Há qualquer coisa de muito dissimulado quando um português diz “I love you” a outro português. É como dizer “eu amo você”, mas ainda pior. Parece-me simplesmente que não faz sentido expressarmos os nossos sentimentos mais genuínos por meio de outra língua que não a nossa. Uma coisa é dizermos muitas expressões em inglês noutras conversas do dia-a-dia, por ser divertido e… sei lá. Totó. (You shall get my point!) Outra totalmente diferente é declararmos amor a alguém com um já muito gasto “I love you”, proferido por milhões de pessoas do pé para a mão, estampado em t-shirts comercializadas para turistas em todo o mundo (I love Lisbon! I love Portugal!), em bonés, malas, postais, publicações de Facebook…
Será que não nos chega o sincero “amo-te”,
em bom português? Não será um “amo-te” ainda mais belo que quaisquer outras
palavras, não soará ele tão humilde e curto, sem deixar de ser verdadeiro e
sonante? Acrescentem-lhe um, dois, três pontos de exclamação e vejam se não
fica maravilhoso: “amo-te!!!”. Haverá confissão mais bela de se ouvir ou de se
ler? Mais um advérbio de modo, que há vários, e obteremos “amo-te muito!!!”, “amo-te
bastante!!!”, ou até outras expressões lamechas como “amo-te daqui até à Lua,
passando pelo Sol e voltando!!!”.
Para quê “i love you”? Nem o
clássico do francês “je t’aime/je t’adore, mon amour!!!” bate o nosso “amo-te!!!”.
Aposto que, tal como eu, vocês também acham o “ich liebe diech” (sem pontos de
exclamação, assim em seco, como consta que são os alemães) demasiado rude para
exprimir o que quer que seja, quanto mais amor!
E, tratando-se de chamar o “meu
amor”, também prefiro que assim seja, pelo menos nas ocasiões mais sérias e
cujo ambiente é mais sentimental, pedindo que se fale do fundo do coração (ei,
que lamechice!), apesar de, por vezes, brincar um pouco com expressões inglesas
e francesas (já que são as outras duas línguas que vou dominando).
Para descrever sentimentos,
chega-me o português. Gosto mais assim!