Dei os meus primeiros passos na escrita ainda antes de saber o que
implicava escrever. Nem sabia o que seria um romance, um conto, uma crónica,
quanto mais qualquer um dos seus conceitos precisos.
Ganhei o meu
primeiro prémio - escolar - no segundo ano da primária, salvo-erro, por um poema que
escrevi improvisadamente. (Um dia, talvez vo-lo mostre.) Já nem me lembro sobre
o que era, mas todos o elogiaram, pois ninguém estava à espera que uma miúda de
sete anos se lembrasse de escrever umas quantas estrofes com o mínimo sentido.
Esse foi o início do início de todos os inícios (sem contar com as composições
feitas em aula e em testes).
Portanto,
escrever era algo de que eu gostava, mas, afinal, uma criança nunca chega a
saber, nessa idade, o que quer realmente da vida. Foram precisos alguns anos
para eu conseguir ultrapassar ideias, em ordem cronológica, como as de tornar-me veterinária, bióloga ou actriz. Apesar da minha verificável tendência para a
escrita, nunca a encarei como uma realidade com futuro. Há crianças que brincam
com carrinhos e bonecas, enquanto, outras como a que eu fui, brincam também com
palavras.
Como vos contava, nunca encarei a escrita como uma
realidade com futuro (pelo menos, segundo expectativas pessoais) até aos meus
catorze anos. No dia em que os completei, ligaram-me da organização de um
concurso literário a nível nacional para que eu havia enviado um conto uns
meses antes – ganhara o prémio de escritor revelação, disse-me a senhora do
outro lado da linha, após os tradicionais “parabéns”. Esse tal concurso não era
(ou é) grande espiga, mas foi o suficiente para me dar fôlego para começar a
escrever com mais frequência e intensidade.
Depois - ou entretanto - havia os blogues. Blogues,
blogues, blogues. Curiosamente, nunca consegui participar assiduamente num até
há dois anos (no Procrastinar, para
ser específica). A par dos concursos literários em que continuei a inscrever-me,
permitiam-me aperfeiçoar e testar as minhas capacidades. Mesmo algum tempo
decorrido desde então, continuo a encará-los deste modo. São a minha ferramenta
de avaliação e consequente evolução, tanto de mim para mim, quanto através de
opiniões alheias.
Nono ano terminado, segui com Línguas e Humanidades
no secundário. Esse foi, decidi eu, o primeiro passo para jamais me desligar
das letras. Daqui a uns meses, a faculdade vai pelo mesmo caminho: literatura e
comunicação, não interessa onde ou em que curso (que fosse em Marte, pois
fá-lo-ia de qualquer modo!).
Não sei como correrá a minha vida de ora em diante,
não sei se acabarei por ter de colocar a minha vocação e paixão em segundo
plano, não sei se me interessarei por outras coisas ao longo do tempo. De
momento, é a escrita que me satisfaz e a leitura que me mata a sede. Desconheço
outras alternativas para o meu futuro, seja pessoal ou profissional.