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domingo, 26 de maio de 2013

Gordura e (des)proporcionalidade

Há uns meses, disse ao senhor meu namorado que, para minha grande alegria, me podia dar ao luxo de comer qualquer coisa à face da Terra, mesmo o hambúrguer ou as batatas fritas mais gordurentas que qualquer cadeia de fast food pudesse alguma vez produzir, porque eu nunca engordaria uma única grama. (Blá blá blá, que grande garganta que eu tinha nessa altura, deve ter minguado depois da amigdalite que tive entretanto...) Respondeu-me ele que lhe tinha acontecido o mesmo, mas que o pior viera com os 18 anos - bye bye enfardar e continuar a ser um palito, com agradecimentos especiais à sô-dona puberdade!
Então, aqui estou eu, a menos de um mês dessa idade metabolicamente malvada, a ver os pneus crescerem e a suplicarem por piedade, que não fazem mal a "ninguém"... Ainda assim, o maior problema continua a ser a fraca proporcionalidade na relação barriga-ancas-rabo-mamas, sendo que os últimos dois não aumentariam de tamanho nem que lhes injectassem cinco quilos de banha de porco saturada. C'est la vie!

quarta-feira, 13 de março de 2013

HOJE foi o dia

Frequentei o Colégio Atlântico durante nove anos - desde a pré-primária até ao final do 3º ciclo. Quando, por fim, entrei para a escola pública, pensei que nunca mais me apanhavam por lá, pelo menos durante algum tempo. Na altura, estava como que saturada do ambiente de "clausura", de protecção e de controlo a todo o santo instante (ou, pelo menos, era assim que eu via a situação), e a recém-adquirida-pseudo-liberdade trouxe-me, talvez, uma quanta arrogância (que depressa me passou, haja juízo!). Poucos meses depois, voltei para uma curta visita e, contra todas as expectativas, fiquei tão triste por já lá não andar que reafirmei, desta vez pela razão contrária, a minha pouquíssima vontade de regresso. Mas, eventualmente, continuei a visitar os meus professores, a falar com alguns no Facebook e a enviar e-mails à minha antiga directora de turma, a professora Antónia, que, no ano passado, me convidou (com a aprovação da direcção do colégio e dos outros professores, obrigada, obrigada!) para ir falar a uma turma de sexto ano sobre o meu percurso escolar, porventura pessoal, e dar-lhes alguma motivação. Aliás, até cheguei a escrever sobre isso! Fiquei especialmente sensibilizada por me colocarem nessa posição, pois demonstrava que me encontravam competências e experiência suficientes para conseguir gerir esse encontro. E, afinal, saí-me bem!

Então, este ano, o convite repetiu-se... para conversar, não com uma, mas com várias turmas, do 2º ao 3º ciclo, no pavilhão multiusos do colégio! Tanta gente!!! A minha primeira reacção foi pensar que não conseguiria cativá-los, que seria horrível e que nem me levariam a sério. Mas - ei! - não estou aqui para as curvas? Não é o meu lema explorar todas as situações que me sejam colocadas, aproveitando-as como se fossem a minha última oportunidade?
Claro que aceitei, ora essa - ou houvesse outra resposta beatrizmente possível!

Portanto, hoje, lá estive...


Colocaram-me no palco em cima do qual actuei em dezenas de festas escolares (dança, teatro, música, ...), completamente sozinha, com um foco de luz a destacar-me, um sofá para me sentar e água para ir bebendo. Não estava naaaaada à espera! Nada mesmo! Tanto cuidado e tanta atenção sobre mim fizeram-me sentir pequena, pequenina, minúscula. À minha frente, apesar de não conseguir vê-los nitidamente devido ao brilho do holofote que me encadeava (e aos óculos que não tinha na cara, ah ah ah), estavam imensos alunos e professores que esperavam que eu fosse capaz de mostrar fluência, à vontade e carisma. Desiludi-los não era, de todo, uma opção!
Abordei diversos temas: a experiência da escola privada em comparação à da escola pública, as notas, as minhas actividades extra-curriculares, o que me motiva, os meus hobbies, esta procrastinação em forma de blogue, as expectativas que tenho para o futuro... Sei que me esqueci de referir imensas coisas que planeara referir, sei que não fui a melhor oradora e que, quando entrei naquele palco "enorme", caiu sobre mim uma grande ansiedade que me impediu de me expressar como desejava. No entanto, também me contaram que quase nenhum aluno (estavam presentes o 7º, o 8º e o 9º ano) se atreveu a falar, algo raríssimo; que consegui, felizmente!, cativá-los; que me colocaram questões no final e que mostraram interesse pelo que partilhei com eles. No final, senti que tinha cumprido a minha parte e que demonstrara ser um bom exemplo, embora, ainda há pouco tempo, tenha estado na pele deles e tenha tido a idade que têm. Em suma, acho que consegui chegar aos meus espectadores e nada me poderia deixar mais satisfeita!

Também matei saudades de todos os professores e funcionários do colégio que me viram crescer e que, agora, se admiram por já ter passado tanto tempo desde que eu fazia intermináveis e dolorosas birras (porque a minha avó me mandava demasiada comida para o almoço), por eu já ter "este tamanho, parece que me metem adubo" e por até já aparecer com um "apêndice/borracho" (segundo apelidaram o Ricardo, que me acompanhou nesta visita); desenterrei recordações que pensei nunca mais recordar; passei em corredores que me fartei de percorrer "para trás e para a frente, para a frente e para trás" durante quase uma década... Enfim, foi uma manhã e tanto!

A minha avó sempre me disse que, um dia, me lembraria do colégio e teria vontade de lá voltar. Por muitos momentos desagradáveis que tenha vivido dentro dos seus portões, os melhores superam-nos! Dito isto: hoje foi o dia.

***

MIL OBRIGADAS a todos os que me concederam esta visita especial e que conseguiram torná-la num dos acontecimentos mais marcantes do meu 12º ano!!!
MIL DESCULPAS a um certo professor que, num certo seu aniversário, foi presenteado pela minha antiga turma com um Big Mac e uma festa surpresa cheia de doces que não pôde comer, por estar em regime de dieta, e que teve de explicar aos seus actuais alunos em que consistiu esse episódio, uma vez que me ocorreu a brilhante ideia de o trazer à memória. (Faça o obséquio de se rir, stôr Nuno! :D )

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pseudo-lamechices sobre o crescimento


Há pessoas que entram na nossa vida com o único propósito de nos ajudar a crescer. Aparecem numa determinada altura, sem nenhum pretexto específico, apenas por aparecer. Por vezes, nem elas sabem que papel desempenham no filme que se vai desenrolando e em que somos protagonistas. Depois, fazem com que nos afeiçoemos às suas melhores características e com que nos habituemos às piores. Tornam-se figuras familiares e começamos a desejar que nunca desapareçam da nossa vista. São amigos, amantes... enfim, pessoas por quem daríamos o couro e o cabelo. Já não nos imaginamos sem elas. Parece-nos sempre que o que nos dão é mais do que merecemos e que o que lhes retribuímos nunca é suficiente. Alimentam-nos o coração, em troca de um pedaço do nosso tempo e da nossa alma. Por mais prantos que causem, permanecem vivos na nossa memória até um próximo perdão, pois cada sorriso que conseguimos arrancar-lhes, cada gesto simpático, cada momento especial é um oásis para as anteriores mágoas causadas. Idolatramo-las, acima de tudo.
Porém, um dia acordamos e estamos diferentes. Crescemos. E aqueles que tão queridos nos eram vão dando indícios de já não serem quem nós julgávamos. Têm defeitos, defeitos graves, capazes de nos corromper a opinião que tivéramos sobre eles. São humanos, mas tal deixou de ser uma desculpa plausível que nos acalme a confusão gerada pelo facto de gostarmos tanto de alguém que, afinal, talvez não seja quem nos assemelhava ser. Aturdidos, ainda que confusos, ignoramos. Eles ainda têm tanto para nos mostrar...!
Continuamos a crescer. Conhecemos outras pessoas e outras realidades, atingindo um nivel de compreensão mais maduro sobre o que nos rodeia. Não permitimos que as aparências nos manipulem; discernimos autonomamente; as prioridades alteram-se. Então, por fim, conseguimos ser objectivos connosco próprios: é melhor prestar o luto do desnecessário, do que nos faz menos felizes. Agora, a perfeição, imperfeita há tempo suficiente, é um traiçoeiro ninho de ratos; o que nos transtornava é-nos indiferente; o que mais presávamos tornou-se relativo; as palavras a que nos agarrávamos, à procura de alento, vai levando-as a efemeridade.
Há pessoas que entram na nossa vida com o único objectivo de nos ajudar a crescer. São elas que nos forçam a deixar de acreditar em fantasias infantis e em crenças de gente miúda. Foram elas que, por diversas vezes, estiveram contra nós, sem nos apercebermos... sem elas se aperceberem. É sua a culpa de muitas infelicidades que escusávamos de ter enterrado, tal como também é sua a culpa de termos conhecido o mundo além dos nossos princípios. Nem tudo foi bom, mas nem tudo foi mau. Também nos trouxeram alegrias, testando os nossos limites e emoções.
Só nos iludimos porque o permitimos, tenho dito. Só nos iludimos porque todas as crianças se iludem. Felizmente, um dia, crescemos, colocando a nossa vida em perspectiva. É com as experiências, as boas e más, que aprendemos. Talvez ainda nos esperem mais lições pela frente, talvez, no fundo, continuemos a ser as mesmas crianças. A diferença é que já tivemos o gosto de conhecer o que nos era desconhecido.
A ironia é que quem nos ajudou a crescer ainda não cresceu.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Quando for grande...

Costumamos perguntar muitas vezes às criancinhas o que querem elas ser quando forem grandes.
Quando andava na primária, dizia que queria ser veterinária e só descobri que já não o desejava ser quando tinha mais ou menos dez anos e tive de ver o meu companheiro de brincadeiras na infância, o Misha (cão), sofrer à conta dos tratamentos violentos a que o submetiam. Também eu sofri muito ao assistir a tal suplício e, perante a minha aflição, o veterinário da família saiu-se com uma frase que me marcou imenso e que, provavelmente, nunca esquecerei - "Há pessoas que gostam demasiado de animais para serem veterinários". E ele tinha razão: eu mal era capaz de os ver levar uma vacina, quanto mais imaginar-me numa sala de operações com as tripas deles nas mãos, sob a minha responsabilidade. Foi nessa altura que desisti da minha primeira ambição. Entretanto, o Misha morreu (a eutanásia foi o único modo encontrado para lhe acabar com as dores do reumático e a infelicidade expressa em intermináveis dias e noites a ganir por não se conseguir levantar sozinho).
Depois, passei algum tempo sem saber muito bem o que fazer da vida. Coloquei em hipótese tornar-me bióloga. Após esse período de alguma despreocupação quanto ao futuro, pensei em ser actriz. Essa pancada prolongou-se até ao oitavo ano, talvez até ao nono. Porém, antes de entrar no secundário, comecei a aperceber-me dos riscos de uma carreira instável e o prazer em escrever começou a manifestar-se cada vez com mais intensidade - cheguei à conclusão de que queria ser escritora e/ou jornalista. Enveredei por Línguas e Humanidades e não me arrependo, apesar de reconhecer que talvez tivesse sido mais sensato ter optado antes por um curso profissional do que pelo ensino recorrente.
Até agora, julgo que mantenho a mesma opinião de há quase três anos atrás: escrever é uma das coisas que mais gosto de fazer e comunicar, em geral, dá-me um gosto imenso. Aliás, não vão mais longe: tenho um blogue por alguma razão! No entanto, já não penso tão assertivamente sobre tentar construir uma carreira jornalística. Em parte, tenho receio que a paixão pela escrita seja atenuada ou que não se encaixe num ambiente demasiado profissional. Opiniões... A poucos meses de ter de optar por um curso no ensino superior que poderá ditar o rumo da minha vida nos próximos anos, tenho a sensação de estar mais confusa do que nunca. Não é que não tenha certezas acerca da minha vocação, mas e se nem tudo se tratar disso? Também me sinto atraída pelo ensino, por antropologia, política... E, mesmo dentro da área da cultura e da comunicação, existem diversos cursos, em diversas universidades de Lisboa, cada um com as suas vantagens e desvantagens. Por agora, vou mantendo a minha lista de opções em aberto. Já sou "grande" e ainda não sei o que quero ser.

Expondo o meu caso pessoal, queria chegar à seguinte conclusão: de nada vale perguntar às criancinhas sobre as suas ambições profissionais futuras. Afinal, são crianças e, mesmo que gostem de brincar ao faz de conta, questões difíceis sobre o mundo adulto não lhes trarão necessariamente facilidade ao respectivo processo de decisão quando ele se impõe realmente, vários anos depois. 
Na minha opinião, em vez de as "pressionarmos" com preocupações que não lhes são devidas em tão tenra idade, devíamos tentar estimulá-las a interessar-se por diferentes áreas de estudo e, principalmente, a saberem que tipo de pessoa querem ser no futuro, cultivando-lhes o gosto em serem indivíduos úteis para o mundo, com bom senso e valores morais bem definidos. Talvez essa seja uma das falhas na educação das crianças de hoje em dia, talvez eu esteja errada - mas não custará reflectir sobre o assunto, pois não?

domingo, 4 de novembro de 2012

gosto #2

   Gosto do Inverno. Gosto de estar perto do aquecedor e aí permanecer, sem um objectivo em vista, e gosto de não ter as mãos geladas, como sempre acontece seis meses por ano. Gosto de ficar na cama a ler ou a escrever ou, quem sabe, até sem fazer nada. Gosto de estar, somente.

   Gosto do céu escuro e enevoado, em tons de cinzento, como se alguém o tivesse sujado com pegadas gigantes, enquanto o observo pela janela. Talvez chova, e eu gosto da chuva que cai a menos de um metro da minha cabeça, no telhado, porque a ouço crepitar e escorrer. Gosto que o meu quarto seja no sótão.

   Gosto do tamanho da minha casa que, em comparação à maioria das casas que conheço, até é grande. Gosto de saber que é espaçosa e que, um dia, talvez os meus filhos brinquem onde eu escrevo estas palavras, neste preciso instante, a determinada altura da minha adolescência.

    Mas, por agora, gosto de ter a minha idade, os meus sonhos e os meus pseudo-problemas. Até chego a gostar dos dramas desnecessários que, por vezes, crio! Fazem parte do momento… Gosto de não ter preocupações maiores, gosto de imaginar o futuro e, simultaneamente, adorar o presente, mantendo aceso o passado.

   Gosto de ter o tempo de que preciso para ser feliz. Gosto de sentir que poucas são as vezes em que não estou satisfeita comigo mesma e que não tenho o que quero. Eu gosto de alcançar aquilo para que luto, eu gosto da sensação de ser recompensada pelo meu esforço e gosto de ser elogiada – afinal, quem não gosta? Gosto de ficar a olhar para um trabalho quando o acabo e de me congratular pela minha persistência, tal como gosto de perder e saber que, mesmo assim, ganhei. Gosto de dizer isso às pessoas e de as incentivar a serem positivas.

   Gosto de não ser pessimista, apesar de não me considerar completamente optimista. Gosto, de vez em quando, de não ser realista. Enfim, gosto do ânimo que uma fantasia me consegue trazer.

   Sem nenhum motivo específico, porque motivos não me faltam, gosto de me orgulhar de mim própria, da minha família e dos meus amigos. E gosto de não ser sempre orgulhosa! Mas também gosto dos meus momentos de egocentrismo, porque eles fazem bem ao ego! (E gosto da elasticidade do meu, que passa a vida a esticar e a encolher, conforme as exigências exteriores.)

   Gosto do meu blogue e dos comentários que me enviam. Gosto de escrever, sabendo que alguém lerá e apreciará o que faço. Ao final de um qualquer dia, mais ou menos satisfatório, gosto de verificar o meu contador de visitas e saber que X pessoas passaram um segundo da sua vida que fosse a olhar para o cabeçalho – “procrastinar também é viver”. Estariam elas próprias a procrastinar?

   E, como é óbvio, gosto muito de pessoas. Poderia dizer que as adoro, mas não é esse o título. Gosto de as observar, de as perscrutar e de as conhecer. Depois, gosto de saber no que pensam e o que esperam da vida. Jamais deixarei de gostar de pessoas. É delas que gosto mais, acima de tudo.

domingo, 28 de outubro de 2012

pré-adolescência na rádio

Hoje, a programação da Cidade FM é toda sobre o Verão de 2007. Neste momento, estou a ouvir a "Push It To The Limit" do Corbin Bleu e a perguntar-me desde quando é que a Disney deixou de ser fixe e de passar na rádio. É que não foi assim há tanto tempo que rebentou o fenómeno do High School Musical! Como ele, já não se farão mais êxitos cine-televisivos nos próximos tempos. Agora, é só Lemounades Mouths, entre outros filmes  sem graça, cada um sendo a cópia do anterior. Até parece que queremos todos ser cantores e dançarinos e... patetas.

segunda-feira, 19 de março de 2012

inspiração? sim, sem dúvida!

   Hoje, pela primeira vez na vida, sinto que marquei alguém. Sinto-me verdadeiramente realizada.

   No âmbito da Semana da Leitura do colégio que frequentei, desde a pré-primária até ao nono ano, a minha antiga professora de Língua Portuguesa convidou-me para ir falar aos alunos de sexto ano dela sobre a minha experiência enquanto leitora, mas também como escritora. É certo que a minha "carreira" na área se resume, modestamente, a uns quantos prémios literários, a este blogue, à minha participação na revista Fórum Estudante e, sem dúvida, a muita determinação e sonhos para o futuro.
   No entanto, tenho a satisfação de confirmar que, hoje, consegui entusiasmar alguns potenciais artistas da escrita. Tentei representar, durante curtas horas, um exemplo que eles poderiam considerar seguir ou, pelo menos, alguém em quem se revissem. Eu própria me revi nalguns deles. Em certos casos, notei na insegurança, na ânsia de se afirmarem, mas sem o conseguirem por receio do que os colegas poderiam dizer... Noutros, identifiquei exactamente o que me fazia recuar ou ter medo. Ainda assim, agora que os observo a partir do exterior, reconheço que todas estas inibições fazem parte do nosso percurso, do nosso crescimento e da nossa entrada na adolescência. Cada um destes miúdos - se é que os posso chamar de miúdos, visto nem serem muito mais novos que eu - precisa apenas de se conhecer e encontrar algo que o defina.
   Quando eu tinha a mesma idade (onze, doze anos...) não percebia onde me poderia incluir. No grupo dos fixes? No dos renegados? Então, escrevia sobre isso. Aos poucos, fizeram-me ver que essa era a peça que me faltava encaixar no puzzle que eu ainda não entendia completamente. Construí, então, uma personagem para mim, em torno dessa característica. Eu era capaz de fazer algo melhor do que a maioria - escrever. Resumidamente, integrei-me e aprendi a aceitar-me. Todos nós somos diferentes e não nos devemos deixar rotular.
   Em grande parte, agradeço à pessoa que me incentivou desde o início e que, praticamente sete anos depois, continua a acreditar em mim - a professora Antónia. Se, um dia, já fui sua aluna, já outros o foram e muitos mais ainda o serão; no final, seremos todos uns sortudos por ter tido alguém tão dedicado a ensinar-nos, não só a matéria do livro, como também importantes valores morais, como a amizade, a cooperação e a disponibilidade para com os outros. E, por isso, agradeço igualmente o seu generoso convite e a manhã bem passada na sua companhia e dos seus queridos - uns, mais indisciplinados que outros - alunos. 
   Já agora, professora, peço desculpa por algum menos apreciável erro de gramática ou pontuação neste pequeno texto, caso o venha a ler. É bem provável que, a certa altura, tenha sentido uma enorme (e inconsciente) vontade de corrigir qualquer coisinha.
   Esta manhã, havia quem me perguntasse onde procurava inspiração para escrever. A minha resposta é a seguinte : a momentos como estes que partilharam comigo.
   Um enorme OBRIGADA pela experiência de hoje. Foi especial.