Mostrar mensagens com a etiqueta pessoal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pessoal. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de maio de 2013

Pára-choques precisa-se

Ter aparelho nos dentes não é pêra doce. Também não é amarga, mas chamar-lhe doce está fora de questão. Como é óbvio, trará os seus benefícios inegavelmente visíveis ao fim de cerca de dois anos, três ou quatro que sejam, benefícios esses que ficarão para a vida, enquanto continuarmos a tratar bem da nossa boca. Por outro lado, enquanto o tempo de tratamento não chega ao fim, é chato. É mesmo chato.
Pessoalmente, tenho sorte por raramente ficar com dores após ir trocar os arames e os elásticos todos os meses ao dentista. Com isso, não tenho sofrido grandemente. Sempre que lá apareço, o homem diz-me que "vai meter um arame mais forte e que vai doeeeeer", mas a mim custaram-me mais os arames fraquinhos do que estes que tenho colocado nos últimos meses.
Uma vez, estava a comer uma tosta mista e o arame soltou-se do encaixe, o que me valeu umas quantas arranhadelas na bochecha e na gengiva até, dois dias depois, ter ido à clínica que fica perto da minha casa reapertá-lo de urgência. A partir daí, comecei a evitar tudo o que é alimento estaladiço ou um pouco mais rijo, um conselho que me haviam dado no dia em que tinha metido o aparelho, mas de que eu me esqueci - inconscientemente, devo tê-lo ignorado.
De resto, não tenho razões de descontentamento maior. Não gosto de Coca-Cola nem de pastilhas elásticas, duas guloseimas pelas quais o pessoal (pelo menos o cumpridor) de sorriso metálico se mataria para voltar a saborear. E, apesar de adorar gomas, não sou viciada nelas e consigo moderar-me, uns dias melhor do que noutros - vou-me aguentando.
Alguns amigos meus que passaram ou que estão a passar pela ingrata época do aparelho, tal como eu, costumam ter imensos problemas com comida presa em tudo quanto é dente e arame. Às vezes, a boca deles fica um nojo e conseguem ver-se amostras de uma dieta diária inteira apenas com um sorriso. Já eu, não sei bem por feito de que arte, não sofro desse mal e não preciso de estar a escovar os dentes a cada meia-hora. Ainda não tenho aparelho no maxilar de baixo, mas tenho uma barra palatina no céu da boca (os primeiros dias com ela foram uma agonia, que nem engolir eu conseguia!!!), e as baixas expectativas que guardava para a higiene da minha boca foram surpreendentemente superadas com muito mais sucesso do que julguei - uma vitória, juro-vos!

O primeiro inconveniente a apontar e que, mesmo assim, não me incomoda por aí além, é o meu maxilar inferior, por não ter aparelho até ao próximo mês de Outubro ou Novembro, estar a ficar recuado em relação ao maxilar superior - apesar de eu mal me aperceber, os arames têm realmente força e estão a fazer bem o seu trabalho - pelo que é imperativo que mos consigam alinhar assim que possível.
O segundo inconveniente, que não tem que  ver directamente com a colocação do aparelho, sendo mais a causa de o ter posto, é ter um canino a rebentar-me no céu da boca, devido ao incompetente do seu homónimo de leite que não quis cair e ficou a emplastrar a cena. Para lhe colocar uma mola como as que tenho nos outros dentes, ligada às restantes, vou ter de ser operada no Verão. Espero que não se impressionem facilmente, mas vão ter de me rasgar o céu da boca e levar-me 160€ assim duma assentada - e o conteúdo susceptível de vos chocar é mais o custo da operação do que propriamente o sangue envolvido.
O segundo inconveniente, aquele que já apresenta uma relevância alarmante, é o meu aparelho ser o causador de diversas e frequentes aftas na boca do senhor meu namorado. Sim, está bem, o arrebatamento (COUGH, VIOLÊNCIA) dos meus beijos não ficará, decerto, impune neste assunto, mas fogo, uma pessoa apaixonada não olha a aparelhos que arranham e magoam o seu compincha do amor. Num momento de entusiasmo, uma pessoa apaixonada está-se pouco lixando para ninharias tão "pouco" importantes quanto ter um perigoso abre-latas na boca.

Pois, e é isto. É muito engraçado ter um sorriso metálico todo colorido, etc e tal, mas só quem o tem é que sabe o que lhe saberia bem! Eu cá contentava-me com um desconto do género "ponha um aparelho, leve um pára-choques para a sua cara-metade!".

segunda-feira, 27 de maio de 2013

SPLASH - mais um programa de TV para embrutecer as massas

É mais do que certo e sabido que este nosso povo português é um povo com um enorme coração e sensibilidades agudas. Não há cobra venenosa bebé que não seja alvo de ohs e outras exclamações carinhosas por parte dos expectadores de documentários sobre a vida selvagem, não há história nos programas da Fátima Lopes e da Júlia Pinheiro que não apele a comoções e lágrimas diversas, desde as de crocodilo às que fazem um lamaçal no meio da carpete, não há coitadinho nenhum que escape à piedade do mais comum português (aka 'tuga), não há banda sonora manipuladora que não desperte o seu monstro choramingas das profundezas do seu ser rijo, devidamente concebido para aguentar quando o seu clube de futebol perde a taça da liga. Portanto, aqui se apresenta um povo que, apesar de ter andado, em tempos passados, à cacetada com tudo o que era gente, e que foi suficientemente destemido para largar filhos, mães e mulheres para ir enfrentar um bicho mitológico ao sul de África, nos dias que correm chora com a novela mais paneleira, seja portuguesa ou brasileira (e ainda nem conhece as mexicanas!).
Portanto, foi sem grandes admirações que o "Splash!" estreou ontem, envolvendo muita história de vida cheia de coragem, camaradagem, força de viver... apresentado, é claro, pela Júlia Pinheiro (alguém me há-de dizer por alma de quem é que está lá o Rui Unas, p'lamor de Deus). O pessoal "só" tem de saltar dumas pranchazitas para uma piscina super funda, onde não há risco de baterem com a cabeça - o segredo é apenas saber-se entrar direitinho na água - mas, contra todas as expectativas dos meros mortais, conseguem relacionar a sua história de vida com aquele simples exercício e fazer um aparato digno da corte de Luís XVI. Tudo bem, está lá um atleta paralímpico que nem sempre o foi, uma vez que a sua cegueira foi repentina, e que tem lutado (ah, percebem?, porque ele já foi pugilista) imenso para alcançar novos objectivos de acordo com a sua situação, mas não significa que só por a Raquel Strada ter vertigens devemos todos homenageá-la com um minuto de silêncio (e eu nem vi a parte da Sónia Brazão - até deve ter sido a chorar por ela que encheram as piscinas). E, tirem o cavalinho da chuva, porque o Castelo Branco já começa a enjoar e a perder a sua piadinha.
Ora, dito isto, foi a primeira e última vez que vi este programa. Acho que, para embrutecer o meu cérebro, já me chega ver a MTV.

domingo, 26 de maio de 2013

Gordura e (des)proporcionalidade

Há uns meses, disse ao senhor meu namorado que, para minha grande alegria, me podia dar ao luxo de comer qualquer coisa à face da Terra, mesmo o hambúrguer ou as batatas fritas mais gordurentas que qualquer cadeia de fast food pudesse alguma vez produzir, porque eu nunca engordaria uma única grama. (Blá blá blá, que grande garganta que eu tinha nessa altura, deve ter minguado depois da amigdalite que tive entretanto...) Respondeu-me ele que lhe tinha acontecido o mesmo, mas que o pior viera com os 18 anos - bye bye enfardar e continuar a ser um palito, com agradecimentos especiais à sô-dona puberdade!
Então, aqui estou eu, a menos de um mês dessa idade metabolicamente malvada, a ver os pneus crescerem e a suplicarem por piedade, que não fazem mal a "ninguém"... Ainda assim, o maior problema continua a ser a fraca proporcionalidade na relação barriga-ancas-rabo-mamas, sendo que os últimos dois não aumentariam de tamanho nem que lhes injectassem cinco quilos de banha de porco saturada. C'est la vie!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Olha, eu conheço-te! *runs away*

Se há coisas tenebrosas neste mundo, uma delas tem de ser, obrigatoriamente, encontrar alguém conhecido, seja onde for. Odeio esta situação desde que me lembro de conhecer pessoas. A minha actual especialidade é dar de caras com antigos colegas em supermercados ou estações de comboio. Porquê eu? Porquê?! Detesto conversas de circunstância, sorrisos forçados, beijinhos que não se querem dar, as perguntas habituais ("que é feito de ti?"/"que curso vais seguir?"), o embaraço, o nosso aspecto que nesses dias NUNCA é o melhor, a vaidade, a pressa para fugir... Se quiséssemos realmente conversar, bastava-nos enviar uma mensagem pelo Facebook... Dah! Alguém me saberá explicar por que é que é considerado "boa educação" cumprimentar toda a pessoa minimamente conhecida quando a vemos?  Enfim, lagarto, lagarto, lagarto!
E, já sabem, se forem antigos colegas meus (principalmente os do colégio) e estiverem a ler isto, acenem-me apenas de longe quando me virem, não venham ter comigo, não cumprimentem a minha avó nem ninguém que esteja ao pé de mim, e guardemos tudo o que seria tempo e palavras desperdiçadas. Ambos sabemos que ficará toda a gente a ganhar com isso...!

terça-feira, 21 de maio de 2013

As criancinhas querem livros!

Eu sei que os miúdos querem é brincar, jogar Playstation e arreliar os animais de estimação, mas penso que a vertente cultural não perde importância nenhuma no meio de tanta tropelia. E quem diz vertente cultural diz LIVROS. Oh sim, os livros! Preparem-se para ler o (curto) best of dos argumentos pró-livros na infância que esta livro-maníaca tem para vos "vender".

Primeiro, pergunto apenas: como é possível, neste mundo, neste nosso Portugal, ainda haver criancinhas de dois anos (e por aí fora) que não têm livros nem contactam com ninguém que lhos mostre ou que lhes contem, sequer, uma história da Carochinha ou da Cinderela? Como?! Deparando-me com casos próximos sofrendo deste mal, não me consigo questionar outra coisa...

Não me lembro de um único momento ou etapa da minha vida em que não tenha estado em contacto com livros. Aliás, já tenho aqui escrito sobre a nossa precoce e sempre fecunda relação e vocês já devem ter entendido que isto é para a vida, amigos, ai que não é. Claro que nem sempre me fiz acompanhar de calhamaços de oitocentas páginas, mas nunca me faltaram as bandas desenhadas da Disney, do Astérix ou do Tintin, livros de histórias infantis populares (principalmente dos contos dos irmãos Grimm, da Anita e de fábulas, como as do Hans Christian Andersen) ou até mesmo aqueles com pouca escrita e muitas imagens coloridas, de capa dura. Daí a minha apreensão quando conheço uma criança que não esteja a ser habituada a este mundo. Faz-me impressão, dá-me comichão, deixa-me lesão, aumenta-me a tensão!
Pelo que me tenho apercebido, não só pelo meu caso, como também por outros, as crianças que se habituam aos livros têm mais probabilidade de gostar deles e de os ler, efectivamente. Ao longo do tempo, sempre mos compraram, deram ou emprestaram, e eu nunca os li todos - senão, ainda estaria por esta altura a meio das minhas aventuras d'Os Cinco ou dos da Condessa de Ségur.
E, regra geral, as crianças que lêem têm tendência a tornar-se mais criativas, a ter mais sucesso na escola e a ter uma mentalidade mais liberal. Lendo, aprende-se a escrever e a pensar, o que costuma dar jeito na vida real (apesar de não parecer, eu sei...). De pequenino se torce o pepino! Pessoalmente, os livros nunca me trouxeram desgostos (excepto um final infeliz ou outro) e jamais desistiram de me trazer alegrias. Mesmo que os seus enredos sejam uma porcaria, que o autor seja o mais pervertido e maquiavélico, sabe-me bem chegar ao primeiro terço das páginas, a metade, a três quartos... ao fim, e pensar "eu cheguei aqui/eu li tudo isto!" e ser inundada por uma onda gigante de orgulho, que me alimenta o ego e a auto-estima.

Não quero, com isto, parecer estar a fazer propaganda aos livros - eu não pareço, porque estou mesmo! Deixem as criancinhas ter livros! Dêem-lhes livros, nem que sejam aqueles que custam 0,99€ no Continente. Afinal, que mal poderá daí advir? Nenhum. Eu tenho livros desde que me lembro e não deixei de papar tudo o que era desenho animado na televisão, catálogo de brinquedos ou jogos, muito menos foi por isso que não  me interessei pelo meu Game Boy, pelas Bratz, pelas Pollys ou pelos meus bichos da seda. Estou viva e tenho-me saído razoavelmente bem - eu... e mais uns quantos milhões.

sábado, 18 de maio de 2013

Greve dos professores a 17 de Junho - eu apoio!

Ora então, os professores estão a planear uma greve geral para o dia 17 de Junho de 2013, mais conhecido por estas bandas como o Segundo Dia de Maioridade da Beatriz e Dia de Exame Nacional de Português. E sabem o que eu digo?

Apoiado, apoiado!

Não, eu não apoio esta ideia porque, assim, me livro do exame nacional. Não, senhora. Isso seria parvo visto que, mais cedo ou mais tarde, terei de o fazer, tal como toda a gente que deseje minimamente acabar o ensino secundário regular. Também não a apoio porque, caso ela chegue realmente a acontecer, não terei de estudar no dia anterior, ou seja, no meu dia de aniversário – há uma coisa que se chama organização e eu não arrastaria o estudo até à última da hora, mesmo que a data não significasse nada para mim.
Eu apoio esta ideia porque, finalmente, os professores (classe profissional que eu muito admiro) ganharam juízo e aprenderam a fazer chantagem com quem está no poder e lhes f*de - desculpem lá a “intensidade” do meu discurso – o emprego, os salários, os horários e outros aspectos vários, como se a sociedade (em particular, a portuguesa) não precisasse de professores, que isto é um povo de autodidactas e gente super interessada em obter conhecimento, não se ‘tá mesmo a ver?

Portanto, não se alarmem, caros leitores e colegas. Estejam descansados, pois ninguém há-de ficar sem o exame feito, haja ou não greve de professores a 17 de Junho. Deixem-nos apenas expressar a sua indignação, tal como a Constituição (ainda) lhes permite.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Eu, assassina de planetas

Ora, está uma pessoa a fazer um trabalho de Geografia sobre o ambiente urbano e descobre um calculador de pegadas ecológicas. Então, estando tããão desocupada como estava nesse momento (cof, COF!), põe-se a responder às questões desse questionário. Como se não bastasse, é-lhe diagnosticado que, se todos fossem iguais a ela e tivessem os seus hábitos quotidianos, seriam necessárias 2,52 Terras para que pudéssemos sobreviver (a nossa pseudo-auto-estima ecológica melhora imenso quando o nosso namorado obtém o resultado de 1,09 Terras, pois claro).





Foi assim que descobri que sou uma assassina de planetas - venha o próximo, que eu ainda tenho muitos anos pela frente até ir desta para melhor!

(Quantos mais assassinos haverá por aí? Acusem-se! http://myfootprint.org )

Beatriz ♥ Murakami

O meu gosto pela leitura e pela literatura não se intensificou sozinho, ao longo dos anos. Felizmente, sempre encontrei estímulos exteriores que me permitiram vir a conhecer melhor o mundo dos livros e dos escritores, sendo um desses exemplos os amigos, em particular uma amiga.

Conheci a Cassandra no meu quinto ano, sexto dela. Íamos as duas no autocarro do colégio todas as manhãs e, já nem me lembro como, começámos a falar sobre Harry Potter, uma saga que eu ainda estava a descobrir, mas em que ela já estava doutorada há muito tempo, se a memória não me falha. Em breve, já eu havia lido HP suficiente para me equiparar a ela em tais conversas. Mas a Cassandra não lia só HP, ela lia de tudo um pouco, o que acabou por me incentivar a fazê-lo também. Infelizmente, eu ainda fiquei presa durante mais uns anos nos romances de faca e alguidar e no Clube das Amigas, dado ainda ser literariamente imatura. Claro que a Cassandra é, no que toca aos livros, muito mais culta do que eu, aposto. Ou seja, seguindo mais directamente para o cerne da questão, sendo a Cassandra a mais velha, tanto em relação a mim quanto à irmã (olá, Érica, eu sei que estás a ler isto!), tornou-se inevitavelmente – falo por mim – o nosso ideal de pessoa e de indivíduo culturalmente activo.

Todo este parlapier (palavra aparentemente francesa, mas que não existe em nenhuma língua) serviu para introduzir o assunto-chave da presente publicação: a Cassandra voltou a fazer das suas. Desta vez, convenceu-me, há um par de meses, a experimentar os livros do escritor japonês Haruki Murakami. No imediato, não fiquei lá muito convencida. Enquadro-me naquele tipo de leitor céptico e que duvida sempre se os seus gostos pessoais se reflectirão no livro que se lhe apresenta. Lida a sinopse, raramente fico convencida. Relatado um resumo da história, muito menos. É preciso que me metam o livro nas mãos e me obriguem a levá-lo para casa com toda e qualquer garantia de que não me desiludirá, que foi o que a Cassandra fez, para meu próprio bem - agora já o sei.
Esse primeiro livro – para variar, emprestado da prateleira da minha boa amiga – foi o Sputnik Sweetheart (Sputnik, meu amor, em português), a edição traduzida para inglês. Como é um livrinho pequenino, não me importei de lhe dar uma hipótese. Não morreria por ler cerca de duzentas páginas, mesmo que, no final, o considerasse um desperdício de tempo. Resultado: adorei o livro, devorei-o em menos de três dias e, quando o devolvi, ainda pedi mais.
Há poucos minutos, terminei o meu segundo Murakami – o seu livro de memórias Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo, requisitado na biblioteca. O próximo na lista é o Crónica do pássaro de corda, outra vez emprestado pela Cassandra. Antes desse, ainda vou ler uma colectânea de crónicas do Miguel Esteves Cardoso, A Causa das Coisas, mas mal posso esperar por conhecer mais trabalhos do Murakami.
Até agora, concluo que a sua escrita – fluída e acessível a qualquer tipo de leitor - permite-nos observar os cenários descritos de um modo pouco ortodoxo, apontando aspectos em que não repararíamos se nos deparássemos com eles na vida real, permite-nos estabelecer laços de proximidade com as personagens e com a própria voz do narrador/escritor e, como consequência, julgo eu, embrenhar-nos em mundos meio reais, meio fantásticos, como se fôssemos nós a escrever sobre eles ou a vivê-los pessoalmente.

Por norma, quando gosto de um determinado escritor, tenho tendência a ler vários dos seus livros em série. Gosto de conhecer o seu estilo a fundo e de lhe atribuir uma personalidade fictícia, com que me possa identificar (não que, neste caso, haja muito em comum entre uma adolescente de dezassete anos e um escritor de sessenta e tal, não contando com as raízes asiáticas de ambos e o amor pela escrita). É essa relação que pretendo vir a estabelecer com o meu novo amigo Murakami. Seja bem-vindo à minha vida!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Uma reflexão

Nunca me considerei uma pessoa com falta de sorte. Em geral, acredito que existirá, quem sabe, uma força que equilibra o universo: se merecermos, essa força dá-nos um empurrão para que sejamos bem-sucedidos, seja em que área for. Portanto, reflectindo sobre tudo o que me tem acontecido de bom nos meus curtos dezassete anos, considero que tal aconteceu devido a um misto de trabalho, de persistência (casmurrice?), de empurrões invisíveis, de oportunidades que fui aproveitando por me encontrar no sítio certo, à hora certa, e de felizes acasos. 

domingo, 12 de maio de 2013

"As saudades que eu já tinha da minha alegre casinha..."

Voltei há pouco do segundo encontro de animadores da Forum Estudante 2012/13! Yey! (Neste momento, o Dinky encontra-se extremamente amuado comigo, por tê-lo abandonado este fim-de-semana... Cães!)

Acho que através de experiências destas é que eu me apercebo de que sou uma menina-de-casa. Já nem digo que dependo muito das pessoas com quem convivo no quotidiano, mas dependo muito da própria rotina, dos espaços que me são familiares, etc e tal. Ou seja, apesar de adorar este tipo de iniciativas (tudo pago pelos patrocinadores, like a boss), soube-me bem regressar a casa e ver a minha caminha, esperando paciente e fielmente por mim.

MAS... O que interessa não é o meu regresso; é, sim, a minha ida. Portanto, toca a escrever sobre o que é importante!

Andar de Expresso é uma porcaria. O que vale, para compensar o enjoo permanente e os assentos desconfortáveis, é mesmo o motivo por que se toma esse tipo de autocarro (ou qualquer outro) - neste caso, chegar a Torres Novas para o encontro da Forum Estudante. Parece-me motivo suficiente...
Dito isto, o pessoal da Margem Sul, do Algarve e de Lisboa chegou ao seu destino depois de almoço, tendo sido directamente encaminhado para a Biblioteca Gustavo Pinto Lopes (sem direito a lanche, que violência, então?!), para uma espécie de palestra com a Optimus (parceira e patrocinadora), assim como com os protagonistas do programa A Verdade de Cada Um, que foram lá gravá-lo e fazer uma espécie de debate connosco. Aproveitei e, já que sou um bocado parvalhona, poderei ter atrofiado demasiado com a Anny is Candy por ela ser magrinha (como eu!!!!), involuntariamente, por mera falha de comunicação da suposta piada, pelo que lhe peço desculpa se a deixei desconfortável (é que a rapariga até é simpática...). A seguir, dividimo-nos em grupos e realizámos/improvisámos um spot publicitário relacionado com a Optimus. E eu cheia de fome. Por fim, depois de vermos todos os vídeos, é que fomos para a Escola Prática de Polícia, onde ficámos alojados, e onde nos confundiram com peregrinos. Ups! Parece que as nossas paragens são outras...
Malas arrumadas nos respectivos quartos, seguimos para o belo do jantar, que foi batatas fritas e arroz com febras e salada, não víamos o fundo ao prato e valeu a pena esperar, é o que tenho a dizer. Até às 23h, estivemos numa sala de convívio, uns a verem o Benfica-Porto, outros a jogarem Snooker ou Damas, outros que se fartaram e foram lá para fora descarregar as energias, tocar guitarra ou cantar.
Fui uma das primeiras do meu quarto a adormecer, por volta da meia-noite, mas acabámos por acordar todas às 4h30 da madrugada - um grupo de rapazes invadiu a "ala feminina" do corredor e entrou no nosso quarto a gritar "já são sete da manhã, toca a acordar!" e a abrir os cortinados. Eu não caí na armadilha, mas houve quem tivesse caído, não fosse eu assegurá-las de que ainda não eram horas para nos levantarmos. Parvos (mas não conseguiram alcançar o seu objectivo, muahaha)!
Hoje, o dia foi mais reservado para discutir assuntos directamente relacionados com a revista e para convivermos. Até ao almoço, estivemos à conversa na Biblioteca GPL com um dos directores da Forum, o Gonçalo Gil, com quem partilhámos as nossas sugestões para a melhorar, seguindo-se o almoço, os últimos preparativos para a partida e... MÚSICA! Cantámos e tocámos mais um bocado, inventámos um hino "aciganado", dançámos, gritámos, atrofiámos... Mesmo na central rodoviária, enquanto esperávamos pelos autocarros do regresso, continuámos com a festa. Eu, frágil que nem um monte de ossos que sou, tive de me sentar e de me acalmar entretanto, que não aguentei com tanta agitação e horas de sono insuficientes.  Às 15h30 despedimo-nos dos animadores de outras regiões do país - adeus, colegas, até à próxima!
Adormeci no autocarro para Lisboa e voltei a enjoar no autocarro para Setúbal. É horrível andar de Expresso! Aquando da troca de autocarros, tive de ficar toda stressadinha da vida, que não sabia em qual é que tinha de entrar, e não me despedi das pessoas que pararam a sua viagem por ali. Foi só porque eu não encontrava a minha guitarra no porta-bagagens do Expresso! Por isso, aceitem o meu pedido de desculpas e a minha despedida adiada... sff e obrigada.
Agora que já estou em casa, a retomar as energias, agradeço a todos os que estiveram comigo pelo fim-de-semana animado que me proporcionaram e pela vossa companhia, tanto aos animadores - um grupo alargado, mas com quem me diverti e aparvalhei imenso - quanto aos "adultos" - que também são uns bacanos, atenção. Penso que somos uma equipa unida e, mesmo que eu não continue a fazer parte dela para o ano, guardarei boas recordações destes encontros.

Finalmente, que isto já está a ficar demasiado longo e lamechas, deixo um agradecimento de outra natureza a quem continua a apoiar-me, dentro da equipa Forum, quanto ao "Procrastinar Também É Viver".

Para que possam obter outras opiniões sobre estes dois dias ou temas que poderão nem ter nada que ver com o assunto (só porque sim), leiam os blogues da Charlotte e da Carolina Helena, outras duas bloggers-animadoras. A Charlotte já começou a relatá-los e, quem sabe, talvez a Carolina faça o mesmo.

Em jeito de conclusão, partilho algumas fotos:

O "hino" aciganado da Forum Estudante e seus criadores.

A representação da Margem Sul feat. mega careta da Beatriz.

O jogo dos patinhos OU como cair redondo no chão.

(Mais fotografias no Instagram da menina Charlotte: http://instagram.com/sofiassequeira)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Desde o início do início dos inícios

Dei os meus primeiros passos na escrita ainda antes de saber o que implicava escrever. Nem sabia o que seria um romance, um conto, uma crónica, quanto mais qualquer um dos seus conceitos precisos.
Ganhei o meu primeiro prémio - escolar - no segundo ano da primária, salvo-erro, por um poema que escrevi improvisadamente. (Um dia, talvez vo-lo mostre.) Já nem me lembro sobre o que era, mas todos o elogiaram, pois ninguém estava à espera que uma miúda de sete anos se lembrasse de escrever umas quantas estrofes com o mínimo sentido. Esse foi o início do início de todos os inícios (sem contar com as composições feitas em aula e em testes).
Portanto, escrever era algo de que eu gostava, mas, afinal, uma criança nunca chega a saber, nessa idade, o que quer realmente da vida. Foram precisos alguns anos para eu conseguir ultrapassar ideias, em ordem cronológica, como as de tornar-me veterinária, bióloga ou actriz. Apesar da minha verificável tendência para a escrita, nunca a encarei como uma realidade com futuro. Há crianças que brincam com carrinhos e bonecas, enquanto, outras como a que eu fui, brincam também com palavras.
Como vos contava, nunca encarei a escrita como uma realidade com futuro (pelo menos, segundo expectativas pessoais) até aos meus catorze anos. No dia em que os completei, ligaram-me da organização de um concurso literário a nível nacional para que eu havia enviado um conto uns meses antes – ganhara o prémio de escritor revelação, disse-me a senhora do outro lado da linha, após os tradicionais “parabéns”. Esse tal concurso não era (ou é) grande espiga, mas foi o suficiente para me dar fôlego para começar a escrever com mais frequência e intensidade.
Depois - ou entretanto - havia os blogues. Blogues, blogues, blogues. Curiosamente, nunca consegui participar assiduamente num até há dois anos (no Procrastinar, para ser específica). A par dos concursos literários em que continuei a inscrever-me, permitiam-me aperfeiçoar e testar as minhas capacidades. Mesmo algum tempo decorrido desde então, continuo a encará-los deste modo. São a minha ferramenta de avaliação e consequente evolução, tanto de mim para mim, quanto através de opiniões alheias.
Nono ano terminado, segui com Línguas e Humanidades no secundário. Esse foi, decidi eu, o primeiro passo para jamais me desligar das letras. Daqui a uns meses, a faculdade vai pelo mesmo caminho: literatura e comunicação, não interessa onde ou em que curso (que fosse em Marte, pois fá-lo-ia de qualquer modo!).
Não sei como correrá a minha vida de ora em diante, não sei se acabarei por ter de colocar a minha vocação e paixão em segundo plano, não sei se me interessarei por outras coisas ao longo do tempo. De momento, é a escrita que me satisfaz e a leitura que me mata a sede. Desconheço outras alternativas para o meu futuro, seja pessoal ou profissional.

Agenda

Sexta-feira, 10 de Maio - Exame DELF de Francês nível B2 (todo o dia);
Sábado, 11 de Maio - Encontro de animadores da Forum Estudante;
Domingo, 12 de Maio - Já referi que o encontro de animadores é o fim-de-semana INTEIRO?!
Segunda-feira, 13 de Maio - Cara de Panqueca dorme chez moi. Filosofar sobre a vida até cair para o lado de sono.
Terça-feira, 14 de Maio - Manhã de descanso, depois de tanta folia, bem como actualizar este digníssimo blogue. Escola e Alliance Française à tarde: regresso a casa às 21h;
Quarta-feira, 15 de Maio - TESTE DE HISTÓRIA (!!!!!!)


É bom que eu aprenda a fazer directas, algures pelo meio... ou a ser baldas.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Ânimo blogosférico (ou falta dele)

Já estive para desistir deste blogue. Aconteceu no início deste ano, mais coisa menos coisa, e cheguei mesmo a criar outro, em anónimo, esperando poder recomeçar a minha vida blogosférica somewhere else, sem que me tivesse de preocupar se falava mal de A, B ou C, se magoaria os sentimentos de X ou se feriria as susceptibilidades de Y, se Z desaprovaria a minha visão da coisa. Só algumas pessoas é que saberiam que aquele era o meu blogue, com um nome pseudo-lamechas, textos de todo o tipo e feitio (mas, mais uma vez, a rondar o pseudo-lamechas) e sem quase seguidores nenhuns - faria tudo de novo, debaixo da rebeldia de um pseudónimo.
Só que, ao fim de um par de dias, caí em mim. Eu não queria fazer tudo de novo, eu queria era continuar a escrever para os mesmos leitores, alguns dos quais já me acompanhavam há mais de um ano, e que gostam é de procrastinar. Atirei tudo às couves. Qual blogue de emergência, qual quê! Portanto, sempre que me dá o desânimo, não fraquejo como fraquejei há uns meses. Páro simplesmente por um, dois, três dias, até arranjar um novo tema que me devolva à procrastinação e me faça regressar às origens, digamos assim. Quando me apetecer regressar, eu regresso. E, se alguém tiver algo a dizer sobre o que eu escrevo ou deixo de escrever, tenho a resposta na ponta da língua e dos dedos: temos pena, amores.
Este tipo de desânimo temporário tem como origem diversos factores que farão sempre parte da minha vida, por mais que eu adore este meu blogue, onde tenho escrito já lá vão quase dois anos. Ora é o cansaço, ora é a falta de tempo e/ou paciência, causados pelas exigências de uma vida de estudante, de jovem, de workaholic, de que não me posso esquivar. Contudo, sei que é a este blogue e ao conceito que criei para ele, à personagem homónima que vos "fala", que eu e as minhas palavras pertencemos. Ainda hei-de ficar por estas bandas durante mais algum tempo!

sábado, 4 de maio de 2013

Isto hoje estamos numa de publicações curtas

Ultimamente, tenho apagado imensos amigos do Facebook. As estatísticas indicam que para aí 25% dessa gente (burra!) me volta a tentar adicionar no prazo de um mês. "Agora não", obrigada.

A idade já pesa

Prometi a mim mesma que, antes de "ser grande", escreveria um livro. O pior é que faço 18 anos para o mês que vem e, desse tal livro, nem sinal.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Um cão

Em memória do Bijagó, do Caracol e do Misha, para o Dinky e para a Bianca, tal como para todos os cães. Todos, todos, todos.

Um cão não aspira a outra coisa que não ser um cão. Um cão nunca chega a definir um objectivo de vida além de viver e sobreviver segundo a sua natureza, procurando, deste modo, alguém com quem partilhar essa luta. Ainda assim, é demasiado independente dos da sua espécie para que se torne facilmente seu aliado. A sua ascendência lupina incentiva-o a procurar um alfa.
Por isso, quando encontra um alfa em forma humana, um líder, é a ele que passa a obedecer. E, se essa humanidade do seu novo humano existir realmente, o contrato é recíproco. É deste modo que nasce uma parceria que, se tudo correr bem, poderá ser vitalícia, prometendo o cão e o humano lealdade um ao outro.
Num ambiente caracteristicamente doméstico, ambos cumprem a sua parte do acordo. Em poucas palavras, auxiliam-se mutuamente. O humano dá guarida ao cão, comida e todos os cuidados que, sozinho, o último não poderia providenciar. O cão, por seu turno, protege o território que partilham, olhando também, por afinidade, por todos os que se encontrarem nesse espaço, sejam humanos ou animais. Surge o conceito de núcleo familiar, a matilha mista por que ansiava.
Dentro dessa matilha, o cão procura satisfazer (e, por vezes, exibir-se) perante o seu dono. Portanto, não se importa de acarretar com todas as tarefas que lhe forem atribuídas e ainda, sem que sejam designadas, as restantes que for capaz de realizar. Se houver crianças humanas por perto, zela pelo seu bem-estar, dá-lhes atenção, junta-se às suas brincadeiras, cria outras, é paciente e, propositadamente ou não, acarinha-as. Se vir estranhos aproximarem-se de elementos da sua matilha ou do seu território ou se os seus sentidos apurados detectarem algo pouco usual, ladra a plenos pulmões. Se alguém adoece, mantém-se por perto. Se alguém está triste, consola. Se alguém está feliz, multiplica a felicidade. A natureza do cão é ser altruísta, pensando e agindo pelo e para o bem do grupo.
Porém, como todo o ser à face da terra, dos mais irracionais aos mais racionais, o cão não é perfeito. Apresenta-se frequentemente confuso quanto ao sítio onde fazer chichi ou quanto aos objectos em que pode fincar os dentes; o seu pelo nunca pára de cair em novelos; a sujidade, completamente indiferente no seu habitat natural, senão rica em agradáveis odores para o nariz canino, não é assim tão bem cheirada no habitat humano, onde coabita presentemente; jamais é capaz de decorar os lugares para onde não pode subir nem os alimentos que não lhe estão destinados… É guloso, teimoso, cabeça-dura, chantagista, inquieto, barulhento, pedincha pouco ciente do conceito de higiene…
Responsável, atento, leal, sentimental, sensível, amoroso, um compincha para todas as horas, minutos, segundos e milésimos de segundo, sensato, saudavelmente louco, desafiador, esponja absorvente das emoções que o rodeiam, desde o início do seu contrato e, se lhe derem oportunidade, até ao fim - físico ou metafísico.
Um cão nasce para servir a sua matilha e o seu alfa, pelo que o papel do seu alfa e da sua matilha deve ser garantirem-lhe o fruto do trabalho conjunto da pequena comunidade: conforto, comida, amizade, um lar. Não se trata de um contrato verbal, pois as falhas de comunicação são constantes entre indivíduos de espécies diferentes, trata-se sim de um contrato cego, surdo e mudo, independente da linguagem, do audível e do palpável: é um contrato selado com o coração, tal como em todas as verdadeiras amizades. Não é em vão que se diz que o cão é o melhor amigo do homem; nós é que temos o dever e a honra de o merecer.

Misha, Abril de 1998

Caracol, Dezembro de 2005

Dinky, Novembro de 2009

Bijagó, Verão de 2010

Bianca, Outubro de 2012

sábado, 27 de abril de 2013

Emprego ou não, eis a questão!

A minha família não me deixa trabalhar, uma vez que o meu único trabalho deve ser estudar, e querem que eu o faça sendo a minha prioridade.
Talvez nas férias, diz a minha avó. Não, não, diz o meu pai, deves é aproveitar estes meses, esta altura, enquanto podes, ir para a universidade sem outras preocupações, porque nós não sabemos o dia de amanhã, nem como estará o país daqui a uns meses...
Está bem, eu entendo. E é sobre isto que vos quero escrever.
Enquanto estudantes sem nenhuma especialização (falo, pelo menos, em nome dos que enveredaram pelo ensino regular não profissionalizante, tal como eu), porventura ainda no ensino secundário ou nos primeiros anos de faculdade, os empregos que poderemos, possivelmente, arranjar, no campo dos part-times, é andar a virar hambúrgueres ou frangos, sermos vendedores por telefone, darmos explicações, caso tenhamos, sequer, habilitações e credibilidade para tal ou (tentar) vender cosméticos por catálogo (mais no caso das raparigas). Principalmente nos dois primeiros, somos mais do que explorados. Recebemos uma miséria, já temos de descontar para os impostos, graças aos novos procedimentos e controlos fiscais por parte do Estado e, no fim, sobra-nos quanto dinheiro…? 100 euros por mês? 150? E com alguma sorte! Por uma média de 88 horas de trabalho mensal (contando que se trabalham 4 horas todos os 22 dias úteis), isso é uma ninharia, fora o transporte, a alimentação e outros descontos que possamos ter no ordenado.
Eu quero muito trabalhar, uma vez que mal tenho dinheiro para pagar a faculdade que começa já em Setembro, mas não sei se valerá a pena. Além de, por agora, não me deixarem arranjar nada, apesar de já ter sido chamada para duas entrevistas, talvez tenham razão quando argumentam que desperdiçarei tempo quase desnecessariamente, tempo esse que posso utilizar a estudar, a escrever (porventura, concorrendo a alguns concursos literários em que poderei arrecadar dinheiro livre de impostos, se ganhar algum prémio), a namorar e a estar com os amigos... Enfim, a divertir-me enquanto estou na idade de o fazer com maior liberdade. Há todo um conjunto de prós e contras que tem de ser pesado.
Arranjar um emprego poderia trazer-me a experiência profissional que ainda mal tenho, poderia dar um jeito ao meu CV, dar-me uma primeira perspectiva do que é realmente o mercado do trabalho e permitir-me amealhar algum dinheiro para as propinas da faculdade. Por outro lado, estaria a perder horas de estudo e de descanso, teria que deixar as aulas da Alliance Française em suspenso, nem que fosse temporariamente, não conseguiria ter nenhuma disponibilidade para escrever nem ler… Percebem o meu dilema?
Portanto, deste modo, decidi-me apenas a inscrever para monitora das actividades de Verão da freguesia onde estudo. Em princípio, julgo que decorram somente durante o mês de Julho e farei algo de que gosto: ou tomar conta de crianças, ou da biblioteca de praia/jardim. No ano passado, fiquei como “suplente” para as bibliotecas, mas ninguém desistiu da vaga que lhe fora atribuída e acabei por não ser chamada. Este ano, tenho mais hipóteses: já terei o 12º ano terminado, mais um diploma de nível C1 a Inglês (fora o B2 de Francês, para o qual ainda tentarei a sorte no próximo dia 10) e serei maior de idade. Sei que não se ganha muito mais nestes empregos de Verão a tempo inteiro do que em qualquer outro a tempo parcial, mas não custa tentar por apenas quatro semanas.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Aos livros (a todos eles)

Entraram na minha vida desde bem pequenina. Depois das chaves de plástico de cor deslavada, tornaram-se o meu brinquedo favorito. Sim, eu ainda me lembro. Havia os clássicos ilustrados, cujas figuras se elevavam em relevo das páginas rijas - o Gato das Botas, a Cinderela, ... -, havia aquele livro com a forma de um pássaro, fazendo eu questão de o levar para todo o lado, por ser tão pequenino e ter apenas algumas palavras que eu adorava que me lessem, e, depois desses livros, houve muitos mais - como o do Winnie The Pooh, os da Anita com autocolantes, as colectâneas de contos, os do Harry Potter, os do Clube das Amigas, os variados romances de faca e alguidar por que me perdi e com que me iludi, os de crónicas, o José Luís Peixoto, o Saramago... Enumerei apenas alguns, pois foram os que mais me marcaram, aqueles de que me recordo mais vividamente e que acabam por representar fases distintas da minha (ainda curtíssima) vida.
Arrisco afirmar que os livros são os meus objectos (ou serão somente meio objectos, meio seres com vida própria?) preferidos neste mundo. Acho que não conseguiria viver equilibradamente sem lhes sentir as páginas entre os dedos, sem lhes ver as letras, palavras, histórias que se materializam sem quê nem porquê, sem lhes pedirmos directamente. Cresci rodeada de livros, emocionalmente ligada aos livros. Em minha casa, não existem estantes suficientes para tanto livro, há mais pó no ar por causa dessa enorme quantidade de livros, há livros sobre tudo e mais alguma coisa, de autores de inúmeras origens e épocas, desde as mais remotas às mais recentes.
Quando vou a um centro comercial, é às livrarias que me dirijo primeiro; perco-me em bibliotecas; surripio livros às minhas amigas sempre que vou a casa delas.
Portanto, não foi surpresa nenhuma eu ter anunciado, há uns anos, que não, não queria ser veterinária, nem bióloga, nem actriz: eu queria (e quero, muito, muito!) escrever ou, pelo menos, estar para sempre e sempre vinculada às letras.
Um dia, também eu quero ter um livro com o meu nome na capa e fazer companhia a desconhecidos que me hão-de conhecer anonimamente. Quero contar as minhas histórias, porventura sobre as histórias que me foram sido contadas, a par das que me aconteceram ou vi acontecerem. Quero ter mais livros, não só meus de posse, como igualmente de autoria.

Ele já está quase a acabar, mas desejo-vos um feliz dia do livro. E que os próximos 365 dias continuem a sê-lo: felizes... e acompanhados de livros!

(Spam&parvoíce: livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros. Vamos ser miguxos foreva. Amo-vos muito, coisas fofas.)

Estou perdida

Não gosto de reality shows, não gosto de futebol, não gosto de passadeiras vermelhas, não gosto da música que, hoje em dia, se considera pop, não percebo nada de moda, não sou popular, também não sou nenhuma oprimida-excluída, não possuo uma beleza rara, não sou lamechas, não tenho do que me queixar no campo emocional, não digo nem escrevo muitas asneiras, estou-me pouco lixando para o acordo ortográfico, ainda ando na secundária, não leio muita literatura "light" e muito menos da pesadona, não escrevo eruditamente, ...

Arre, o que ando eu a fazer na blogosfera...??!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Já viram o Big Brother?

Eu não. Estive a dormir desde as 19h30 até agora, com uma dor de cabeça de caixão à cova (cortesia do senhor meu Vocês-Sabem-o-Nome-Dele) e perdi o primeiro episódio, totalmente. Que triste que eu estou. Claro que, se eu tivesse estado acordada, teria mas é acabado o trabalho de Filosofia, qual Big Brother, qual carapuça, logo eu que tenho uma vida (de estudante... belhac) tão ocupada...! Ainda estou para perceber qual é o interesse que move meia dúzia de gerações de uma vez a assistir aos reality shows de quarta categoria (terceira parece-me um eufemismo) da TVI, mas, verdade das verdadinhas, quem é a miúda que admite gostar de ver Jersey Shore para julgar tais pessoas? Pelo menos, elas ainda vêem o que é nacional! Parvalhona...