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terça-feira, 21 de maio de 2013

As criancinhas querem livros!

Eu sei que os miúdos querem é brincar, jogar Playstation e arreliar os animais de estimação, mas penso que a vertente cultural não perde importância nenhuma no meio de tanta tropelia. E quem diz vertente cultural diz LIVROS. Oh sim, os livros! Preparem-se para ler o (curto) best of dos argumentos pró-livros na infância que esta livro-maníaca tem para vos "vender".

Primeiro, pergunto apenas: como é possível, neste mundo, neste nosso Portugal, ainda haver criancinhas de dois anos (e por aí fora) que não têm livros nem contactam com ninguém que lhos mostre ou que lhes contem, sequer, uma história da Carochinha ou da Cinderela? Como?! Deparando-me com casos próximos sofrendo deste mal, não me consigo questionar outra coisa...

Não me lembro de um único momento ou etapa da minha vida em que não tenha estado em contacto com livros. Aliás, já tenho aqui escrito sobre a nossa precoce e sempre fecunda relação e vocês já devem ter entendido que isto é para a vida, amigos, ai que não é. Claro que nem sempre me fiz acompanhar de calhamaços de oitocentas páginas, mas nunca me faltaram as bandas desenhadas da Disney, do Astérix ou do Tintin, livros de histórias infantis populares (principalmente dos contos dos irmãos Grimm, da Anita e de fábulas, como as do Hans Christian Andersen) ou até mesmo aqueles com pouca escrita e muitas imagens coloridas, de capa dura. Daí a minha apreensão quando conheço uma criança que não esteja a ser habituada a este mundo. Faz-me impressão, dá-me comichão, deixa-me lesão, aumenta-me a tensão!
Pelo que me tenho apercebido, não só pelo meu caso, como também por outros, as crianças que se habituam aos livros têm mais probabilidade de gostar deles e de os ler, efectivamente. Ao longo do tempo, sempre mos compraram, deram ou emprestaram, e eu nunca os li todos - senão, ainda estaria por esta altura a meio das minhas aventuras d'Os Cinco ou dos da Condessa de Ségur.
E, regra geral, as crianças que lêem têm tendência a tornar-se mais criativas, a ter mais sucesso na escola e a ter uma mentalidade mais liberal. Lendo, aprende-se a escrever e a pensar, o que costuma dar jeito na vida real (apesar de não parecer, eu sei...). De pequenino se torce o pepino! Pessoalmente, os livros nunca me trouxeram desgostos (excepto um final infeliz ou outro) e jamais desistiram de me trazer alegrias. Mesmo que os seus enredos sejam uma porcaria, que o autor seja o mais pervertido e maquiavélico, sabe-me bem chegar ao primeiro terço das páginas, a metade, a três quartos... ao fim, e pensar "eu cheguei aqui/eu li tudo isto!" e ser inundada por uma onda gigante de orgulho, que me alimenta o ego e a auto-estima.

Não quero, com isto, parecer estar a fazer propaganda aos livros - eu não pareço, porque estou mesmo! Deixem as criancinhas ter livros! Dêem-lhes livros, nem que sejam aqueles que custam 0,99€ no Continente. Afinal, que mal poderá daí advir? Nenhum. Eu tenho livros desde que me lembro e não deixei de papar tudo o que era desenho animado na televisão, catálogo de brinquedos ou jogos, muito menos foi por isso que não  me interessei pelo meu Game Boy, pelas Bratz, pelas Pollys ou pelos meus bichos da seda. Estou viva e tenho-me saído razoavelmente bem - eu... e mais uns quantos milhões.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Beatriz ♥ Murakami

O meu gosto pela leitura e pela literatura não se intensificou sozinho, ao longo dos anos. Felizmente, sempre encontrei estímulos exteriores que me permitiram vir a conhecer melhor o mundo dos livros e dos escritores, sendo um desses exemplos os amigos, em particular uma amiga.

Conheci a Cassandra no meu quinto ano, sexto dela. Íamos as duas no autocarro do colégio todas as manhãs e, já nem me lembro como, começámos a falar sobre Harry Potter, uma saga que eu ainda estava a descobrir, mas em que ela já estava doutorada há muito tempo, se a memória não me falha. Em breve, já eu havia lido HP suficiente para me equiparar a ela em tais conversas. Mas a Cassandra não lia só HP, ela lia de tudo um pouco, o que acabou por me incentivar a fazê-lo também. Infelizmente, eu ainda fiquei presa durante mais uns anos nos romances de faca e alguidar e no Clube das Amigas, dado ainda ser literariamente imatura. Claro que a Cassandra é, no que toca aos livros, muito mais culta do que eu, aposto. Ou seja, seguindo mais directamente para o cerne da questão, sendo a Cassandra a mais velha, tanto em relação a mim quanto à irmã (olá, Érica, eu sei que estás a ler isto!), tornou-se inevitavelmente – falo por mim – o nosso ideal de pessoa e de indivíduo culturalmente activo.

Todo este parlapier (palavra aparentemente francesa, mas que não existe em nenhuma língua) serviu para introduzir o assunto-chave da presente publicação: a Cassandra voltou a fazer das suas. Desta vez, convenceu-me, há um par de meses, a experimentar os livros do escritor japonês Haruki Murakami. No imediato, não fiquei lá muito convencida. Enquadro-me naquele tipo de leitor céptico e que duvida sempre se os seus gostos pessoais se reflectirão no livro que se lhe apresenta. Lida a sinopse, raramente fico convencida. Relatado um resumo da história, muito menos. É preciso que me metam o livro nas mãos e me obriguem a levá-lo para casa com toda e qualquer garantia de que não me desiludirá, que foi o que a Cassandra fez, para meu próprio bem - agora já o sei.
Esse primeiro livro – para variar, emprestado da prateleira da minha boa amiga – foi o Sputnik Sweetheart (Sputnik, meu amor, em português), a edição traduzida para inglês. Como é um livrinho pequenino, não me importei de lhe dar uma hipótese. Não morreria por ler cerca de duzentas páginas, mesmo que, no final, o considerasse um desperdício de tempo. Resultado: adorei o livro, devorei-o em menos de três dias e, quando o devolvi, ainda pedi mais.
Há poucos minutos, terminei o meu segundo Murakami – o seu livro de memórias Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo, requisitado na biblioteca. O próximo na lista é o Crónica do pássaro de corda, outra vez emprestado pela Cassandra. Antes desse, ainda vou ler uma colectânea de crónicas do Miguel Esteves Cardoso, A Causa das Coisas, mas mal posso esperar por conhecer mais trabalhos do Murakami.
Até agora, concluo que a sua escrita – fluída e acessível a qualquer tipo de leitor - permite-nos observar os cenários descritos de um modo pouco ortodoxo, apontando aspectos em que não repararíamos se nos deparássemos com eles na vida real, permite-nos estabelecer laços de proximidade com as personagens e com a própria voz do narrador/escritor e, como consequência, julgo eu, embrenhar-nos em mundos meio reais, meio fantásticos, como se fôssemos nós a escrever sobre eles ou a vivê-los pessoalmente.

Por norma, quando gosto de um determinado escritor, tenho tendência a ler vários dos seus livros em série. Gosto de conhecer o seu estilo a fundo e de lhe atribuir uma personalidade fictícia, com que me possa identificar (não que, neste caso, haja muito em comum entre uma adolescente de dezassete anos e um escritor de sessenta e tal, não contando com as raízes asiáticas de ambos e o amor pela escrita). É essa relação que pretendo vir a estabelecer com o meu novo amigo Murakami. Seja bem-vindo à minha vida!

sábado, 11 de maio de 2013

Dos outros #27

"É precisamente o facto de os homens serem diferentes uns dos outros que lhes permite construir a sua individualidade de maneira autónoma. Vejam o meu caso, por exemplo. É devido à minha capacidade para detectar certos aspectos de uma paisagem que escapam aos olhos dos outros, para sentir as coisas de maneiras diferente, e porque escolho palavras que diferem das utilizadas pelos demais, que posso escrever histórias a que chamo minhas."

Haruki Murakami, Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo

sábado, 4 de maio de 2013

A idade já pesa

Prometi a mim mesma que, antes de "ser grande", escreveria um livro. O pior é que faço 18 anos para o mês que vem e, desse tal livro, nem sinal.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

dos outros #24

"Aprendemos das lições da vida que de pouco nos poderá servir uma democracia política, por mais equilibrada que pareça apresentar-se nas suas estruturas internas e no seu funcionamento institucional, se não tiver sido constituída como raiz de uma efectiva e concreta democracia económica e de uma não menos concreto e efectiva democracia cultural."

José Saramago, O Caderno

terça-feira, 23 de abril de 2013

Aos livros (a todos eles)

Entraram na minha vida desde bem pequenina. Depois das chaves de plástico de cor deslavada, tornaram-se o meu brinquedo favorito. Sim, eu ainda me lembro. Havia os clássicos ilustrados, cujas figuras se elevavam em relevo das páginas rijas - o Gato das Botas, a Cinderela, ... -, havia aquele livro com a forma de um pássaro, fazendo eu questão de o levar para todo o lado, por ser tão pequenino e ter apenas algumas palavras que eu adorava que me lessem, e, depois desses livros, houve muitos mais - como o do Winnie The Pooh, os da Anita com autocolantes, as colectâneas de contos, os do Harry Potter, os do Clube das Amigas, os variados romances de faca e alguidar por que me perdi e com que me iludi, os de crónicas, o José Luís Peixoto, o Saramago... Enumerei apenas alguns, pois foram os que mais me marcaram, aqueles de que me recordo mais vividamente e que acabam por representar fases distintas da minha (ainda curtíssima) vida.
Arrisco afirmar que os livros são os meus objectos (ou serão somente meio objectos, meio seres com vida própria?) preferidos neste mundo. Acho que não conseguiria viver equilibradamente sem lhes sentir as páginas entre os dedos, sem lhes ver as letras, palavras, histórias que se materializam sem quê nem porquê, sem lhes pedirmos directamente. Cresci rodeada de livros, emocionalmente ligada aos livros. Em minha casa, não existem estantes suficientes para tanto livro, há mais pó no ar por causa dessa enorme quantidade de livros, há livros sobre tudo e mais alguma coisa, de autores de inúmeras origens e épocas, desde as mais remotas às mais recentes.
Quando vou a um centro comercial, é às livrarias que me dirijo primeiro; perco-me em bibliotecas; surripio livros às minhas amigas sempre que vou a casa delas.
Portanto, não foi surpresa nenhuma eu ter anunciado, há uns anos, que não, não queria ser veterinária, nem bióloga, nem actriz: eu queria (e quero, muito, muito!) escrever ou, pelo menos, estar para sempre e sempre vinculada às letras.
Um dia, também eu quero ter um livro com o meu nome na capa e fazer companhia a desconhecidos que me hão-de conhecer anonimamente. Quero contar as minhas histórias, porventura sobre as histórias que me foram sido contadas, a par das que me aconteceram ou vi acontecerem. Quero ter mais livros, não só meus de posse, como igualmente de autoria.

Ele já está quase a acabar, mas desejo-vos um feliz dia do livro. E que os próximos 365 dias continuem a sê-lo: felizes... e acompanhados de livros!

(Spam&parvoíce: livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros. Vamos ser miguxos foreva. Amo-vos muito, coisas fofas.)

domingo, 14 de abril de 2013

Dos outros #23

"A nossa tristeza é mais sombria do que dolorosa, mais de mágoa do que de sofrimento, de sonho do que de realidade: não é lancinante, é aconchegante.
   Sofremos porque temos pena de nós próprios. Gostamos de imaginar-nos os seres mais incompreendidos, mais infelizes do mundo. «A minha vida dava», garante toda a gente, «um romance!»
  Rebolamo-nos de gozo com a imensíssima desgraça que nos eleva aos altares das mais incríveis megalomanias. Adoramos sentir-nos mártires, Cristos supliciados em Gólgotas de santidade, protagonistas de paixões desmesuradas - maneira de compensarmos a apagada e vil tristeza que nos sepulta. A tristeza é «o não contentarmo-nos de contentes», verseja Camões."

Fernando Dacosta, Máscaras de Salazar

terça-feira, 9 de abril de 2013

E ler no comboio, senhores? Ai, jasus...

Eu faço parte daquele tipo de pessoas que são capazes de deixar passar a estação de comboio de chegada porque estão demasiado embrenhadas no seu livrinho - companheiro inseparável de viagem - para se darem conta da existência do resto do mundo. Há pessoas que adormecem, há pessoas que lêem e perdem a noção da vida. Já me estou a imaginar, um dia destes, ter de ligar à minha avó... "Ah e tal, desculpa, mas já estou no Rabinho de Judas, pois foi, sou uma distraída, estava aqui entretida com o Saramago (nada de pensarem o que estavam a pensar, seus badalhocos!) e coiso, podes esperar que eu apanhe o próximo comboio?". É, não subestimem a capacidade de abstracção de um leitor, meus amigos! Um dia, ainda vos calha a vocês.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Eu quero, eu quero, eu quero!


Impossível perder, impossível não gostar, impossível ficar indiferente: é a Feira do Livro. Só faltam seis semanas! Infelizmente, não é que vá para comprar, porque de bolsos fundos está Portugal vazio - eu incluída - mas sim para observar o ambiente de pura alegria dos que o (ainda) podem fazer, deleitar-me com o sol pré-Verão num dos parques mais bonitos e arejados de Lisboa, com a sua transformação, com as multidões, com os livros novos em que posso esfronhar o nariz e inspirar o seu aroma pueril de papel não desbravado, para caçar uns quantos autógrafos (próxima vítima: José Luís Peixoto), para passear... Enfim, uma pessoa até se contenta com pouco.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Beatriz ♥ Saramago

Memorial do ConventoDas pessoas que conheço, sou uma das excepções que adorou ler o Memorial do Convento. Para mim, foi a oportunidade de conhecer, finalmente, a escrita de Saramago, que tanto via defendida na minha família, mas que eu teimava em adiar para quando tivesse mais maturidade. Tenho dois livros autografados (As Pequenas Memórias, que já estou a terminar, e ainda outro, de que não recordo o nome, sendo o meu pai que o tem), mais uns quantos que fui adquirindo, esperando, um dia, ser capaz de valorizar tais obras. Portanto, foi a partir do Memorial que descobri Saramago e passei a adorá-lo. Desde a construção frásica, tão sui generis, até à narrativa das peripécias das personagens, passando pela caracterização destas últimas, o simbolismo inerente a tudo e a nada, a forma de criticar, tão subtilmente, a sociedade do século XVIII, fizeram-me render totalmente. Apesar de nenhum leitor, em princípio, se conseguir relacionar directamente com os protagonistas, Blimunda e Baltasar, é quase impossível não nos sentirmos atraídos pelo seu bom coração e pelo amor que nutrem um pelo outro. É impossível não nos rirmos de D. João V e da sua corte, não torcermos pelo padre Bartolomeu Lourenço, não simpatizarmos com o "Escarlate" e não termos pena da Infanta Maria Bárbara. Sumariamente, foi impossível não me crescer intensa e abruptamente uma vontade incontrolável de continuar a desbravar a bibliografia de Saramago.

sábado, 30 de março de 2013

Do milho à Pipoca

Conheci a Pipoca através do seu primeiro livro, mal ele foi lançado. Como já é costume desde que me lembro, estava na livraria do Continente, a alimentar os olhos e o ego. Sempre gostei de estar rodeada de livros e de os observar, tocar e cheirar, livros novos quase que acabados de ser imprimidos, com as suas capaz coloridas, atraentes, brilhantes, modernas. Também não desdenho dos antigos, mas os livros recentes trazem-me uma espécie de alento, uma motivação que penso que só eu é que consigo entender de mim para mim, para continuar a escrever e talvez, um dia, também consiga ter um deles com o meu nome no espaço reservado ao do autor, dezenas de páginas preenchidas com palavras que pensei e organizei, ou seja - se é que o poderei chamar assim - o meu legado artístico. E, na capa desse livro que me chamou a atenção, estava uma rapariga nova, apesar de já adulta, que, descobri eu ao folhear a sua "obra", tinha um grande sentido de humor e sabia cativar-me praticamente do nada. Lembro-me de, ainda nesse dia, ter contado à minha avó que admirava a Ana Garcia Martins, escritora recém-descoberta, formada em Comunicação Social e cuja "fama" derivava de um blogue que escrevia há uns anos... E eu sempre adorei blogues, já fazendo, nessa altura, parte deste mundo (ainda que de um modo muito verdinho, mas fazia).


Mas os tempos de juventude não duram para sempre e a Pipoca também cresceu. Agora, já não é a rapariga que figura na contracapa da colectânea de textos do seu blogue homónimo. Confesso que já não lhe acho tanta piada, nem à sua imagem, nem aos seus textos, o que poderá ter a ver, se calhar, com as idades que eu (leitora) e ela (narradora na primeira pessoa) temos, que ainda são um bocadinho distantes. Agora, a Ana é uma mulher já na casa dos 30, eu ainda nem aos 20 cheguei, e hei-de continuar a identificar-me durante muito tempo com a Ana que começou a escrever na blogosfera em 2004... até porque a Ana adulta é uma apaixonada por moda e, disso, eu só percebo o suficiente para estar confortável na minha pele (e nas minhas vestimentas), é casada e está grávida (brrrrrr, no!).

quinta-feira, 28 de março de 2013

dos outros #22

"Estou convencido de que, se quisermos estar do lado certo da revolução mundial, temos de começar por, enquanto nação, passar por uma radical revolução de valores. Temos rapidamente de deixar de ser uma sociedade orientada para as coisas e passar a ser uma sociedade orientada para as pessoas. Enquanto as máquinas e os computadores, as motivações de lucro e os direitos de propriedade forem considerados mais importantes que as pessoas, será impossível vencer estes monstros trigémeos que são o racismo, o materialismo extremo e o militarismo."

Martin Luther King Jr, Eu Tenho um Sonho

sexta-feira, 22 de março de 2013

Livros para a veia

[O meu Goodreads está aqui.]

Apresento-vos os livros que se encontram em monte de espera por cima da minha mesa de cabeceira. Por esta altura, já terminei o Sputnik Sweetaheart e o Amor de Perdição. Também já vou a meio d'O Hobbit (que comecei a ler no início deste ano), da autobiografia do Martin Luther King, d'A Literatura Ensina-se? e do grande calhamaço The Spanish Embassador's Suitcase, de que já cheguei a escrever-vos algumas vezes. Quanto aos Homens que matam cabras só com o olhar, acho que vou desistir, apesar de já ter lido o primeiro capítulo, porque não é o meu tipo de ficção favorito (vou mas é ver o filme e acabou-se, desculpem lá qualquer coisinha). E, sim, eu vou ler o Nómada, pois já não será a primeira nem a última amiga a recomendar-mo, porque é totalmente diferente da saga Twilight, patati, patata, e sempre é um bom pretexto para depois falar mal do filme que aí vem (e só eu sei o quanto gosto de denegrir filmes em prol das obras literárias que lhes deram origem!).

Normalmente, é nas férias que me consigo concentrar melhor para ler, tal como todas as pessoas moderadamente normais. Esta primeira semana foi somente reservada para pôr a leitura e a escrita em dia, mas a segunda (e última, snif, snif) já terá de ser para bulir. Porque até as pessoas moderadamente normais não se escapam de ter professoras de História viciadas em passar trabalhos de férias, até no Verão (não se enganem, eu gosto muito da minha, só que a senhora sempre nos podia dar um tempinho para espairecer as neuroniosidades), nem de ter de preparar o trabalho de Geografia a ser apresentado no final do período. Contudo, até às pessoas moderadamente normais mandarão os trabalhos com os porcos se acharem que a sua sanidade mental vem primeiro do que um dezoito ou um dezanove num trabalho. E é aí que eu deixo de ser uma pessoa moderadamente normal, para me tornar, antes, uma pessoa moderadamente anormal.

domingo, 17 de março de 2013

dos outros #20

" My head is like some ridiculous barn packed full of stuff I want to write about […]. Images, scenes, snatches of words… in my mind they’re all glowing, all alive. Write! they shout at me. A great new story is about to be born – I can feel it. It’ll transport me to some brand-new place. Problem is, once I sit at my desk and put them all down on paper, I realize something vital is missing. It doesn’t crystallize – no crystals, just pebbles. And I’m not transported anywhere. "

Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart

terça-feira, 5 de março de 2013

Pai, estás perdoado!


Livros novos?! Para mim?! De ti??! Não têm pó que me cause alergia, foram impressos no mês passado?
Não vou meter o nariz fora de casa nas férias da Páscoa. Tenho demasiados livros para (acabar de) ler!!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Diversificação literária

Apesar de nunca ter gostado muito de ler outras variantes de português que não a do nosso país (como, aliás, já referi), aventurei-me num dos dois livros de contos do Mia Couto que tenho. E não é que até estou a gostar? Mais tarde, dou outros detalhes...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Manifesto contra a intolerância literária

Na minha opinião, cada um tem direito a gostar de ler o que mais lhe apetecer, sejam romances, ficção científica, clássicos, banda desenhada... - o que for. Existem géneros para todas as preferências. Evidentemente, há livros que têm mais qualidade literária do que outros, mas, penso eu, o importante é ler. Ler desenvolve a nossa capacidade imaginativa, a nossa compreensão, diverte-nos, torna-nos mais tolerantes e susceptíveis de aceitar conhecer novas pessoas e realidades e, como se não bastasse, aumenta a nossa auto-estima (afinal, quem é que ainda não se sentiu orgulhoso e satisfeito consigo mesmo depois de acabar um livro?). Há quem goste da escrita da Margarida Rebelo Pinto, há quem goste da escrita do Lobo Antunes. Não percebo porque é que ainda existe quem se sinta obrigado a escolher leituras que não lhe interessam e que nem sequer entende, só porque "fica bem" dizer aos amigos que já leu não sei quantas obras do Saramago.
Por acaso, acho que não tenho nenhum estilo literário preferido. Normalmente, leio o que o meu estado de espírito me ditar que devo ler em determinado momento. Deve ser por causa disso que tenho quase dez livros à mesa de cabeceira (nomeadamente, O Hobbit, A Literatura ensina-se?, Terres des hommes, The Spanish Embassador's Suitcase, Homens que Matavam Cabras Só Com o Olhar, ... - quanta instabilidade literária!) e nunca mais acabo nenhum deles. Só sei que já apreciei mais aquele tipo de romance lamechas e previsível, com muita complicação amorosa pelo meio - a MRP herself, Nicholas Sparks, Dorothy Koomson... De qualquer modo, não lhes retiro mérito algum. À sua maneira, estes autores conseguiram ser bem sucedidos no que fazem e têm sempre quem lhes compre os seus livros (e eu seria tããão feliz se, no meu futuro, alcançasse metade do que eles alcançaram!).
Não costumo julgar ninguém pelo que lê e muito menos pelo que deixa de ler. Tal não é significado de se ser mais culto ou mais ignorante. Bem-vindos ao mundo da livre-concorrência e do livre-arbítrio literário, onde os livros do Eça de Queirós partilham as prateleiras de Literatura Portuguesa, nas bibliotecas, com os do Nilton!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Um final alternativo para a Anna Karenina

Lembram-se de vos contar sobre a minha curiosidade acerca do romance "Anna Karenina", de Léo Tolstói?  Na altura, tinha muita vontade de ler o livro e de, a seguir, ver o filme, que tinha acabado de sair nos cinemas. Então, para começar, requisitei mesmo o livro na biblioteca da escola e tentei, como qualquer leitor ferrenho, embrenhar-me na história e dissolver-me em realidades alheias. Infelizmente, não o consegui. Faltava-me o ritmo de leitura e até pensei que fosse culpa minha. Parei por diversas vezes durante dias, sem lhe nutrir o mínimo carinho (quem lê muito e gosta sabe ao que me refiro). Era um livro aborrecido, mas eu ainda cheguei a atribuir-me as culpas de assim o encarar. Consegui ler cerca de 120 ou 140 páginas, até desistir por completo. Concluí que não havia maneira de a culpa ser minha. Eu gosto de ler - o Tolstói é que não soube prender-me. Afinal, qualquer leitor, por mais dedicado que seja, tem todo o direito de ler apenas o que lhe convém. A mim, tal como numa relação amorosa menos favorável, convinha-me partir para outra... outro livro, neste caso. Na semana passada, entreguei o "Anna Karenina" e redimi-me com o "A Sombra do Vento", de Carlos Ruiz Záfon, uma relíquia para quem aprecia vários estilos de narrativa e de enredo (mistério, amor, História, ...) num único romance. Esse marchou todo de uma debandada, e só não o terminei mais cedo porque tive de estudar e de fazer trabalhos. Não, o problema, no fim de contas, não era meu - confirmava-se.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Dos outros #18

Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte.
Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento