenhadas no seu livrinho - companheiro inseparável de viagem - para se darem conta da existência do resto do mundo. Há pessoas que adormecem, há pessoas que lêem e perdem a noção da vida. Já me estou a imaginar, um dia destes, ter de ligar à minha avó... "Ah e tal, desculpa, mas já estou no Rabinho de Judas, pois foi, sou uma distraída, estava aqui entretida com o Saramago (nada de pensarem o que estavam a pensar, seus badalhocos!) e coiso, podes esperar que eu apanhe o próximo comboio?". É, não subestimem a capacidade de abstracção de um leitor, meus amigos! Um dia, ainda vos calha a vocês.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Eu quero, eu quero, eu quero!


Impossível perder, impossível não gostar, impossível ficar indiferente: é a Feira do Livro. Só faltam seis semanas! Infelizmente, não é que vá para comprar, porque de bolsos fundos está Portugal vazio - eu incluída - mas sim para observar o ambiente de pura alegria dos que o (ainda) podem fazer, deleitar-me com o sol pré-Verão num dos parques mais bonitos e arejados de Lisboa, com a sua transformação, com as multidões, com os livros novos em que posso esfronhar o nariz e inspirar o seu aroma pueril de papel não desbravado, para caçar uns quantos autógrafos (próxima vítima: José Luís Peixoto), para passear... Enfim, uma pessoa até se contenta com pouco.

Do amor inquantificável

Texto escrito a 4 de Abril de 2013, quinta-feira...

Hoje, surgiu-me uma questão: até que ponto é que sabemos quantificar o que sentimos pelos outros? Eu acho que isso é, simplesmente, impossível. Acho que os sentimentos (e, em geral, as emoções), sendo algo imaterial, são inquantificáveis. É impensável, numa relação interpessoal, dizer quem gosta mais de quem. Haverá sempre maneiras diferentes de expressar o mesmo sentimento. Não podemos afirmar que amamos alguém a nível 20 e saber se a outra parte nos ama a nível 18, 19 ou 21. Podemos - e devemos - somente tentar demonstrá-lo através das nossas acções e comportamentos. Afinal, ninguém é igual a ninguém. Uns são mais dados ao afecto e/ou à explicitação verbal dos seus sentimentos; outros retraem-se mais. Mas a personalidade mais ou menos extrovertida de cada um não interferirá, em princípio, na intensidade do que sente.

domingo, 7 de abril de 2013

Aos procrastinadores

I find it hard to talk about myself. I’m always tripped up by the eternal who am I? paradox. Sure, no one knows as much pure data about me as me. But when I talk about myself, all sorts of other factors – values, standards, my own limitations as an observer – make me, the narrator, select and eliminate things about me, the narratee. I’ve always been disturbed by the thought that I’m not painting a very objective picture of myself.

Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart



Sou, sem dúvida alguma, uma daquelas pessoas que gosta de falar sobre si própria. Espero que não me interpretem como egocêntrica, egoísta ou arrogante. Afinal, toda a gente que goste minimamente de uma pessoa também gosta de falar sobre ela. Pois, e eu gosto de falar sobre mim (ou de escrever sobre mim, neste caso). Por isso é que tenho um blogue: para escrever sobre mim, sobre o que me rodeia, sobre as pessoas de quem eu gosto, e para dar a minha opinião. É mais ou menos isso.
Deste modo, prossigamos.

Quem sou eu?
Acho que tenho uma profunda falta de tacto para me descrever, sarcasmos à parte. Poderei contar-vos, em primeiro lugar, que possuo uma mente extremamente curiosa e crítica. Sou uma perfeccionista maluca, quase paranóica, principalmente comigo própria. Isto costuma acontecer a muito boa gente, pelo que não há aqui nada de anormal. Nem os meus genes asiáticos (50%), de diversas origens geográficas, me doaram inteligência asiática suficiente para compensar os meus genes portugueses (os outros 50%) que me acabaram por me caracterizar com a preguiça portuguesa. Mas, esquecendo os ditos estereótipos, sou uma boa rapariga. Pelo menos, é o que a minha avó me diz e eu acredito, porque me convém – e começa o sarcasmo!

Já lá vão dezoito anos e meio desde que os meus pais me conceberam, meço 1,69 cm (riam-se lá do número, vá), peso 46,5kg e o meu Índice de Massa Corporal é 18 ou 19.

O meu sonho de criança é ser escritora. O meu sonho adulto é não deixar de ter o meu sonho de criança, mesmo que conjugado com um emprego de gente crescida (professora, editora, tradutora, jornalista, caixa num supermercado…).

Gosto de viver um dia de cada vez, a pensar num futuro a médio prazo, mas a aproveitar o presente e a tentar ter o maior número de experiências possível.

Se o meu país me deixar (que é como quem diz se me derem uma bolsa de estudo), vou para a universidade em Setembro!!!

Gosto de ler e de escrever, de ouvir música, de cantar e, quando calha, de tocar guitarra. Recentemente, descobri que gosto de cozinhar – coisas que vêm com o aproximar da idade adulta, enfim. Não sou diferente das outras pessoas ao ponto de preferir o Inverno ao Verão, mas escolho a Primavera e o Outono como minhas estações de eleição.
Literariamente falando, não tenho nenhum escritor favorito. Recentemente, descobri Bocage, Pessoa e Saramago e, até agora, temo-nos dado todos que nem uma maravilha.
Não tenho nenhum piercing, nem tatuagem, nem fetiche estranho com pés ou outras partes desagradáveis do corpo humano. Só pinto as unhas de cores berrantes. Quando tenho tempo e paciência, maquilho-me… fracamente.

Escrevo recorrentemente sobre as pessoas da minha vida: a minha família, os meus amigos e o meu namorado.

Prazer em conhecer-te. Já te disse que me chamo Beatriz? :)

Queridos, saí na revista!


Olá, bom dia, caros procrastinadores por esse mundo fora!

Quero partilhar convosco a nova vitória deste blogue e, consequentemente, como não poderia deixar de ser, uma igual vitória para mim também. Hoje, figuro em destaque no artigo "Adolescentes sem papas na língua" da revista Domingo (suplemento do Correio da Manhã), tal como outros jovens que continuam a intervir e a dar a sua opinião na blogosfera e nas redes sociais. Este artigo foi escrito pela jornalista Marta Martins Silva, a quem não poderia deixar de agradecer, e as fotos são da autoria do Bruno Colaço.

Esta foi uma inegável oportunidade para a divulgação do blogue e, claro, de reconhecimento. Esta tornou-se mais um desses eventos pontuais na juventude de alguém que lhe permite sentir uma motivação inexplicável para as adversidades que se lhe poderão apresentar no futuro - falo por mim.

Todas as reproduções do que disse e escrevi estão fiéis ao original e, como nem é assim tão habitual nos meios de comunicação, os jovens são elevados a um estatuto digno de futuros cidadãos do seu país. Afinal, ainda existem alguns que se preocupam, que têm opinião e que, apesar das "futilidades" inerentes à sua faixa etária, estão conscientes do que se passa na comunidade a que pertencem, tentando marcar uma pequena diferença, a sua diferença.

Portanto, agradeço, como já referi, o reconhecimento e a oportunidade de mostrar o que valho, pelo menos enquanto autora deste blogue. No momento em que fui contactada para ser entrevistada, não esperei que a minha intervenção tomasse esta dimensão na revista - nem nesse momento nem até ver pelos meus próprios olhos!

Obrigada à Marta Martins Silva, ao Bruno Colaço, aos procrastinadores que não se importam de o ser e a todas as outras pessoas que me servem de inspiração e que me motivam - a minha família, aos meus amigos, ao Ricardo.

Bom fim-de-semana!


***

Aqui fica o índice e o artigo, que também poderão ver e descarregar na página de Facebook do blogue. Já agora... eu sou a miúda do cachecol verde: Beatriz, a procrastinadora.






NOTA: eu sei que, se calhar, estou a festejar de uma maneira muito efusiva, mas dêem-me um desconto, que isto já me passa! :)

sábado, 6 de abril de 2013

Também tenho um amigo que demora duas vidas a arranjar-se, por isso não digam que são só as mulheres!


A propósito, nós não vamos à casa-de-banho juntas para ficarmos no mesmo cubículo a ver a outra fazer chichi; nós vamos à casa-de-banho juntas para podermos ir falando umas com as outras, cada uma de seu lado da porta, ok? E eu só tenho UM par de botins de salto alto que só usei uma vez, encontrando-se o resto dos meus sapatos em vias de irem para o lixo, tal é o uso, ou, pelo menos, em estado de contínua degradação. E nós, mulheres ou seres que ascenderão a tal num dia destes, precisamos de malas porque, ao contrário dos homens, usamos calças justas ou saias, ficando feio se se vir ali um telemóvel ou uma carteira a emergirem dos bolsos (ou a pedirem para serem "resgatados" por mãos alheias, além de que nos magoam as pernas); aproveitamos a fundura de algumas malas para despejar, por conveniência, aquilo que os homens não têm nos seus bolsos e hão-de precisar, eventualmente (lenços de papel, por exemplo). Quanto à demora e à picuinhice nas lojas, existem patologias e Patologias, sendo que, pessoalmente, tenho de argumentar que nem todos os seres humanos têm um corpo relativamente quadrado, tendo em vez disso curvas em tudo quanto é sítio, ou falta delas (factor pouco atractivo) pelo que é preciso saber escondê-las meticulosamente ou, pelo contrário, saber exagerá-las, daí os nossos dilemas no que toca a comprar nem que seja uma única peça de roupa. Quanto à síndrome da Primark, juntem o ponto anterior ao facto de nos encontrarmos numa das catedrais comerciais com preços mais baixos, não só em roupa, como igualmente em lingerie, malas, acessórios, maquilhagem, etc, etc.

Mais alguma coisa?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Beatriz ♥ Saramago

Memorial do ConventoDas pessoas que conheço, sou uma das excepções que adorou ler o Memorial do Convento. Para mim, foi a oportunidade de conhecer, finalmente, a escrita de Saramago, que tanto via defendida na minha família, mas que eu teimava em adiar para quando tivesse mais maturidade. Tenho dois livros autografados (As Pequenas Memórias, que já estou a terminar, e ainda outro, de que não recordo o nome, sendo o meu pai que o tem), mais uns quantos que fui adquirindo, esperando, um dia, ser capaz de valorizar tais obras. Portanto, foi a partir do Memorial que descobri Saramago e passei a adorá-lo. Desde a construção frásica, tão sui generis, até à narrativa das peripécias das personagens, passando pela caracterização destas últimas, o simbolismo inerente a tudo e a nada, a forma de criticar, tão subtilmente, a sociedade do século XVIII, fizeram-me render totalmente. Apesar de nenhum leitor, em princípio, se conseguir relacionar directamente com os protagonistas, Blimunda e Baltasar, é quase impossível não nos sentirmos atraídos pelo seu bom coração e pelo amor que nutrem um pelo outro. É impossível não nos rirmos de D. João V e da sua corte, não torcermos pelo padre Bartolomeu Lourenço, não simpatizarmos com o "Escarlate" e não termos pena da Infanta Maria Bárbara. Sumariamente, foi impossível não me crescer intensa e abruptamente uma vontade incontrolável de continuar a desbravar a bibliografia de Saramago.

OLH'Á NOTÍCIAAA FRESQUINHA!

Aconselho-vos a comprarem o Correio da Manhã este Domingo, revista-suplemento incluída (principalmente esta última!!!). Se não o comprarem, também não faz mal, porque, inevitavelmente, eu acabarei por revelar-vos a surpresa.

Este blogue está a ganhar algumas asas. E mais não digo!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A emancipação dos Jonas Brothers


"Baby, put your pom poms down for me"? Quem canta este refrão são os mesmos três irmãos que, ainda há um par de anos, exibiam os seus anéis da castidade, virgens que só eles (com alguma sorte, virgens do nariz!), que defendiam a espera pelo casamento até deixarem de o ser. Bem... aqui fica mais uma prova da emancipação sexual dos Jonas Brothers, a seguir, por exemplo, ao penúltimo videoclipe do Joe. É que já não era sem tempo! E, deixemo-nos de tretas, agora sim, eles atingiram o sex appeal desejável. Reapareceram com muito mais carisma e confiança, uma imagem mais adulta e... eu gosto. Gosto sim! A música fica no ouvido, não é a minha preferida mas, mantendo-se na mesma onda musical que a de sempre, torna-se muito mais interessante com uma letra cujo significado vem quebrar o gelo da "ingenuidade" presente nos álbuns anteriores.

Acaba-se a vinculação à Disney, surge a oportunidade de crescerem enquanto artistas. O caminho que foi percorrido pela Britney, pela Miley Cyrus e tantos outros artistas é, agora, iniciado pelos Jonas Brothers. Mantendo a "decência" que lhes é característica, revelam, por fim, o seu amadurecimento. Previsivelmente, libertaram-se da ideia de "sonsos", o que viria a acontecer, mais cedo ou mais tarde. Já nem as fãs são miudinhas pré-púberes facilmente iludidas por músicas sobre amor eterno e verdadeiro, sobre rapazes perfeitos. Elas cresceram e querem mas é ouvir e ver qualquer coisa comercial e cativante, que dê no olho (ei, e porque não haveria eu de estar a falar a partir de uma perspectiva pessoal?).

Polémicas

O Relvas decidiu apresentar oficialmente a sua demissão do Governo num dia em que o Benfica joga. A isto se chama "saber desviar as atenções like a boss".

quarta-feira, 3 de abril de 2013

3 de Abril é o Dia da Inês

No dia 3 de Abril de 2001 almocei esparguete. Não me perguntem o que comi mais, porque não me lembro de mais nada, apenas desse pormenor. Eu estava nervosa, de um modo infantil, mas estava, sentia aqueles tão aclichézados apertos no estômago e dividia-me entre querer ficar e querer ir - querer ficar em casa ou ir para a escola.
Eu nunca tinha ido para a escola. A maioria das crianças passa pela creche ou pelo jardim-de-infância, mas eu só o tinha experimentado uma vez, aos três anos, e não correra nada bem (miúdos mais velhos barulhentos, babados, sujos, irritantes, aqueles demónios que me encurralavam dentro de uma lagarta de plástico que lá havia, educadoras desatentas, bichos que me morderam toda), pelo que, aos cinco, não sabia bem o que esperar. Felizmente, foi sofrimento de pouca dura.
Mas, como ia eu contando, foi nesse dia, 3 de Abril de 2001, que eu comecei a conhecer o mundo além da casa da minha avó. Foi um dia duro, emocionalmente, e recordo-me de bastantes detalhes, como se os tivesse vivido ontem. Fui obrigada a perceber os outros miúdos, a entender as suas brincadeiras e conversas e, como havia de acontecer regularmente durante os anos que se seguiram, a ser rejeitada dessas mesmas brincadeiras e conversas que eu não percebia totalmente.
Entretanto, já passaram doze anos. Doze anos! Uma década vírgula dois. E, desse dia 3 de Abril, ficou-me algo ainda mais simbólico do que o primeiro dia no colégio que frequentei durante mais de metade da minha vida: conheci a Inês.

Bem… Conheci a Inês e conheci o Miguel, os meus mais fiéis compinchas de infância. Brincávamos com as Barbies, eles concertavam as minhas quando eu as descabeçava ou desmembrava (acontecia mais vezes do que o desejável), brincávamos aos Pokemons, às mães e aos pais, eu gritava com eles porque não os via seguir a minha story line da brincadeira (já nessa altura eu era um bocadinho mandona e tinha a mania de fazer histórias só minhas), eram a Inês e o Miguel que eu nomeava primeiro se me calhava fazer a chamada para o almoço e para a casa-de-banho…
Só que crescemos os três, o Miguel mudou de escola, e só fiquei eu e a Inês. E, acreditemos ou não, já lá vão doze anos desde que me convidou para brincar com ela (e o Miguel, claro), já que os outros meninos não gostavam de mim - nem do pobre Miguel, porque éramos ambos muito gorduchinhos e aluados nas nossas brincadeiras. A Inês também era gorducha, tinha uns olhos muito grandes e claros e, acima de tudo, aceitou-me como eu era, assim meia totó. Ainda que outros gostassem dela, a Inês gostava mais de nós.
Assim, quero falar-vos da Inês, de todas a melhor amiga que alguém poderia pedir. Não se importa que eu fale sobre mim, que me queixe, que me lamente, que lhe filosofe sobre a minha vidinha, que festeje, atire os foguetes e apanhe as canas, que lhe mande uma mensagem – ou até mil, se for necessário -  porque ela há-de me responder, mais cedo ou mais tarde, nada disto interessando quando, onde ou com que estado de espírito nos encontramos.
Ela é a parte altruísta da nossa amizade, enquanto eu sou a mais egocêntrica. Ela gosta mais de ouvir, eu gosto mais de divagar. Ela é mais ou menos tímida, eu sou mais ou menos amalucada. Ela tem paciência, eu sou impaciente.
A Inês e eu nunca discutimos. Só estivemos mal uma vez, e com toda a razão (mas isso é história, não valendo a pena remexer na caquinha). Durante o período escolar, vemo-nos, com alguma sorte, uma vez a cada dois meses (chegando a ficar juntas quase uma semana seguida nas férias), não falamos todos os santos dias, mas sabemos que estamos à distância de um telefonema, de uma mensagem ou de uma estação de comboio. Frequentarmos escolas diferentes desde o 7º ano e relacionarmo-nos com pessoas diferentes só nos ajudou, julgo eu, a confirmar o quão inseparáveis somos, não fisicamente, “apenas” de espírito.
Inevitavelmente, a Inês faz parte do meu quotidiano. Está presente nas minhas acções e nas decisões que tomo (como é que a Inês reagiria/pensaria/faria?), nos meus hobbies (se não fosse a Inês a incentivar-me, talvez eu já tivesse largado a guitarra e teria deixado de cantar; se a Inês não tivesse dito, certa vez, “leio  teu blogue sempre que posso”, eu não o teria chegado a levar a sério) e, principalmente, na minha personalidade (se a Inês não me tivesse incentivado a libertar-me e a mostrar, ao pé dela, quem realmente eu queria ser para o resto do mundo, talvez eu ainda não conhecesse a sensação do que é orgulhar-me de mim mesma e de ser aceite por outras pessoas sem desatar a voltar para a minha conchinha, cheia de medo da rejeição).

A Inês é a irmã que os meus pais não me quiseram dar, a voz da razão quando ela me falta, os conselhos sensatos que me livraram, livram e livrarão de caminhos menos aconselháveis, a amiga que quase ninguém chega a encontrar para si (coitadinhos), a que se cala e dá um passo atrás para que eu tenha os meus momentos, o exemplo de como as unhas roídas são horríveis nos dedos de uma rapariga (pronto, isto tinha de descambar!)... a Inês é uma data de pessoas e coisas sem nome! A Inês é a Inês e só a Inês poderá ser a minha Inês enquanto ambas formos vivas.
Se, aos cinco anos, a Inês não fosse da Sala Amarela, se não gostasse de Barbies ou não me tivesse perguntado se eu queria brincar, esta Beatriz não seria eu; existiria somente uma outra Beatriz que, para mim e para todos, permanecerá eternamente incógnita… felizmente!



Espero que, quem quer que nos tornemos no futuro, a nossa amizade dure e perdure, rija que só ela, bonita que só ela, tão ela que só ela.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

E ainda digo eu que não sei desenhar!

A filha dos meus vizinhos, o primo dela e um porquinho, a brincarem numa pradaria num radioso dia de sol.

Temos artista! Não tarda nada, estou a expor no Palácio de Versalhes, como a Joana Vasconcelos!