sábado, 27 de abril de 2013

Emprego ou não, eis a questão!

A minha família não me deixa trabalhar, uma vez que o meu único trabalho deve ser estudar, e querem que eu o faça sendo a minha prioridade.
Talvez nas férias, diz a minha avó. Não, não, diz o meu pai, deves é aproveitar estes meses, esta altura, enquanto podes, ir para a universidade sem outras preocupações, porque nós não sabemos o dia de amanhã, nem como estará o país daqui a uns meses...
Está bem, eu entendo. E é sobre isto que vos quero escrever.
Enquanto estudantes sem nenhuma especialização (falo, pelo menos, em nome dos que enveredaram pelo ensino regular não profissionalizante, tal como eu), porventura ainda no ensino secundário ou nos primeiros anos de faculdade, os empregos que poderemos, possivelmente, arranjar, no campo dos part-times, é andar a virar hambúrgueres ou frangos, sermos vendedores por telefone, darmos explicações, caso tenhamos, sequer, habilitações e credibilidade para tal ou (tentar) vender cosméticos por catálogo (mais no caso das raparigas). Principalmente nos dois primeiros, somos mais do que explorados. Recebemos uma miséria, já temos de descontar para os impostos, graças aos novos procedimentos e controlos fiscais por parte do Estado e, no fim, sobra-nos quanto dinheiro…? 100 euros por mês? 150? E com alguma sorte! Por uma média de 88 horas de trabalho mensal (contando que se trabalham 4 horas todos os 22 dias úteis), isso é uma ninharia, fora o transporte, a alimentação e outros descontos que possamos ter no ordenado.
Eu quero muito trabalhar, uma vez que mal tenho dinheiro para pagar a faculdade que começa já em Setembro, mas não sei se valerá a pena. Além de, por agora, não me deixarem arranjar nada, apesar de já ter sido chamada para duas entrevistas, talvez tenham razão quando argumentam que desperdiçarei tempo quase desnecessariamente, tempo esse que posso utilizar a estudar, a escrever (porventura, concorrendo a alguns concursos literários em que poderei arrecadar dinheiro livre de impostos, se ganhar algum prémio), a namorar e a estar com os amigos... Enfim, a divertir-me enquanto estou na idade de o fazer com maior liberdade. Há todo um conjunto de prós e contras que tem de ser pesado.
Arranjar um emprego poderia trazer-me a experiência profissional que ainda mal tenho, poderia dar um jeito ao meu CV, dar-me uma primeira perspectiva do que é realmente o mercado do trabalho e permitir-me amealhar algum dinheiro para as propinas da faculdade. Por outro lado, estaria a perder horas de estudo e de descanso, teria que deixar as aulas da Alliance Française em suspenso, nem que fosse temporariamente, não conseguiria ter nenhuma disponibilidade para escrever nem ler… Percebem o meu dilema?
Portanto, deste modo, decidi-me apenas a inscrever para monitora das actividades de Verão da freguesia onde estudo. Em princípio, julgo que decorram somente durante o mês de Julho e farei algo de que gosto: ou tomar conta de crianças, ou da biblioteca de praia/jardim. No ano passado, fiquei como “suplente” para as bibliotecas, mas ninguém desistiu da vaga que lhe fora atribuída e acabei por não ser chamada. Este ano, tenho mais hipóteses: já terei o 12º ano terminado, mais um diploma de nível C1 a Inglês (fora o B2 de Francês, para o qual ainda tentarei a sorte no próximo dia 10) e serei maior de idade. Sei que não se ganha muito mais nestes empregos de Verão a tempo inteiro do que em qualquer outro a tempo parcial, mas não custa tentar por apenas quatro semanas.

10 comentários:

  1. Encontro-me exatamente na mesma situação que tu! O ano passado consegui um "trabalho" na escola primária onde andei, porque nunca perdi o contacto com as monitoras do ATL e elas foram umas queridas em meter-me uma cunhazinha lá dentro (nos dias de hoje, quem é que arranja alguma coisa sem ser assim?). Estive a tomar conta de crianças entre os 8-9 anos em época balnear. Foi uma experiências enriquecedora, sem dúvida, mas se tivesse que estar a compilar os estudos com este trabalho, não aguentaria... É muita responsabilidade, muita carga horária, muito peso sobre as nossas costas. Admiro imenso os estudantes-trabalhadores, a sério!

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    1. Podes crer, as cunhas são essenciais! Espero que, um dia destes, também me queiram oferecer uma ehehe :)

      Concordo quando dizes que é demasiada responsabilidade e carga horária trabalhar-se e estudar-se ao mesmo tempo! O meu pai e a minha tia fizeram-no durante imenso tempo e sempre com notas imaculadas (médias de 16) e eu bem vi como era difícil!

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  2. Questão pertinente.

    O meu objectivo sempre foi o estudo e entrar na universidade. A colegas meus que se atreveram a trabalhar antes de entrarem na universidade, vi-os perder o gosto pelo estudo e assim se ficaram, enveredando por um curso profissional (com maior ou menor saída) ou permanecer nos empregos que tinham precários, mal pagos e muitos a percorrer loja a loja a ver se os aceitavam sem qualquer formação.

    Neste momento não me atrevo a meter-me num part-time, nem no verão, por não saber quais as regras que regem a admissão à bolsa e como bolseira, qualquer rendimento a mais que os meus pais tenham poderá tirar-me a bolsa de estudo, e bem sei que um part-time não me pagaria os estudos. Mas tenho em mim a responsabilidade de terminar os estudos nestes três anos de licenciatura com a melhor média possível e sem deixar nada para trás para depois tirar um mestrado se possível perto de casa. Dois anos já lá vão. O próximo é o último.

    Além disso, quando fui ao centro de jovens da minha cidade natal para me inscrever em trabalhos de verão, tinha eu terminado o ensino secundário e candidatado à universidade, também com o intuito de ganhar algum dinheiro para a universidade disseram-me que já não pagavam que agora os trabalhos que tinham eram em regime de voluntariado. Pois, ainda este ano um professor nos aconselhou: nunca trabalhem de graça, nunca ofereçam as vossas capacidades a troco de nada. Um pouco difícil na realidade, a experiência conta muito no currículo, mas caramba quanta empresa não anda a beneficiar de estágios não remunerados a jovens altamente qualificados? É uma questão de saber se estamos a ser explorados ou não e os part-time também são uma forma de exploração de jovens sem formação, porque sem licenciatura deverias ganhar o salário mínimo e num part-time nem isso. Para trabalhar como voluntário é preferível ir a um centro de voluntariado (O que devo fazer este verão).

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    1. Tens de pensar muito bem, se realmente queres trabalhar antes de estudar. Candidata-te às bolsas de estudo se pretenderes estudar longe de casa (situação em que estou)e mesmo perto de casa não perdes nada em tentar e acima de tudo, segue o curso que queres e que gostas, porque se gostares do que vais fazer mais empenhada vais estar para encontrar emprego. Terás tempo para o trabalho e para os estágios e por muito que a experiência laboral seja uma mais valia nos dias que correm, és nova e deverias aproveitar este que é o teu último verão no secundário. Depois vais ver como vais valorizar aqueles dois meses e qualquer coisa como se fosse água depois de dois semestres sempre a suar, a trabalhar e a esforçar-te.

      Sei que é tentador pensar: eu deveria trabalhar para ajudar os meus pais, eu deveria fazer qualquer coisa para não ser um fardo, já aí estive também, principalmente quando soube que tinha entrada em terceira opção num curso que não fazia a mínima ideia que me dava acesso ao que realmente queria (Ciências biomédicas, em vez da típica medicina) numa cidade nos confins de Portugal, longe de tudo, amigos e familiares (sou de Braga, vim parar à Covilhã), mas acredita no que te digo, um trabalhador-estudante não tem metade do proveito que um estudante a tempo inteiro tem e por vezes andam anos e anos a fazer uma licenciatura de três. É díficil e se puderes tirar o teu curso em três anos, mesmo que ajudada pelos teus pais, compensá-los-ás muito mais do que andares sete anos a estudar e trabalhar. Não digo que seja impossível trabalhar e estudar, nao o é, mas é mais cansativo e menos proveitoso para ti, enquanto jovem.

      Não quero com isto desmoralizar-te, se realmente queres trabalhar em part-time para estudar, força! Admiro-te a coragem e a persistência :) Estou simplesmente a dar-te testemunhos daquilo que me rodeou nestes dois anos de universidade e que ainda me rodeia.

      Boas decisões e aproveita a tua juventude (se bem que agora somos jovens até aos 40 anos não é verdade?)

      http://www.youtube.com/watch?v=s2xaKvLtIrA (um discurso que retrata bem a nossa realidade, embora que seja de uma atriz, que, não menosprezando tão nobre profissão, é um destino que infelizmente mais cedo ou mais tarde aguarda a todos os artistas a tempo inteiro sem qualquer outro tipo de formação paralela)

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    2. Tive que dividir o comentário ahahah :D

      Olha gosto deste teu blogue XD És mais nova do que eu, pelo que dás a entender mas revejo-me em muita coisa do que aqui dizes(és tu que tens uma mentalidade mais avançada ou eu que fiquei presa no secundário :O brincadeira eheh :D).

      E dou-te os parabéns pelo artigo a que tiveste direito no outro dia, atrasos eu sei =/. É merecido.

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    3. Muito obrigada por estas palavras tão simpáticas e pelos conselhos! Fico tremendamente lisonjeada por mos dirigires :) E obrigada pelos parabéns!

      Quanto ao que disseste (ooh, por favor, quem me dera que todos escrevessem comentários iguais aos teus, assim compridinhos e que tanto gosto me dão a ler), não poderia concordar mais! Penso da mesma maneira. Gostaria de poder ter a experiência de unicamente-estudante, para poder vivenciá-la como deve ser e sem outras preocupações... Espero consegui-lo! Quanto a este tipo de trabalho que mencionei, a tratar de crianças ou da biblioteca de Verão, é apenas durante um mês e acaba por ser algo de que eu gosto, pelo que não me irei importar de o conseguir! A ver vamos :D

      Boa sorte com os teus estudos! :D

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  3. Acho que depende muito das pessoas Beatriz. Fiz o 12º ano com média de 15,4, sempre trabalhei nas férias de Verão (e chegava a trabalhar 14 horas por dia) e depois fui trabalhar a tempo inteiro porque os meus pais recusaram-se a financiar a faculdade. Só que a vontade de estudar era tanto que assim que reduziram o meu contrato de trabalho para 4h/dia decidi ir estudar novamente. Fiz um CET, que durou quase 2 anos, a 40 km de casa (ia e vinha todos os dias) com carga horária de aulas de 8 a 9 horas por dia e continuei com o part-time. Fiz sempre o turno da noite (19h000 - 23h00)e consegui acabar o CET com a melhor média da turma!E era a única trabalhadora-estudante! Acabei o meu CET com média de 17! E engane-se quem acha que aquilo é fácil...

    Como era eu que pagava o curso e as despesas todas (alimentação, transporte, etc) dei muito mais valor ao sacrifício e proibia-me de ser mediana.

    Continuo no mesmo emprego, apesar de já ter acabado o CET, vou passar a tempo inteiro em Junho, mas vou-me candidatar à faculdade em Setembro. Estudar e trabalhar ao mesmo tempo não é fácil, mas é compensador :) E não ganhas 100€ por mês Beatriz! Se arranjares um emprego como caixa, assistente de loja, etc consegues ganhar 300 €/mês!E mais, tinha namorado, amigos e família e nunca deixei de aproveitar a minha juventude, é só uma questão de organização!

    A, e gosto muito do teu blog :)

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    1. Obrigada por partilhares o teu caso! :D
      Em princípio, se não tiver como pagar a universidade, talvez opte por fazer um CET. Também me daria uma qualificação profissional e um estágio, de qualquer maneira! :) Ainda assim, a minha prioridade, uma vez que me seja permitido, será terminar a faculdade e, eventualmente, ir tirando alguns cursos de curta duração, de vez em quando.

      Espero continuar a corresponder às tuas expectativas e às de todos os leitores! Muito obrigada! ^^
      Beijinhos

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  4. eu sempre que posso, arranjo trabalho como babysitter aqui da malta da minha zona. fácil e eficaz. mas este verão estou à procura de algo um pouco mais elaborado; o problema é que é cada vez mais difícil arranjar part-time quando há pessoas que o podem fazer a tempo inteiro e por menos dinheiro.

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    1. Eu ando mais virada para as explicações, portanto vamos lá ver se consigo chegar a vias de facto com a coisa! Por acaso, não tinha pensado nesse problema do part-time vs. full-time, não... :o

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