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quarta-feira, 24 de abril de 2013

dos outros #24

"Aprendemos das lições da vida que de pouco nos poderá servir uma democracia política, por mais equilibrada que pareça apresentar-se nas suas estruturas internas e no seu funcionamento institucional, se não tiver sido constituída como raiz de uma efectiva e concreta democracia económica e de uma não menos concreto e efectiva democracia cultural."

José Saramago, O Caderno

domingo, 14 de abril de 2013

Dos outros #23

"A nossa tristeza é mais sombria do que dolorosa, mais de mágoa do que de sofrimento, de sonho do que de realidade: não é lancinante, é aconchegante.
   Sofremos porque temos pena de nós próprios. Gostamos de imaginar-nos os seres mais incompreendidos, mais infelizes do mundo. «A minha vida dava», garante toda a gente, «um romance!»
  Rebolamo-nos de gozo com a imensíssima desgraça que nos eleva aos altares das mais incríveis megalomanias. Adoramos sentir-nos mártires, Cristos supliciados em Gólgotas de santidade, protagonistas de paixões desmesuradas - maneira de compensarmos a apagada e vil tristeza que nos sepulta. A tristeza é «o não contentarmo-nos de contentes», verseja Camões."

Fernando Dacosta, Máscaras de Salazar

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Beatriz ♥ Saramago

Memorial do ConventoDas pessoas que conheço, sou uma das excepções que adorou ler o Memorial do Convento. Para mim, foi a oportunidade de conhecer, finalmente, a escrita de Saramago, que tanto via defendida na minha família, mas que eu teimava em adiar para quando tivesse mais maturidade. Tenho dois livros autografados (As Pequenas Memórias, que já estou a terminar, e ainda outro, de que não recordo o nome, sendo o meu pai que o tem), mais uns quantos que fui adquirindo, esperando, um dia, ser capaz de valorizar tais obras. Portanto, foi a partir do Memorial que descobri Saramago e passei a adorá-lo. Desde a construção frásica, tão sui generis, até à narrativa das peripécias das personagens, passando pela caracterização destas últimas, o simbolismo inerente a tudo e a nada, a forma de criticar, tão subtilmente, a sociedade do século XVIII, fizeram-me render totalmente. Apesar de nenhum leitor, em princípio, se conseguir relacionar directamente com os protagonistas, Blimunda e Baltasar, é quase impossível não nos sentirmos atraídos pelo seu bom coração e pelo amor que nutrem um pelo outro. É impossível não nos rirmos de D. João V e da sua corte, não torcermos pelo padre Bartolomeu Lourenço, não simpatizarmos com o "Escarlate" e não termos pena da Infanta Maria Bárbara. Sumariamente, foi impossível não me crescer intensa e abruptamente uma vontade incontrolável de continuar a desbravar a bibliografia de Saramago.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Manifesto contra a intolerância literária

Na minha opinião, cada um tem direito a gostar de ler o que mais lhe apetecer, sejam romances, ficção científica, clássicos, banda desenhada... - o que for. Existem géneros para todas as preferências. Evidentemente, há livros que têm mais qualidade literária do que outros, mas, penso eu, o importante é ler. Ler desenvolve a nossa capacidade imaginativa, a nossa compreensão, diverte-nos, torna-nos mais tolerantes e susceptíveis de aceitar conhecer novas pessoas e realidades e, como se não bastasse, aumenta a nossa auto-estima (afinal, quem é que ainda não se sentiu orgulhoso e satisfeito consigo mesmo depois de acabar um livro?). Há quem goste da escrita da Margarida Rebelo Pinto, há quem goste da escrita do Lobo Antunes. Não percebo porque é que ainda existe quem se sinta obrigado a escolher leituras que não lhe interessam e que nem sequer entende, só porque "fica bem" dizer aos amigos que já leu não sei quantas obras do Saramago.
Por acaso, acho que não tenho nenhum estilo literário preferido. Normalmente, leio o que o meu estado de espírito me ditar que devo ler em determinado momento. Deve ser por causa disso que tenho quase dez livros à mesa de cabeceira (nomeadamente, O Hobbit, A Literatura ensina-se?, Terres des hommes, The Spanish Embassador's Suitcase, Homens que Matavam Cabras Só Com o Olhar, ... - quanta instabilidade literária!) e nunca mais acabo nenhum deles. Só sei que já apreciei mais aquele tipo de romance lamechas e previsível, com muita complicação amorosa pelo meio - a MRP herself, Nicholas Sparks, Dorothy Koomson... De qualquer modo, não lhes retiro mérito algum. À sua maneira, estes autores conseguiram ser bem sucedidos no que fazem e têm sempre quem lhes compre os seus livros (e eu seria tããão feliz se, no meu futuro, alcançasse metade do que eles alcançaram!).
Não costumo julgar ninguém pelo que lê e muito menos pelo que deixa de ler. Tal não é significado de se ser mais culto ou mais ignorante. Bem-vindos ao mundo da livre-concorrência e do livre-arbítrio literário, onde os livros do Eça de Queirós partilham as prateleiras de Literatura Portuguesa, nas bibliotecas, com os do Nilton!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Brásucá, váleu?! ... Náum, sinhô!

Nunca gostei de ler nada em português do Brasil ou de variantes africanas. Durante muitos anos, vi telenovelas brasileiras e aguentei o sotaque, mas, na literatura, já há muito que desisti do português que não fosse cá dos tugas, continentais, de preferência. Penso que o que mais me irrita no português "colonial" é a inversão das formas pronominais ("eu vi-te ontem" versus "eu tji vi ontem") e o "você" a dar por um pau ("eu amo você, cara!"). Esses dois aspectos, mais os regionalismos e os vocábulos diferentes, mais algumas expressões idiomáticas que me dão cabo dos fígados, impedem-me de amar a diversidade da minha própria língua. Eu devia ter vergonha na cara. É que nem "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá" eu fui capaz de ler! E desisti do Mia Couto, por quem até cheguei a sentir um certo apego...

From now on, haters gonna call me a racist. I ain't no racist, brother, I'm only complicated! (Acrescentei Street English para dar ênfase à ideia, 'tá batê, meu pute? Não, agora só estou a ser parvinha...)

sábado, 8 de dezembro de 2012

Recomenda-se!

Num país onde tanto bom escritor se vê mais reconhecido no estrangeiro do que na sua terra natal, esta é uma daquelas iniciativas maravilhosas e muito bem pensadas. Conheci a Biblioteca Digital do DN através de outro blogue e depressa me tornei uma fiel seguidora. Todas as semanas é lançado um conto novo assinado por um escritor português, dos mais velhos aos mais novos, dos mais conhecidos aos mais verdinhos, acompanhado de uma curta biografia. Foi assim que me apercebi da dimensão do trabalho destas pessoas e do quão pouca divulgação sobre a maioria delas existe em Portugal, apesar de terem diversos livros e contos traduzidos para uma sem-número de línguas. Depois, não admira que os portugueses só leiam verbos de encher, como são exemplo os livros da Margarida Rebelo Pinto - assim foram educados pela própria sociedade! O que esta Biblioteca Digital nos reserva é um pedaço da verdadeira literatura portuguesa do século XX e XXI, daquela que dá para rir, para chorar ou até chorar de tanto rir. Não interessa o tema nem o autor do conto que escolherem: julgo que não se arrependerão de dar uma breve vista de olhos. Será, por exemplo, uma boa maneira de ocuparem parte do vosso fim-de-semana!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

dos outros #11 [e quem fala assim não é gago!]

" O amor é que é essencial.

O sexo é só um acidente.

Pode ser igual

Ou diferente.

O homem não é um animal:

É uma carne inteligente

Embora às vezes doente. "

Fernando Pessoa [1935]

Fernando Pessoa: ortónimo*

   Fernando Pessoa foi um poeta e escritor que, nascendo no final do século XIX, foi marcado social e artisticamente pelos acontecimentos e correntes literárias do início do século XX. Nessas décadas, destacou-se o modernismo, assistindo-se a uma quebra de valores morais e artísticos para que Pessoa contribuiu.

   A sua obra ortónima revela insatisfação com o presente e uma enorme saudade do passado (“a infância perdida”) e é igualmente notória a intelectualização dos sentimentos, a procura da racionalidade, sendo a escrita posterior à vivência dos sentimentos, situação que desencadeia, no sujeito poético, uma enorme “dor de pensar”, que não lhe permite alcançar a felicidade que perseguia. Deste modo, deparamo-nos frequentemente com uma profunda autoanálise de Fernando Pessoa nos seus poemas.

   Podemos, então, concluir que a obra de Pessoa apresenta características únicas que não encontraremos nas de outros autores - seguindo a linha do modernismo português, foi capaz de criar o seu próprio espaço na literatura portuguesa.

 

O texto aqui apresentado foi uma pequena redacção escrita por mim para a disciplina de Português, no âmbito do estudo da obra de Fernando Pessoa ortónimo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

dos outros #9

" ... e um profundo e tediento desdém por todos quantos trabalham para a humanidade, por todos quantos se batem pela pátria e dão a sua vida para que a civilização continue... "

Fernando Pessoa, "O Livro do Desassossego"

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

dos outros #8

"A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia."

Fernando Pessoa, "O Livro do Desassossego"