domingo, 4 de novembro de 2012

é de iniciativa que este país precisa!

A combinar com o actual estado do país, com esta conjuntura caótica, encontramo-nos na época mais pessimista desde que nasci - e isso já é mais que uma década e meia! Falta ânimo ao pessoal, e com muita razão, os jovens pensam logo em emigrar antes sequer de acabarem os seus cursos, alguns até vão estudar para fora se tiverem dinheiro para tal, são mais o desempregados que as mães, não há condições de trabalho para os que o têm, está-se mesmo a ver que não vai haver reformas para ninguém nos próximos milhentos anos, não há esperança, etc, etc, etc, vocês vivem no mesmo país que eu e sabem como é.

Ainda assim, o que é de louvar aos céus, existem pessoas que são capazes de levantar a cabeça e ter INICIATIVA - já que os responsáveis por esta grande borrada nacional/internacional/MUNDIAL não a têm. Um desses exemplos de gente que vai à luta chama-se Sofia Mesquita e arranjou uma maneira surpreendentemente criativa para procurar trabalho. Achei brilhante! Ora dêem uma vista de olhos:

 

é só para avisar que...

A par da publicação anterior, não existe - pelo menos, neste blogue - nenhuma que se chame "Gosto" ou "Gosto #1", ao contrário do que eu pensava, dado que, despassarada como sou, nunca cheguei a publicar a primeira parte, apesar de a ter escrito em Agosto. Portanto, essa fica prometida para um destes dias! Se eu me esquecer, relembrem-me!

 

No entanto, este é o link para o "Não gosto".

gosto #2

   Gosto do Inverno. Gosto de estar perto do aquecedor e aí permanecer, sem um objectivo em vista, e gosto de não ter as mãos geladas, como sempre acontece seis meses por ano. Gosto de ficar na cama a ler ou a escrever ou, quem sabe, até sem fazer nada. Gosto de estar, somente.

   Gosto do céu escuro e enevoado, em tons de cinzento, como se alguém o tivesse sujado com pegadas gigantes, enquanto o observo pela janela. Talvez chova, e eu gosto da chuva que cai a menos de um metro da minha cabeça, no telhado, porque a ouço crepitar e escorrer. Gosto que o meu quarto seja no sótão.

   Gosto do tamanho da minha casa que, em comparação à maioria das casas que conheço, até é grande. Gosto de saber que é espaçosa e que, um dia, talvez os meus filhos brinquem onde eu escrevo estas palavras, neste preciso instante, a determinada altura da minha adolescência.

    Mas, por agora, gosto de ter a minha idade, os meus sonhos e os meus pseudo-problemas. Até chego a gostar dos dramas desnecessários que, por vezes, crio! Fazem parte do momento… Gosto de não ter preocupações maiores, gosto de imaginar o futuro e, simultaneamente, adorar o presente, mantendo aceso o passado.

   Gosto de ter o tempo de que preciso para ser feliz. Gosto de sentir que poucas são as vezes em que não estou satisfeita comigo mesma e que não tenho o que quero. Eu gosto de alcançar aquilo para que luto, eu gosto da sensação de ser recompensada pelo meu esforço e gosto de ser elogiada – afinal, quem não gosta? Gosto de ficar a olhar para um trabalho quando o acabo e de me congratular pela minha persistência, tal como gosto de perder e saber que, mesmo assim, ganhei. Gosto de dizer isso às pessoas e de as incentivar a serem positivas.

   Gosto de não ser pessimista, apesar de não me considerar completamente optimista. Gosto, de vez em quando, de não ser realista. Enfim, gosto do ânimo que uma fantasia me consegue trazer.

   Sem nenhum motivo específico, porque motivos não me faltam, gosto de me orgulhar de mim própria, da minha família e dos meus amigos. E gosto de não ser sempre orgulhosa! Mas também gosto dos meus momentos de egocentrismo, porque eles fazem bem ao ego! (E gosto da elasticidade do meu, que passa a vida a esticar e a encolher, conforme as exigências exteriores.)

   Gosto do meu blogue e dos comentários que me enviam. Gosto de escrever, sabendo que alguém lerá e apreciará o que faço. Ao final de um qualquer dia, mais ou menos satisfatório, gosto de verificar o meu contador de visitas e saber que X pessoas passaram um segundo da sua vida que fosse a olhar para o cabeçalho – “procrastinar também é viver”. Estariam elas próprias a procrastinar?

   E, como é óbvio, gosto muito de pessoas. Poderia dizer que as adoro, mas não é esse o título. Gosto de as observar, de as perscrutar e de as conhecer. Depois, gosto de saber no que pensam e o que esperam da vida. Jamais deixarei de gostar de pessoas. É delas que gosto mais, acima de tudo.

sábado, 3 de novembro de 2012

chamem-lhe contracepção caseira (ou coisas em que penso quando estou prestes a adormecer)

Se, nos próximos dez anos, eu tiver um filho, obriguem-me a chamar-lhe Ernesto; se for filha, que seja Florinda.

Com nomes tão feios, uma pessoa quase cai na tentação da abstinência.

dos outros #12

"Where there is desire, there is gonna be a flame. Where there is a flame, someone's about to get burnt. But just because it burns, doesn't mean you're gonna die. You gotta get up and try..." [Try, Pink, 2012]

faz parte

   Mudamos de penteado, mudamos de e-mail, mudamos de meias. De vez em quando, gostamos de mudar de ares, conhecendo novos sítios e revisitando os antigos. Noutras alturas, cansamo-nos do que não nos interessa, abandonamos velhos hábitos e desistimos de certos desafios. Ao fim e ao cabo, achamos que toda a nossa vida é feita de metamorfoses constantes, umas rápidas, outras mais subtis, que nos levam à circunstância desconhecida que, mais tarde, será o agora.

   E os amigos? Esses já não os trocamos ou, pelo menos, não deveríamos trocar. No entanto, é inevitável que tal vá acontecendo.

   É a vida…

   Não vou negar que existem por aí muitas amizades com prazo de validade. Talvez eu tenha algumas, mas, evidentemente, diferencio-as das que não o têm, categorizando-as: são as amizades por conveniência, as que nos interessam em determinado momento. E não me venham com moralismos, coisa nenhuma! Quem é que, a dada altura, não deixou de falar com o amigo X ou Y porque assim aconteceu, sem ressentimentos nem causas específicas? Parabéns – vocês já tiveram uma amizade por conveniência. Não lhe atribuam essa qualidade pejorativamente! Nem sempre podemos ter os nossos amigos-de-sempre-e-para-sempre por perto. Acontece…

   Porém, lamento alguns “amigos” que fui perdendo pelos motivos mais patéticos. Às vezes, ainda dou por mim a perguntar-me como estarão e qual as decisões que vão tomando, se têm passado bem, se também se vão recordando de mim ou se, por outro lado, querem é ver-me bem morta e enterrada (ei, não julgo ninguém!).

   Ainda assim, lembro-me deles principalmente porque, como já mencionei, as verdadeiras amizades não se deviam perder do pé para a mão. E é aí que o bom senso se me refresca: talvez tenham sido apenas meias mentiras e, apesar de o serem, não têm de constituir um drama descomunal. Se não deu, não deu - o que não impede que, numa ocasião ou noutra, sintamos uma qualquer nostalgia ou saudade.

   Faz parte…

não estávamos ainda em Novembro?

Hoje, fui ao El Corte Inglés. Do tecto já pendiam grinaldas e decorações que tais, douradas, prateadas e "Feliz Natal!", "Merry Christmas!", fazendo-me temer, por momentos, ouvir os jingles natalícios, com publicidade festiva à mistura. Mas esses também não devem tardar. Esperem até à próxima semana e depois digam-me se a coisa já não chegou a esse ponto!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

não é preciso título

Enquanto me penteio em frente do espelho, penso "invejo tanto aquelas pessoas com sobrancelhas bem delineadas e com aparência sólida".

sou uma adoradora de bebés

Como tal, enterneci-me com a filha da Pink.

não morram, compatriotas... não morram!

O feriado do 1 de Novembro, bastante concorrido para visitar as campas dos nossos entes falecidos, já não o vai ser, a partir do próximo ano. Os subsídios de morte foram cortados em 50%. Com esta crise, já nem há dinheiro para comprar um raminho de flores para decorar as sepulturas. O número de cremações tem aumentado imenso, porque... bem, é mais económico despejar as cinzas para um jarro Made In China e metê-lo, vejamos, em cima da lareira (o habitual cliché dos defuntos) do que comprar um caixão Made In Portugal, o que implica, supostamente, o aluguer ou compra de um espaço extra no cemitério. Portanto, compatriotas... não morram. Feitas as contas, permanecer vivo ainda é mais viável.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

halloween? não, que isso dá muito trabalho

No ano passado, fui com uns amigos a uma festa de Halloween aqui na zona. A entrada era só 1€ e até nos divertimos. [Consequências de continuar amiga do meu ex-namorado: mascarei-me de pseudo-diaba e ele questionou-me sobre quem me havia posto os cornos; respondi-lhe que ele lá saberia a resposta.] Tirámos muitas fotos aparvalhadas e passámos um bom bocado.
Este ano, comecei a combinar com outros amigos ir a essa mesma festa, só que pelo dobro do preço - 2€ - porque, afinal, a crise toca a todos. Começaria às 22h. Ao fim da tarde, ainda ninguém tinha a certeza se iria. Então, caí em mim: eu nem gosto de festas. Eu nem gosto de sair à noite. Eu nem sequer me sinto capaz de ir procurar os disfarces aos confins de um qualquer armário cá de casa. Eu nem sequer estou a precisar de descansar até amanhã de manhã (momento em que atacarei novamente os livros) nem nada. Foi nesse glorioso momento que me apercebi da vontade que tinha em ficar em casa, debaixo do quentinho de muita roupa feia mas confortável, cabelo despenteado, a recordar os filmes do canal Disney Channel que me marcaram no princípio da adolescência com a minha vizinha-amiga, com quem os partilhei desde sempre. Anulei todos os planos atrás mencionados.
Meus caros, sou uma jovem que já se sente velha antes de deixar de ser nova. Mais uma vez, sou estranha... mas incrivelmente feliz. 
PROVA:
 Sim, já sei que sou horrível. E mais fotos não mostro.

o dito candidato a êxito musical sobre que escrevi ontem


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<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><strong>LETRA:</strong></div>
<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><strong>"</strong>Se o país aguenta mais austeridade...?</div>
<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;">Ai aguenta, aguenta... (bis)<strong>"</strong></div>

je suis too sleepy

Na prática do atletismo, recomendam-nos sempre que não comecemos logo desde o princípio da corrida a full gas, dando tudo por tudo, porque, mais cedo ou mais tarde, estaremos mas é a dar os bofes pela boca, sem termos chegado sequer a meio do percurso. O mesmo se deve aplicar ao estudo durante o ano lectivo. Eu não gosto muito de correr, a menos que seja atrás de uma boa nota a Educação Física ou me ache demasiado fora de forma, mas comecei a habituar-me a estudar quase todos os dias, o que me tem deixado de rastos, principalmente agora, que os testes começam a suceder-se uns aos outros e, os livros, a amontoarem-se em filas de espera. Só nesta última semana tenho notado mais no desgaste físico a que me tenho sujeitado: após acordar, só consigo trabalhar intelectualmente a 100% durante as três horas seguintes. Ora, eu passo cerca de dezasseis horas acordada por dia, durmindo outras sete ou oito, pelo menos, o que não rende muito. Ainda assim, como sou um bocadinho masoquista, continuo a acumular actividades: além do "banal" 12º ano e a necessidade de obter notas que me proporcionem uma bolsa de estudo para o primeiro ano da universidade, tenho aulas na Alliance Française uma a duas vezes por semana, sou animadora da Fórum Estudante, tenho uma banda com alguns colegas, dou explicações a um amigo, estou a fazer melhoria a Filosofia de 11º, ando a estudar para o exame de Inglês avançado, mantenho este blogue actualizado todos os dias e, mais recentemente, como sou pouco activa (que é como quem diz "salvem-me, sou viciada em trabalho"), assumi algumas responsabilidades no ainda-não-formado clube de Política do meu professor de Psicologia - até porque é algo que me interessa verdadeiramente e que acredito que me poderá motivar (mais). Parece que nunca estou satisfeita com o que já faço, o que me leva a este momento de exaspero, por mal ter tempo para escrever com a cabeça no sítio, sobre assuntos mais consistentes e susceptíveis de reflexão do que a minha alegre vida de workaholic. O "pior" é que, no final do dia, eu não seria tão feliz quanto sou se só me entregasse a metade daquilo a que me entrego. E pronto, sou feliz (ainda que, com esta tensão toda, a minha dor no pescoço tenha piorado).

terça-feira, 30 de outubro de 2012

a célebre frase daquele economista muito famoso... ah, sim, o Fernando Ulrich

Quase poderia ser a letra de uma música popular muito conhecida. Com alguma sorte, poderia ser a de uma música cantada pela Madonna. No entanto "Se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta...!" foi apenas mais uma frase extremamente infeliz dita por alguém que merecia qualquer coisa não menos grave do que uma valente bofa na boca, ou seja, pelo Fernando Ulrich, o presidente executivo do BPI. Apesar da minha ingénua e, talvez, pretensiosa idade, sinto-me curiosamente à vontade para lhe atribuir a qualidade de traste e pedir desesperadamente que nunca mais ninguém o deixe falar em público. Isto é, a menos que a opinião de sua excelência se baseie nalgum dado que desconheço como, por exemplo, que será da generosidade do seu bolso que os portugueses serão alimentados durante os próximos dez a vinte anos. É só uma ideia...

(Por acaso, eu e o Sr. Ulrich temos uma característica em comum: nenhum de nós é licenciado.)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

a dor de corno e a interesseirice

   Estou rodeada de cor de corno desde o miolo até à carapaça. Gostam muito de falar mal do que eu digo, do que eu faço, do que eu sou ou poderia deixar de ser, mas, no final de contas, continuam a adorar aproveitar-se de mim.

   Evidentemente, existe sempre quem me odeie e ponto final, que se há de fazer?, e considero-o legítimo, desde que me odeiem pura e verdadeiramente e não que apenas sintam uma comichãozinha causada pelas minhas irritantes inspirações e expirações que me permitem continuar a viver dia após dia, apesar de alegarem tratar-se muito mais do que isso.

   Tenho a perfeita noção de que são muito poucas as pessoas que gostam verdadeiramente de mim. Reconheço que sou uma pessoa extremamente fácil de odiar e extremamente difícil de amar, porque tenho um feitio complicado, não sei estar calada, sou demasiado sarcástica e nem sempre sou entendida como, penso eu, do alto do meu inchadíssimo ego (sarcasmo, outra vez, viram?), deveria ser. Ainda assim, insisto em ser como sou, esta criatura aparvalhada e casmurra de quem muita gente tem dor de corno e cotovelo ou, por outro lado, que muita gente odeia e ponto final.

   E não é que prefiro que me odeiem e se deixem de mariquices do que serem uns parvos de uns maricas que não se decidem se preferem ignorar-me ou usar-me?! É que é mesmo curioso, o meu caso!

   Digo isto com alguma confiança, meus caros, porque me costumo apanhar em certas situações que de confortáveis não têm nada, graças à indecisão de umas quantas pessoas minhas conhecidas.

   Porque, se querem saber, há pessoas que conseguem gostar de mim numas circunstâncias e praguejar contra mim noutras. Foi algo que sempre me tem acontecido, tanto aos oito, como aos catorze ou aos dezassete. Hei-de ter setenta e há-de ser a mesmíssima coisa!

   Conheço determinadas pessoas que, por muito mal que pensem e falem de mim, insistem em fazer-se de simpáticas quando a ocasião a tal obriga. Precisam de favores meus? Precisam de informações? Precisam de conselhos? Precisam de seja o que for que lhes dê na cabeça? ‘Bora ser querido para a Beatriz! E quando não precisam?! ‘Bora ser uma cambada de maldizentes e haters e eternos descontentes com o facto de terem de conviver com ela e de saber que está viva e de boa saúde!

   A isso, chamo eu de interesseirice, com toda a força da minha alma, com toda a força do meu inchadíssimo ego, tão odiado por quem é obrigado a levar com ele!

   Não querendo abusar da minha já conhecida falta de humildade, começo a pensar em levar esta interesseirice como um elogio, obrigada, obrigada. Se há quem precise de mim, ainda que apenas pontualmente, talvez eu não seja assim tão má - talvez eu até seja mais ou menos boazinha, mais ou menos querida pelos que me rodeiam.

   E é desta maneira que se acende uma pequena chama de esperança dentro da confiança que é batida e rebatida pelos que menos me prezam; é desta maneira que, do fundo do poço das pessoas mais malditas em Portugal (apenas ultrapassada pela Pipoca Mais Doce e pelos membros Governo), eu começo a entrever uma escada de salvação uns metros acima; é desta maneira que, raios me partam, eu sei que, muitas das vezes, o que me nutrem não passa de dor de corno (poderia chamar-lhe “dor de cotovelo”, mas adoro manifestar por escrito a ufana brejeirice que não sou capaz de adaptar à língua).

   Para finalizar, como se aperceberam, vim por este meio suplicar que me odeiem a bom odiar, que maldigam o meu nome cinquenta vezes antes de adormecerem, que me roguem as piores pragas de que se lembrarem, mas que me deixem em paz, sem que eu me sinta necessária neste mundo. Eu já percebi que só me querem viva quando convém! Parem de me pedir favores, parem de me elogiar indirectamente, parem de me fazer sentir fantástica! (Oh p’ra ela, toda cheia de si própria!) É que isto de se ser levada por otariamente ingénua é um bocado insultuoso demais! Arre!

 

(A esta publicação, adapta-se perfeitamente a música abaixo publicada, "Scratch My Back", da Aurea.)

aquele momento em que fazes... porcaria

Não sou racista nem nada (ei, aqui escreve uma metade asiática cuja pele é amarelada), mas acabei de confundir uma actualização de estado do Facebook de uma colega minha com a de outra colega (com quem não falo há sensivelmente ano e meio) devido às semelhanças das suas fotos de perfil e... à tonalidade assim para o escurinha de ambas. Sim, sou uma pessoa horrível - e já apaguei o tal comentário, antes que a rapariga o visse e me achasse louca por tal familiaridade ao fim de tanto tempo sem lhe dirigir a palavra.

 

Porém, dado dois mais dois serem quatro e eu ser irrevocavelmente (aprendi esta palavra com a Stephenie Meyer) chonada da cabeça, avisei-vos acerca da mudança de hora, mas eu própria não tomei as precauções necessárias contra o absurdo acontecimento desta manhã. Pois que acorda sua excelência com a loucura suprema do toque foleirão do seu telemóvel pré-histórico, rende-se às evidências de mais uma segunda-feira em perspectiva e levanta-se, já cansada de ter nascido como tal. É certo que me apercebi da casa demasiado adormecida, mas, parvalhona e ensonada que só eu, ponho-me a jeito no meio do corredor a gritar "ENTÃO E HOJE NINGUÉM ACORDA, NÃO?". Resposta de pessoa que me poderia rogar uma boa e eloquente praga, não fosse minha avó: "MAS AINDA NÃO SÃO SETE!". É que, meus caros, eu até gosto da tecnologia por me safar de inúmeras tarefas desagradáveis do dia-a-dia (obrigada, pessoa que inventou as máquinas-de-lavar!). O pior é que, dois anos decorridos, ainda não me habituei à ideia de que não tenho dinheiro - nem falta de senso suficiente, perdoa-me, sociedade consumista - para esbanjar dinheiro num telemóvel inteligente, que altere as horas por si próprio. Como já devem ter entendido, do ponto de vista do acima mencionado dispositivo electrónico de segunda geração, já eram sete horas da manhã, enquanto, na realidade, ainda eram seis.

Castigo: dormir menos uma hora do que me seria permitido.

domingo, 28 de outubro de 2012

cada parvo tem a sua mania

   Podemos ter várias manias a nível material. Há quem tenha a mania da roupa, há quem tenha a mania dos selos, a mania dos postais, a mania das canetas e do material escolar, a mania dos vernizes, a mania dos bibelôs – enfim, uma data delas. Já eu tenho a mania dos livros.

   Em primeiro lugar, sempre gostei muito de ler. Mas, se há algo que ainda prefiro a ler é ter montes de livros, mesmo que só os leia anos e anos depois de os adquirir ou, ainda mais drástico, mesmo que nunca os chegue a ler. Penso que esta propensão terá uma forte origem hereditária ou, pelo menos, terá muito a ver com a maneira como fui criada. Toda a minha família é apologista dos livros enquanto património intelectual e enquanto meio de satisfação. Tal como os viciados em droga precisam de uma dose de tanto em tanto tempo, ou os alcoólicos precisam de um copo de qualquer coisa bem forte pela manhã, nós também temos uma necessidade inconsciente e constante de adquirir mais e mais livros.

   E assim se perpetua esta mania que, espero eu, um dia passarei aos meus filhos. Quero que consigam olhar para um livro e dar-lhe o devido valor. Espero que não sejam como muitas pessoas que conheço que, além de serem indiferentes à cultura, ainda a conseguem desprezar. Não me incomoda quem simplesmente não se identifica nem demonstra interesse pelos livros, tal como eu não me interesso por jogos de computador ou artes plásticas. Incomoda-me somente que se desvalorize algo tão importante quando um “mero” amontoado de folhas que, ao fim e ao cabo, são a chave do conhecimento como o concebemos.

   Os livros, além de serem o nosso mundo, são outros tantos, uns mais familiares do que outros, uns reais e outros a fingir.

pré-adolescência na rádio

Hoje, a programação da Cidade FM é toda sobre o Verão de 2007. Neste momento, estou a ouvir a "Push It To The Limit" do Corbin Bleu e a perguntar-me desde quando é que a Disney deixou de ser fixe e de passar na rádio. É que não foi assim há tanto tempo que rebentou o fenómeno do High School Musical! Como ele, já não se farão mais êxitos cine-televisivos nos próximos tempos. Agora, é só Lemounades Mouths, entre outros filmes  sem graça, cada um sendo a cópia do anterior. Até parece que queremos todos ser cantores e dançarinos e... patetas.

alarme humano, trim trim!

Espero que não se tenham esquecido de atrasar o relógio uma hora. E espero que se tenham dado ao luxo de dormir mais uma. Não é todos os dias que o podem fazer!

Em caso de dúvida, são 10h30 neste momento.

werewolf vs. animagus

Poderia ter-me limitado a partilhar esta imagem no Facebook, mas, desta vez, pareceu-me bastante adequado partilhá-la aqui. A sabedoria de Sir Severus Snape continua a deslumbrar-me. Filho da mãe sabichão e arrogante...! E prova-se que a saga Harry Potter é de tal modo genial que os conhecimentos do seu mundo se aplicam a outras sagas! Fantástico!

sábado, 27 de outubro de 2012

"let's type words, 'cause they amount to nothing"

dias como o de hoje

Sinto permanentemente a falta de dias como o de hoje. Surgem como um sonho de manhã cedo, acordando-nos com as suas energias positivas e a promessa de mais um pedaço de vida produtivo para a nossa existência. Sorriem-nos e nós sorrimos para eles. Eu, pelo menos, sorri para o meu. Puxou-me da cama, entusiasmado, empurrou-me pela casa fora, fez-me companhia. Nem todos os dias nos fazem companhia! Por vezes, passam por nós, sem se deixar observar. Hoje não está a ser o caso. Hoje está a ser generoso para mim e eu estou a sê-lo de volta para ele. Somos parceiros: eu dou-lhe um sentido e ele dá-me um pouco mais de si. Fosse assim tudo na vida!

Vou ter saudades. Apetece-me agarrá-lo entre os dedos, não fujas, mas as horas passam e não regressam.

Hoje, vi-o.

winter wishlist (ou "uma breve vista de olhos pelo site da Bershka")

Casaco, 59,99€

 

Camisola, 25,99€

 

(E poucas mais peças existiam para quem queira fazer frente ao Inverno vigoroso que aí vem.)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

dos outros #11 [e quem fala assim não é gago!]

" O amor é que é essencial.

O sexo é só um acidente.

Pode ser igual

Ou diferente.

O homem não é um animal:

É uma carne inteligente

Embora às vezes doente. "

Fernando Pessoa [1935]

desagradabilidades

Comecei a manhã a torcer o pescoço, sabe-se lá como, nem sequer estando a fazer esforço muscular. Dei cabo dos tendões, que só os ouvi gritarem inusitadamente crrrr (rasgão?). Dez minutos depois, pisei em palmilhas de meias uma poça de chichi na cozinha, culpa de um dos meus cães, que anda a sofrer uma horrível crise de incontinência, maior que a das finanças portuguesas. Como quem não quer a coisa, cheguei à escola para imprimir um trabalho a entregar logo a seguir, mas não havia sistema informático disponível em lado nenhum, impossibilitando a simples ligação de um computador a uma impressora. Cada vez mais aflita do pescoço, telefonei à minha avó para me vir buscar antes da segunda e última aula, tamanha era a dor. Esperei por ela no café, onde supus que, através da montra veria passar o carro. Infelizmente, a minha rica avó havia decidido aparecer pelo outro lado da rua e estacionado fora do meu ângulo de visão. Quando dei por ela, levei um sermão de virar bicho. Ainda por cima, parece que estava demasiado bem disposta para quem não conseguia aguentar nem mais uma aula com o pescoço dorido (esqueci-me de chorar e gritar e esventrar-me toda em público, pela estúpida de uma lesão muscular - fica para a próxima!).

 

Uma massagem que me ia arrancando o ombro do resto do corpo e um adesivo que, alegadamente, conserva o calor depois, permaneço incapaz de me coçar, de olhar para direita, de me sentar confortavelmente ou de acenar com a cabeça. Parvalhão do músculo, para não lhe chamar um nome menos agradável. 

(E deu-me para a nostalgia queeniana.)