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segunda-feira, 27 de maio de 2013

SPLASH - mais um programa de TV para embrutecer as massas

É mais do que certo e sabido que este nosso povo português é um povo com um enorme coração e sensibilidades agudas. Não há cobra venenosa bebé que não seja alvo de ohs e outras exclamações carinhosas por parte dos expectadores de documentários sobre a vida selvagem, não há história nos programas da Fátima Lopes e da Júlia Pinheiro que não apele a comoções e lágrimas diversas, desde as de crocodilo às que fazem um lamaçal no meio da carpete, não há coitadinho nenhum que escape à piedade do mais comum português (aka 'tuga), não há banda sonora manipuladora que não desperte o seu monstro choramingas das profundezas do seu ser rijo, devidamente concebido para aguentar quando o seu clube de futebol perde a taça da liga. Portanto, aqui se apresenta um povo que, apesar de ter andado, em tempos passados, à cacetada com tudo o que era gente, e que foi suficientemente destemido para largar filhos, mães e mulheres para ir enfrentar um bicho mitológico ao sul de África, nos dias que correm chora com a novela mais paneleira, seja portuguesa ou brasileira (e ainda nem conhece as mexicanas!).
Portanto, foi sem grandes admirações que o "Splash!" estreou ontem, envolvendo muita história de vida cheia de coragem, camaradagem, força de viver... apresentado, é claro, pela Júlia Pinheiro (alguém me há-de dizer por alma de quem é que está lá o Rui Unas, p'lamor de Deus). O pessoal "só" tem de saltar dumas pranchazitas para uma piscina super funda, onde não há risco de baterem com a cabeça - o segredo é apenas saber-se entrar direitinho na água - mas, contra todas as expectativas dos meros mortais, conseguem relacionar a sua história de vida com aquele simples exercício e fazer um aparato digno da corte de Luís XVI. Tudo bem, está lá um atleta paralímpico que nem sempre o foi, uma vez que a sua cegueira foi repentina, e que tem lutado (ah, percebem?, porque ele já foi pugilista) imenso para alcançar novos objectivos de acordo com a sua situação, mas não significa que só por a Raquel Strada ter vertigens devemos todos homenageá-la com um minuto de silêncio (e eu nem vi a parte da Sónia Brazão - até deve ter sido a chorar por ela que encheram as piscinas). E, tirem o cavalinho da chuva, porque o Castelo Branco já começa a enjoar e a perder a sua piadinha.
Ora, dito isto, foi a primeira e última vez que vi este programa. Acho que, para embrutecer o meu cérebro, já me chega ver a MTV.

domingo, 26 de maio de 2013

Dos outros #28

Portugal é um país «pequenino», implacavelmente situado na região anal daquele apóstolo que traiu Jesus (...). Em primeiro lugar, Portugal tem de ser extrema e intransigentemente «snob». A atitude certa é a do velho fidalgo que, depois de se ter cansado do Império, se decidiu a regressar a casa e cuidar do seu jardim. Foi Portugal, afinal de contas, que aliciou a Europa para as grandes aventuras coloniais com as quais os grandes países europeus enriqueceram."

Miguel Esteves Cardoso, crónica "Europa", in A Causa das Coisas

terça-feira, 21 de maio de 2013

As criancinhas querem livros!

Eu sei que os miúdos querem é brincar, jogar Playstation e arreliar os animais de estimação, mas penso que a vertente cultural não perde importância nenhuma no meio de tanta tropelia. E quem diz vertente cultural diz LIVROS. Oh sim, os livros! Preparem-se para ler o (curto) best of dos argumentos pró-livros na infância que esta livro-maníaca tem para vos "vender".

Primeiro, pergunto apenas: como é possível, neste mundo, neste nosso Portugal, ainda haver criancinhas de dois anos (e por aí fora) que não têm livros nem contactam com ninguém que lhos mostre ou que lhes contem, sequer, uma história da Carochinha ou da Cinderela? Como?! Deparando-me com casos próximos sofrendo deste mal, não me consigo questionar outra coisa...

Não me lembro de um único momento ou etapa da minha vida em que não tenha estado em contacto com livros. Aliás, já tenho aqui escrito sobre a nossa precoce e sempre fecunda relação e vocês já devem ter entendido que isto é para a vida, amigos, ai que não é. Claro que nem sempre me fiz acompanhar de calhamaços de oitocentas páginas, mas nunca me faltaram as bandas desenhadas da Disney, do Astérix ou do Tintin, livros de histórias infantis populares (principalmente dos contos dos irmãos Grimm, da Anita e de fábulas, como as do Hans Christian Andersen) ou até mesmo aqueles com pouca escrita e muitas imagens coloridas, de capa dura. Daí a minha apreensão quando conheço uma criança que não esteja a ser habituada a este mundo. Faz-me impressão, dá-me comichão, deixa-me lesão, aumenta-me a tensão!
Pelo que me tenho apercebido, não só pelo meu caso, como também por outros, as crianças que se habituam aos livros têm mais probabilidade de gostar deles e de os ler, efectivamente. Ao longo do tempo, sempre mos compraram, deram ou emprestaram, e eu nunca os li todos - senão, ainda estaria por esta altura a meio das minhas aventuras d'Os Cinco ou dos da Condessa de Ségur.
E, regra geral, as crianças que lêem têm tendência a tornar-se mais criativas, a ter mais sucesso na escola e a ter uma mentalidade mais liberal. Lendo, aprende-se a escrever e a pensar, o que costuma dar jeito na vida real (apesar de não parecer, eu sei...). De pequenino se torce o pepino! Pessoalmente, os livros nunca me trouxeram desgostos (excepto um final infeliz ou outro) e jamais desistiram de me trazer alegrias. Mesmo que os seus enredos sejam uma porcaria, que o autor seja o mais pervertido e maquiavélico, sabe-me bem chegar ao primeiro terço das páginas, a metade, a três quartos... ao fim, e pensar "eu cheguei aqui/eu li tudo isto!" e ser inundada por uma onda gigante de orgulho, que me alimenta o ego e a auto-estima.

Não quero, com isto, parecer estar a fazer propaganda aos livros - eu não pareço, porque estou mesmo! Deixem as criancinhas ter livros! Dêem-lhes livros, nem que sejam aqueles que custam 0,99€ no Continente. Afinal, que mal poderá daí advir? Nenhum. Eu tenho livros desde que me lembro e não deixei de papar tudo o que era desenho animado na televisão, catálogo de brinquedos ou jogos, muito menos foi por isso que não  me interessei pelo meu Game Boy, pelas Bratz, pelas Pollys ou pelos meus bichos da seda. Estou viva e tenho-me saído razoavelmente bem - eu... e mais uns quantos milhões.

domingo, 19 de maio de 2013

Famílias confusas, crianças "confundidas"


Vou tentar ser breve e clara: fico contente por, finalmente, a mentalidade retrógrada da sociedade portuguesa estar a dar mostras de uma ligeira desretrogradização, mas continuo a achar que a aprovação da coadopcão por casais homossexuais ainda revela muito trabalho pela frente, muito debate, muita polémica, enfim, muito título de jornal e ruidosas manifestações pela igualdade.
A meu ver, a coadopção das crianças só as vai "confundir" desnecessariamente. Com que então, têm uma mãe e dois pais, ou um pai e duas mães? Não acham mais simples darem-lhes somente dois pais ou duas mães, um núcleo familiar bastante mais sólido? Nem os cartões de cidadão têm espaço para o nome de tanta gente! Ou, piadas à parte, por que é que a criança há-de estar registada e identificada tendo como pai/mãe uma pessoa que acaba por lhe ser desconhecida, quando deviam era constar apenas os nomes daqueles que a amam realmente e que a estão a criar como sendo do seu sangue? Deixo a questão em aberto.

sábado, 27 de abril de 2013

Emprego ou não, eis a questão!

A minha família não me deixa trabalhar, uma vez que o meu único trabalho deve ser estudar, e querem que eu o faça sendo a minha prioridade.
Talvez nas férias, diz a minha avó. Não, não, diz o meu pai, deves é aproveitar estes meses, esta altura, enquanto podes, ir para a universidade sem outras preocupações, porque nós não sabemos o dia de amanhã, nem como estará o país daqui a uns meses...
Está bem, eu entendo. E é sobre isto que vos quero escrever.
Enquanto estudantes sem nenhuma especialização (falo, pelo menos, em nome dos que enveredaram pelo ensino regular não profissionalizante, tal como eu), porventura ainda no ensino secundário ou nos primeiros anos de faculdade, os empregos que poderemos, possivelmente, arranjar, no campo dos part-times, é andar a virar hambúrgueres ou frangos, sermos vendedores por telefone, darmos explicações, caso tenhamos, sequer, habilitações e credibilidade para tal ou (tentar) vender cosméticos por catálogo (mais no caso das raparigas). Principalmente nos dois primeiros, somos mais do que explorados. Recebemos uma miséria, já temos de descontar para os impostos, graças aos novos procedimentos e controlos fiscais por parte do Estado e, no fim, sobra-nos quanto dinheiro…? 100 euros por mês? 150? E com alguma sorte! Por uma média de 88 horas de trabalho mensal (contando que se trabalham 4 horas todos os 22 dias úteis), isso é uma ninharia, fora o transporte, a alimentação e outros descontos que possamos ter no ordenado.
Eu quero muito trabalhar, uma vez que mal tenho dinheiro para pagar a faculdade que começa já em Setembro, mas não sei se valerá a pena. Além de, por agora, não me deixarem arranjar nada, apesar de já ter sido chamada para duas entrevistas, talvez tenham razão quando argumentam que desperdiçarei tempo quase desnecessariamente, tempo esse que posso utilizar a estudar, a escrever (porventura, concorrendo a alguns concursos literários em que poderei arrecadar dinheiro livre de impostos, se ganhar algum prémio), a namorar e a estar com os amigos... Enfim, a divertir-me enquanto estou na idade de o fazer com maior liberdade. Há todo um conjunto de prós e contras que tem de ser pesado.
Arranjar um emprego poderia trazer-me a experiência profissional que ainda mal tenho, poderia dar um jeito ao meu CV, dar-me uma primeira perspectiva do que é realmente o mercado do trabalho e permitir-me amealhar algum dinheiro para as propinas da faculdade. Por outro lado, estaria a perder horas de estudo e de descanso, teria que deixar as aulas da Alliance Française em suspenso, nem que fosse temporariamente, não conseguiria ter nenhuma disponibilidade para escrever nem ler… Percebem o meu dilema?
Portanto, deste modo, decidi-me apenas a inscrever para monitora das actividades de Verão da freguesia onde estudo. Em princípio, julgo que decorram somente durante o mês de Julho e farei algo de que gosto: ou tomar conta de crianças, ou da biblioteca de praia/jardim. No ano passado, fiquei como “suplente” para as bibliotecas, mas ninguém desistiu da vaga que lhe fora atribuída e acabei por não ser chamada. Este ano, tenho mais hipóteses: já terei o 12º ano terminado, mais um diploma de nível C1 a Inglês (fora o B2 de Francês, para o qual ainda tentarei a sorte no próximo dia 10) e serei maior de idade. Sei que não se ganha muito mais nestes empregos de Verão a tempo inteiro do que em qualquer outro a tempo parcial, mas não custa tentar por apenas quatro semanas.

domingo, 21 de abril de 2013

Sobre o atentado bombista de Boston

Ainda não me tinha pronunciado sobre o assunto e, na verdade, a minha opinião não vai muito além das que toda a gente partilha: morreram pessoas inocentes, traumatizaram-se outras tantas que assim hão-de viver o resto das suas vidas, assustou-se um mundo inteiro e, afinal, para quê? Qual era o objectivo dos dois irmãos - o mais velho de vinte seis anos, jogador amador de boxe, em vias de representar os EUA nos Jogos Olímpicos, e o mais novo de dezanove, estudante de Medicina em Dartmouth? O que é que leva dois indivíduos devidamente legalizados no seu país de acolhimento, inclusivé bastante bem-sucedidos e acolhidos na comunidade, a cometer uma atrocidade deste tipo? Deste modo se chega à conclusão que deverão ser tomadas medidas de protecção e contra o extremismo islâmico; há que controlar, apesar da liberdade religiosa vigente, os indivíduos suspeitos da sua prática. À custa desta religião cujos princípios me parecem terrivelmente adulterados, já aconteceram desastres semelhantes em todo o mundo e acenderam-se guerras sangrentas e desnecessárias. Tenho (temos!) muitas perguntas e poucas respostas.

(E, agora, à laia do sarcasmo costumeiro - não me levem a mal - que tal arranjarem uns quantos pares de irmãos destes que não se importem de se deslocar a São Bento ou a Belém, hein? Alojamento e deslocação pagas pelo contribuinte e tudo!)

domingo, 7 de abril de 2013

Queridos, saí na revista!


Olá, bom dia, caros procrastinadores por esse mundo fora!

Quero partilhar convosco a nova vitória deste blogue e, consequentemente, como não poderia deixar de ser, uma igual vitória para mim também. Hoje, figuro em destaque no artigo "Adolescentes sem papas na língua" da revista Domingo (suplemento do Correio da Manhã), tal como outros jovens que continuam a intervir e a dar a sua opinião na blogosfera e nas redes sociais. Este artigo foi escrito pela jornalista Marta Martins Silva, a quem não poderia deixar de agradecer, e as fotos são da autoria do Bruno Colaço.

Esta foi uma inegável oportunidade para a divulgação do blogue e, claro, de reconhecimento. Esta tornou-se mais um desses eventos pontuais na juventude de alguém que lhe permite sentir uma motivação inexplicável para as adversidades que se lhe poderão apresentar no futuro - falo por mim.

Todas as reproduções do que disse e escrevi estão fiéis ao original e, como nem é assim tão habitual nos meios de comunicação, os jovens são elevados a um estatuto digno de futuros cidadãos do seu país. Afinal, ainda existem alguns que se preocupam, que têm opinião e que, apesar das "futilidades" inerentes à sua faixa etária, estão conscientes do que se passa na comunidade a que pertencem, tentando marcar uma pequena diferença, a sua diferença.

Portanto, agradeço, como já referi, o reconhecimento e a oportunidade de mostrar o que valho, pelo menos enquanto autora deste blogue. No momento em que fui contactada para ser entrevistada, não esperei que a minha intervenção tomasse esta dimensão na revista - nem nesse momento nem até ver pelos meus próprios olhos!

Obrigada à Marta Martins Silva, ao Bruno Colaço, aos procrastinadores que não se importam de o ser e a todas as outras pessoas que me servem de inspiração e que me motivam - a minha família, aos meus amigos, ao Ricardo.

Bom fim-de-semana!


***

Aqui fica o índice e o artigo, que também poderão ver e descarregar na página de Facebook do blogue. Já agora... eu sou a miúda do cachecol verde: Beatriz, a procrastinadora.






NOTA: eu sei que, se calhar, estou a festejar de uma maneira muito efusiva, mas dêem-me um desconto, que isto já me passa! :)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Polémicas

O Relvas decidiu apresentar oficialmente a sua demissão do Governo num dia em que o Benfica joga. A isto se chama "saber desviar as atenções like a boss".

terça-feira, 26 de março de 2013

Os anjos não têm sexo, ok?

Ontem à noite dei conta de um ambiente tenso no Facebook graças a uma reportagem da TVI, que muitos jovens classificaram de escandalosa e, no mínimo, inapropriada. Fiquei curiosa. Primeiro, até pensei que se referiam ao novo programa do Nurb, do Kiko is Hot, da Anny is Candy e do Diogo Sena, quando mencionaram algo como "jovens que não sabem do que falam", entre outros tantos "elogios". Não é que eu os considere como tal, mas acredito que exista muita gente a pensar desse modo (haters). Contudo, depressa me apercebi que, para tanto estrilho, a sua causa deveria ser outra coisa. E era.

O episódio de ontem da rubrica Repórter TVI chama-se, então, "O Sexo dos Anjos" (também a poderão ver no site da TVI). Só o nome já é sugestivo o suficiente. Boa estratégia de marketing! Só que, cá para mim, tudo o que junte anjinhos com sexo só pode cheirar a mostarda queimada, e com toda a razão. Repetiram a dita reportagem ainda há bocado, no fim do telejornal das 13h, e, previsivelmente, passei esses vinte e cinco minutos a praguejar conta a televisão.

Rescaldo: o jornalista foi realmente inapropriado, não soube explorar o tema e generalizou uma imagem desagradável da minha (nossa!) geração, baseando-se em meia dúzia de entrevistas. Demonstrou uma irrepreensível falta de tacto quando se limitou a entrevistar apenas um tipo de jovem, ao invés de tentar cobrir uma maior variedade de indivíduos.

Bem sei que, infelizmente, miúdas como as que figuravam nesta reportagem é o que não falta por este país, por este mundo fora. Confirmo que representam uma grande parte da população adolescente e que não são exemplo para ninguém. Não as conheço, não sei quais são as suas origens e abstenho-me de fazer juízos de moral para além da imagem que elas se limitaram a fornecer aos telespectadores. Mostraram-nos ser apoiantes de um pseudo-movimento feminista (uma delas chegou a dizer a célebre frase "quando uma rapariga tem três parceiros numa semana, nós sabemos o que ela é; quando um rapaz faz o mesmo, é um garanhão") de que sou a maior opositora (cá para mim, se levam a sua vidinha dessa maneira, são todos uns vadios, sem selecção de sexo). Mostraram-nos as suas roupas justas, curtas e provocantes, a sua melhor - e mais exagerada - maquilhagem, as suas pernas, os seus rabos, as suas mamas, a sua lata, os piropos que lhes "mandam" quando saem à noite... Mas coitadas, à falta de miolos, têm de exibir o corpinho, o seu único trunfo disponível...
Quanto a terem abordado o tema da música, compreendo o papel sexual que ela desempenha na nossa sociedade, mas não será menor do que o desempenhado pelas outras artes. Vivemos num mundo em que a liberdade artística não conhece limites, portanto... porque não? Porque não meter meninas parcialmente nuas e transpiradas em videoclipes, porque não pô-las a dançar de um modo absurdamente sexual, porque não escrever letras foleiras que incitem ao "acasalamento"? 
Ah, e já que falamos em acasalamento, por que raio é que a pornografia, de repente, é chamada ao assunto, acusando-a de exercer pressão sobre quem a vê? A pornografia ilude tanto o seu público, aumentando-lhe as expectativas quanto à sua vida sexual, quanto as comédias românticas protagonizadas pelo Justin Timberlake, pelo Ryan Reynolds, pelo George Clooney, pela Scarlett Johansson, pela Sandra Bullock, pela Sarah Jessica Parker (e por aí fora) os iludem quanto à sua vida sentimental... Olá, sejam bem-vindos ao mundo real, onde não existem pessoas perfeitas, casais perfeitos, relações físicas/emocionais perfeitas, corpos perfeitos, locais perfeitos ou momentos perfeitos!

Para finalizar, sem dúvida que esta reportagem deverá ter suscitado muita curiosidade, exaltação mediática e audiências para a TVI. Se esse era o seu objectivo, conseguiram. No entanto, é lamentável que tenham reduzido a condição do jovem português à de alguém que só vive para o sexo, em função da sua imagem, e que não tem outras preocupações senão a de "engatar" e de ser "engatado", qual homem das cavernas.
Deixo a sugestão à TVI - sugestão essa que, provavelmente, nunca será lida nem aproveitada - para que seja feita, já agora, outra reportagem sobre o RESTO dos jovens do nosso país - aqueles que estudam, trabalham, fazem por ser cidadãos e, em geral, pessoas melhores, que são intelectual e emocionalmente equilibrados e que se sabem divertir sem serem demasiado promíscuos fora da sua intimidade, aqueles que merecem ser colocados em destaque em horário nobre!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Os "potter heads" vão entender

O Sócrates tem tanta autoridade para comentar política quanto o Severus Snape para fazer um anúncio da Pantene.

segunda-feira, 18 de março de 2013

É o amor... (mas em português!)

Há qualquer coisa de muito dissimulado quando um português diz “I love you” a outro português. É como dizer “eu amo você”, mas ainda pior. Parece-me simplesmente que não faz sentido expressarmos os nossos sentimentos mais genuínos por meio de outra língua que não a nossa. Uma coisa é dizermos muitas expressões em inglês noutras conversas do dia-a-dia, por ser divertido e… sei lá. Totó. (You shall get my point!) Outra totalmente diferente é declararmos amor a alguém com um já muito gasto “I love you”, proferido por milhões de pessoas do pé para a mão, estampado em t-shirts comercializadas para turistas em todo o mundo (I love Lisbon! I love Portugal!), em bonés, malas, postais, publicações de Facebook…
Será que não nos chega o sincero “amo-te”, em bom português? Não será um “amo-te” ainda mais belo que quaisquer outras palavras, não soará ele tão humilde e curto, sem deixar de ser verdadeiro e sonante? Acrescentem-lhe um, dois, três pontos de exclamação e vejam se não fica maravilhoso: “amo-te!!!”. Haverá confissão mais bela de se ouvir ou de se ler? Mais um advérbio de modo, que há vários, e obteremos “amo-te muito!!!”, “amo-te bastante!!!”, ou até outras expressões lamechas como “amo-te daqui até à Lua, passando pelo Sol e voltando!!!”.
Para quê “i love you”? Nem o clássico do francês “je t’aime/je t’adore, mon amour!!!” bate o nosso “amo-te!!!”. Aposto que, tal como eu, vocês também acham o “ich liebe diech” (sem pontos de exclamação, assim em seco, como consta que são os alemães) demasiado rude para exprimir o que quer que seja, quanto mais amor!
E, tratando-se de chamar o “meu amor”, também prefiro que assim seja, pelo menos nas ocasiões mais sérias e cujo ambiente é mais sentimental, pedindo que se fale do fundo do coração (ei, que lamechice!), apesar de, por vezes, brincar um pouco com expressões inglesas e francesas (já que são as outras duas línguas que vou dominando).
Para descrever sentimentos, chega-me o português. Gosto mais assim!

sexta-feira, 15 de março de 2013

O que é melhor: a escola pública ou a escola privada?

A propósito do post sobre a minha visita ao Colégio Atlântico, recebi um comentário de uma sua actual aluna, questionando-me sobre os aspectos negativos e positivos do ensino privado e do ensino público. Já tive a oportunidade de experimentar tanto um como outro. Frequentei o primeiro durante nove anos, desde a pré-primária até ao final do nono ano, e tenho frequentado o último desde o décimo ano, ou seja, há quase três anos.
Acho que a maior vantagem que retirei da mudança de tipo de ensino, a meio do meu percurso, foi a aquisição de um conhecimento comparado de cada um em relação ao outro. Se não tivesse estado num colégio, nunca conheceria as falhas e os pontos fortes da escola pública, e vice-versa. Julgo que a minha formação académica ficaria minimizada, caso só tivesse frequentado um deles.
Tive a sorte (digo eu) de ter iniciado os meus estudos e, afinal, a minha vida, no seio de um ambiente escolar muito protector, rigoroso e diversificado. Quando menciono protector, refiro-me às características que imagino que todos os colégios tenham: os alunos são resguardados do exterior, acarinhados (nuns, mais do que noutros), e existe um acompanhamento personalizado sempre que possível, feito à medida das necessidades do aluno enquanto indivíduo, não enquanto parte de uma turma ou de uma comunidade escolar imensa, em que as relações chegam a ser impessoais; rigoroso, não porque nos exijam notas máximas “em cru”, sem que antes nos ensinem a trabalhar e a estudar, mas porque nos é exigido que obtenhamos médias proporcionais às nossas facilidades e dificuldades e aos recursos materiais, intelectuais e humanos (professores e outros funcionários) de que dispomos, algo que, numa escola privada, é algo que não costuma faltar; diversificado, devido às várias actividades em que nos inserem – dança, música, teatro, rádio, artes plásticas – e à motivação que a sua prática nos traz, mostrando que somos capazes de ser bem-sucedidos em diversas áreas ou, quem sabe, ajudando-nos a encontrar aquilo de que mais gostamos de fazer, acima de tudo (foi o que aconteceu comigo, pelo menos, em relação à escrita e à comunicação em geral).
Contudo, também é do meu agrado que não me tenham mantido no ensino privado após a conclusão do ensino básico. No final do oitavo ano, comuniquei à minha família que não desejava continuar no colégio e que queria ser imediatamente inscrita na escola que fica perto da nossa casa. Felizmente, eles não acederam ao pedido e obrigaram-me a esperar. Porque, se há algo que não consegui desenvolver lá muito bem no colégio (conjugando a minha educação no seio familiar), foi a maturidade suficiente para me conseguir integrar às mil maravilhas noutro contexto totalmente distinto (porém, suponho que esta questão dependa de pessoa para pessoa). Tinha catorze anos, mas poderia ter dez em mentalidade. Ainda bem que permaneci no colégio até ao nono ano, por muito “claustrofóbica” que já me sentisse, por muita que fosse a minha curiosidade sobre o “mundo real”! 
O meu décimo ano foi um ano de choque entre o meu eu de antes e o meu eu de agora. Mesmo agora, no décimo segundo, continuo a confrontar-me com situações novas todos os dias. Mas, após a mudança de tipo de ensino, aprendi de imediato imensas coisas, qual bebé recém-nascido. Era demasiado ingénua, não conhecia muitas pessoas da minha idade diferentes daquelas com quem contactara durante nove anos, que tinham sido quase sempre as mesmas (algumas conheciam-se desde que usavam fraldas; eu conhecia-as praticamente todas, excepto uma ou outra que ia entrando posteriormente, desde o tempo das Barbies e das Bratz), por sua vez, não sabia interpretá-las correctamente e, emocionalmente, o meu décimo foi um desastre (imaginem um coelhinho sonso a cair de amores por um lobo, ai tão fofinho, mas tão matreiro, e já se sabe quem acaba nos dentes de quem). Subestimei o mundo real, como lhe costumo chamar.
Quanto aos professores, não houve surpresas. Os bons existem tanto no público como no privado, apenas com a diferença de que, no público, o seu tempo tem de ser dividido entre todas as milhentas turmas a quem dão aulas e, enfim, muitas das vezes, um aluno é somente mais um número. Ainda assim, tive a sorte de, em menos de três anos, já me terem calhado uns quantos cujo empenho admiro e com quem simpatizo bastante, que batalham todos os dias para recompensar os alunos que merecem e motivar, até, aqueles que simplesmente se estão pouco “importando”. Por outro lado, dos maus professores, já reza a História desde a Era dos dinossauros – faltam sem justificação ou aviso antecipado, não sabem fazer nem corrigir testes, não sabem dar aulas, não estão minimamente preocupados, querem é subir de escalão profissional ao desbarato… Feitas as contas, não se pode ter tudo na vida, não é verdade?
No colégio, consegui arranjar as ferramentas intelectuais e artísticas, a par dos bons valores morais, como a justiça, a compreensão e a amizade; na escola pública, conheci verdadeiramente a dimensão das relações humanas em todos as suas vertentes, ora positivas, ora negativas, entrei em contacto com o que é a “realidade” da maioria das pessoas e, sumariamente, da sociedade actual; consequentemente, aprendi a ter garra e a lutar pelos meus objectivos em qualquer contexto, não esperando ser amparada na “queda” (porque a vida não é justa, por muito que tentemos; por vezes, temos de lhe dar um pontapé para ela entender o que queremos que faça por nós!). Os dois acabaram por se complementar perfeitamente!

***

Se, posteriormente, me lembrar de mais alguma coisa que ache relevante dizer, fá-lo-ei. Espero ter respondido bem a sugestão!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Prato do dia: Belieber com tatuagem

"Tenho a certeza de que não me vou arrepender disto [...] o meu amor por ele vai sempre crescer!"


Eu não costumo ser tão rude para outras raparigas em plena Internet, mas a miúda aos 2:16, apesar de precisar URGENTEMENTE de um namorado, nenhum Ser - humano ou não, do sexo feminino ou masculino, ou mesmo hermafrodita - lhe vai alguma vez pegar. Não com aquelas tatuagens e aquela obsessão toda a transbordarem-lhe pelos poros (literalmente!).
Só espero que nenhuma força divina ou diabólica me castigue por este meu menos simpático pensamento e não me venha a reservar, num futuro a longo prazo, uma filha como ela.

domingo, 10 de março de 2013

O Bieber baldou-se

O QUÊ?!
O Justin Bieber cancelou um dos dois concertos que viria dar a Portugal?! Repitam lá isso outra vez...
A sério?!
Mas tipo... A SÉRIO??????

C'mon, ele é apenas mais uma estrela adolescente com o rei na barriga. Qual é a surpresa? Até parece que caiu um santo do altar...
Mentalizem-se: não vale a pena adorarem um ídolo musical como se adora um deus, muito menos se ele alega ter 19 anos quando até eu tenho mais barba (diria melhor buço) do que o garoto.
Os artistas só querem saber do dinheirinho deles, das casinhas deles, das famílias deles (quando calha) e da sua imagem pública. Eles estão-se pouco cagando - perdoem-me a expressão - para vocês, que lhes compram os álbuns em versão alargada mal eles são lançados, fazem fila para os seus concertos durante três dias ao frio e à chuva se for preciso, elaboram cartazes com declarações de amor em inglês duvidoso para agitarem no ar durante toda a noite e lhes deixam intermináveis mensagens e comentários no Facebook e no Youtube. Ainda por cima, num país tão "periférico" como Portugal (como é que vocês acham que os americanos nos vêem, ham?), já não é a primeira vez que somos desprezados por suas altezas, os fofuxos da indústria musical.
Portanto, toca a crescer e a gostar de música pela música, porque tem qualidade e merece ser valorizada, não porque vos é vendida a imagem de rapazes adolescentes cheios de maquilhagem e vestidos com swag. Verdadeiro estilo detêm os homens reais que, um dia, vos sustentarem o estômago e a gula, e a esses já vocês são capazes de vir a torcer o nariz.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

E o povo é que paga

A "segurança" de alguns dos membros do governo português - Passos Coelho em destaque, pois claro - e do Cavaco Silva foi reforçada com mais elementos efectivos. Despede-se a função pública e fazem-se cortes na defesa do país, mas há sempre dinheiro para zelar pelas tripas e pelos miolos dos fofos, só porque suas excelências têm medo das cada vez mais frequentes manifestações de descontentamento através da música "Grândola, vila morena" e das reacções que poderá despertar. Já sempre ouvi a minha avó dizer que quem tem cu, tem medo!

Pedro Passos Coelho

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Alvoroço na blogosfera portuguesa

Vem a caminho um pipoco arrumadinho. Ou um arrumadinho apipocado.
Agora é que isto se torna uma monarquia, já com direito a príncipe blogosférico e tudo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

É Carnaval e eu não vos levo a mal (nem vocês a mim)

Sendo o Facebook o portal sagrado para a coscuvilhice alheia e o pavoneamento socialmente obrigatório, já o meu mural de novas notícias se enche de fotos onde figuram meninas em trajes menores e brilhantes, sambando, ou adoráveis palhacinhos que em menos de um esgar assustariam o mais corajoso dos coulrofóbicos (tive de ir verificar esta palavra ao sábio Google, shame on me). 
E quem desdenha quer comprar, já me ensinava a minha professora da primária.
Até ao ano passado, só não festejei o Carnaval uma vez ou outra. Podia não ter um grande disfarce, mas munia-me sempre de papelinhos e serpentinas e ria-me e permitia-me ser pateta, mesmo que não o mostrasse nos restantes dias.
Este ano, chove, faz frio, venteja e só tenho é vontade de hibernar até meados de Março, altura em que se assistirá ao degelo do pára-brisas do carro, simbolizando o renascer de toda uma espécie de gente moribunda que até já implora por meia dúzia de raios de sol a meio da manhã - como eu. O que se recomenda por estes lados é arranjar um bom cobertor e andar a passear dentro do trajecto cama-sofá, de preferência, perto de uma lareira ou de um aquecedor, se é que nos levantemos de qualquer um deles. Benditas mini-férias!

Ao longo dos últimos dezasseis Carnavais, fui-me mascarando de palhaça, bailarina, fada, gato, bebé e, provavelmente, de um qualquer animal a que os meus pais acharam piada quando eu não estava plena das minhas capacidades reinvindicativas. Ao décimo sétimo, sou apenas Beatriz, a empijamada.

Badass clown em 2002.
Estão a ver aquela flor que tenho ao peito? Distantes vão os dias em que ela esguichava água... misteriosamente. MUAHAHAHA! (Coulrofóbicos, watch out!)