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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Do amor inquantificável

Texto escrito a 4 de Abril de 2013, quinta-feira...

Hoje, surgiu-me uma questão: até que ponto é que sabemos quantificar o que sentimos pelos outros? Eu acho que isso é, simplesmente, impossível. Acho que os sentimentos (e, em geral, as emoções), sendo algo imaterial, são inquantificáveis. É impensável, numa relação interpessoal, dizer quem gosta mais de quem. Haverá sempre maneiras diferentes de expressar o mesmo sentimento. Não podemos afirmar que amamos alguém a nível 20 e saber se a outra parte nos ama a nível 18, 19 ou 21. Podemos - e devemos - somente tentar demonstrá-lo através das nossas acções e comportamentos. Afinal, ninguém é igual a ninguém. Uns são mais dados ao afecto e/ou à explicitação verbal dos seus sentimentos; outros retraem-se mais. Mas a personalidade mais ou menos extrovertida de cada um não interferirá, em princípio, na intensidade do que sente.

segunda-feira, 18 de março de 2013

É o amor... (mas em português!)

Há qualquer coisa de muito dissimulado quando um português diz “I love you” a outro português. É como dizer “eu amo você”, mas ainda pior. Parece-me simplesmente que não faz sentido expressarmos os nossos sentimentos mais genuínos por meio de outra língua que não a nossa. Uma coisa é dizermos muitas expressões em inglês noutras conversas do dia-a-dia, por ser divertido e… sei lá. Totó. (You shall get my point!) Outra totalmente diferente é declararmos amor a alguém com um já muito gasto “I love you”, proferido por milhões de pessoas do pé para a mão, estampado em t-shirts comercializadas para turistas em todo o mundo (I love Lisbon! I love Portugal!), em bonés, malas, postais, publicações de Facebook…
Será que não nos chega o sincero “amo-te”, em bom português? Não será um “amo-te” ainda mais belo que quaisquer outras palavras, não soará ele tão humilde e curto, sem deixar de ser verdadeiro e sonante? Acrescentem-lhe um, dois, três pontos de exclamação e vejam se não fica maravilhoso: “amo-te!!!”. Haverá confissão mais bela de se ouvir ou de se ler? Mais um advérbio de modo, que há vários, e obteremos “amo-te muito!!!”, “amo-te bastante!!!”, ou até outras expressões lamechas como “amo-te daqui até à Lua, passando pelo Sol e voltando!!!”.
Para quê “i love you”? Nem o clássico do francês “je t’aime/je t’adore, mon amour!!!” bate o nosso “amo-te!!!”. Aposto que, tal como eu, vocês também acham o “ich liebe diech” (sem pontos de exclamação, assim em seco, como consta que são os alemães) demasiado rude para exprimir o que quer que seja, quanto mais amor!
E, tratando-se de chamar o “meu amor”, também prefiro que assim seja, pelo menos nas ocasiões mais sérias e cujo ambiente é mais sentimental, pedindo que se fale do fundo do coração (ei, que lamechice!), apesar de, por vezes, brincar um pouco com expressões inglesas e francesas (já que são as outras duas línguas que vou dominando).
Para descrever sentimentos, chega-me o português. Gosto mais assim!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma cena profunda, ...

... duas cenas profundas, três cenas profundas [...], cinco mil cenas profundas. Queria mesmo contar-vos cenas profundas, mas não vou além disto. Talvez ande a ficar insensível (poderá ser da idade?) e a tornar-me, progressivamente, num ser sem sentimentos, sem discernimento emocional... Ou não. Apenas já não sinto a mesma necessidade efusiva e incontrolável de escrever sobre lamechices, e amores e desamores, e encantos e desencantos que sentia há um, dois, três anos. Ah, que saudades que não tenho desses tempos! (E escrevendo sobre não os escrever não estarei a escrever sobre eles?!) Se quiserem conhecer melhor essa minha triste face/fase, consultem as primeiras publicações procrastinadoras. Se, por outro lado, a ignorância é o melhor caminho (acreditem que é!), não se atrevam a regredir mais de doze meses no arquivo blogosférico (até porque algumas das publicações ainda estão por copiar do endereço no Sapo).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

inteligência emocional

Fiz este teste (que, provavelmente, nem sequer é grande coisa) e, mais de 146 respostas depois, descobri que o meu Q.I. de inteligência é de 70% - ou seja, sou 30% burra nesse campo. Esperei pior, até. O resumo atribuído foi este:

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

parem lá com isso, hormonas

   Ao contrário do que vos possa ter parecido na última publicação, a minha pessoa já sofreu mais com dores do foro amoroso do que do menstrual, portanto, não se preocupem, que eu sou quase tão normal quanto as restantes pessoas do mundo.

   No entanto, coiso e tal, isto de se ser adolescente e não se ter uma pilinha também custa, porque, como é certo e sabido (cof, cof) as miúdas são as que sofrem mais, mesmo depois da puberdade. Graças a este milagre a que se chama "multiplicar o povo", desde tenra idade que somos obrigadas a aguentar longas jornadas de sofrimento físico, enquanto nos esvaímos em sangue. É nojento, para quem, dos que lêem, não padece do milagre feminino, mas é verídico e, como criatura deste mundo, eu tinha de me queixar da maldita menstruação. E a verdade é que me sinto ridícula a queixar-me de algo tão banal. Passemos ao parágrafo seguinte...

   O pior não é, nem de perto, a menstruação e as dores que causa, antes e durante a sua aparição. O pior nem chegam a ser as borbulhas, porque o pior dos piores são as oscilações de humor.

   Durante um ciclo menstrual, sou capaz de experimentar mais sentimentos, estados de espírito e tendências emocionais do que um pato em toda a sua vida. Só hoje já experimentei mais do que os que uma mosca alguma vez conseguiria em cinco existências. Já me senti motivada para o estudo, já me senti eufórica, já me senti triste, fragilizada, enjoada, com dores de cabeça, sem dores de cabeça, esfomeada, abananada, aparvalhada, infantil, sexy e desmazelada, e isto é só uma amostra!

   Porém, depois de por tanto passar, continuo a não perceber como é que há raparigas que só sabem lamentar o facto de que se ser mulher dá muito trabalho, porque nós é que parimos, nós é que criamos (muitas das vezes) os filhos, nós é que temos o período e blá blá blá, porque, para mim, ser o que sou tem bastante piada. Claro que ser-se homem/rapaz/ter-se pilinha anyways deve ser igualmente divertido, mas, mesmo só por acaso, eu gosto de ter nascido miúda - até porque o meu pai queria uma (acho que já se arrependeu).

   Quero lá saber dos dramas femininos. Só tenho pena de não ter umas maminhas maiores.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

vade retro, caramba!

Sabem o que é que me irrita? Amigos desconsolados com o amor. E não falo da generalidade deles, mas sim uma ínfima parte que teima em auto comiserar-se, como se fossem os primeiros a sofrer de males do género - melhor: como se fosse a primeira vez que eles próprios os sofrem. Ai, coitadinho de mim, que a minha namorada não me liga; ai, coitadinho de mim, que acabei com ela; ai, coitadinho de mim, que me vieram dizer que ela é isto e aquilo e que eu sou aquilo e isto! É que, intencionalmente ou não, este estado de convalescença emocional prejudica involuntariamente o nosso estado de espírito (afinal, um amigo nosso está a sofrer, seja pelo que for, e não temos como ajudá-lo = FRUSTRAÇÃO TOTAL = I SUCK AT BEING A GOOD FRIEND) e, além disso, prejudica a nossa amizade, porque deixamos (nós e o resto do mundo) de estar na lista de prioridades imediatas do "sofredor". Falo por mim, que não tenho jeito nenhum para consolar pessoas inconsoláveis, e mesmo as consoláveis são um caso que sai caro. Não tenho tema de conversa para elas. Mas que hei-de eu fazer? São os meus freaking friends! Agora, são eles e, amanhã, por muito que me custe admitir, poderei ser eu a estar embandeirada no cimo do monte dos totós que sofrem do coração (não necessariamente no sentido cardiológico) ou de outra porcaria qualquer. Já passei pela mesma situação, já me considerei uma imbecil e tive pena de mim própria e... quem sabe se, num futuro mais ou menos longínquo (muito), não voltará a acontecer? Portanto, terei de cumprir a minha quota parte de consolos inconsoláveis em prol de equilibrar o universo e como forma de agradecimento pelo que todos os que penaram por mim anteriormente aguentaram (mais uma vez, obrigada, criaturas que trataram bem de mim em momentos infelizes, ao invés de me esquartejarem e espancarem até eu ganhar juízo, como bem merecia).

 

Sabem o que é que me irrita? Amigos desconsolados com o amor. Tragam-me quem os deixou assim que eu digo-lhes o que é bom para a saúde. Porque quem mexe com eles, mexe comigo!


(E, amigos auto-comiseradores, A VIDA É BELA E AMARELA! Deixem-se disso, pá!)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

saudades, saudades, saudades

   Bichos na barriga que, lá dentro, as borboletas destoam. Permanentes insónias que se arrastam em dias dormentes, porque as horas passam e foram só cinco minutos, afinal, que brincadeira é esta? São livros que se lêem com metade do prazer, músicas que nos dizem tudo sem lhes pedirmos nada e pessoas que nos falam mas que nós não ouvimos. Da impaciência, a comichão irracional. Esfregamos as unhas na pele, como se melhorasse, arranhando-nos porque sim, não há mais que fazer neste mundo sem cor. Ligamos a televisão, anestesiados pelo correr dos canais, séries que nunca vimos antes, programas que desprezamos, apresentadores maquilhados que se enganam a ler o ponto. Olhamos para o relógio e o ponteiro nem se moveu. Desarrumamos com o intuito de arrumar, olhamos pela janela para contemplar qualquer coisa que não chegamos a conhecer, procuramos o que descoberto está - por vezes, descobrimos o que procuramos.

   Já está na hora?

   Sim.

   Vale sempre a pena esperar.