domingo, 7 de abril de 2013

Aos procrastinadores

I find it hard to talk about myself. I’m always tripped up by the eternal who am I? paradox. Sure, no one knows as much pure data about me as me. But when I talk about myself, all sorts of other factors – values, standards, my own limitations as an observer – make me, the narrator, select and eliminate things about me, the narratee. I’ve always been disturbed by the thought that I’m not painting a very objective picture of myself.

Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart



Sou, sem dúvida alguma, uma daquelas pessoas que gosta de falar sobre si própria. Espero que não me interpretem como egocêntrica, egoísta ou arrogante. Afinal, toda a gente que goste minimamente de uma pessoa também gosta de falar sobre ela. Pois, e eu gosto de falar sobre mim (ou de escrever sobre mim, neste caso). Por isso é que tenho um blogue: para escrever sobre mim, sobre o que me rodeia, sobre as pessoas de quem eu gosto, e para dar a minha opinião. É mais ou menos isso.
Deste modo, prossigamos.

Quem sou eu?
Acho que tenho uma profunda falta de tacto para me descrever, sarcasmos à parte. Poderei contar-vos, em primeiro lugar, que possuo uma mente extremamente curiosa e crítica. Sou uma perfeccionista maluca, quase paranóica, principalmente comigo própria. Isto costuma acontecer a muito boa gente, pelo que não há aqui nada de anormal. Nem os meus genes asiáticos (50%), de diversas origens geográficas, me doaram inteligência asiática suficiente para compensar os meus genes portugueses (os outros 50%) que me acabaram por me caracterizar com a preguiça portuguesa. Mas, esquecendo os ditos estereótipos, sou uma boa rapariga. Pelo menos, é o que a minha avó me diz e eu acredito, porque me convém – e começa o sarcasmo!

Já lá vão dezoito anos e meio desde que os meus pais me conceberam, meço 1,69 cm (riam-se lá do número, vá), peso 46,5kg e o meu Índice de Massa Corporal é 18 ou 19.

O meu sonho de criança é ser escritora. O meu sonho adulto é não deixar de ter o meu sonho de criança, mesmo que conjugado com um emprego de gente crescida (professora, editora, tradutora, jornalista, caixa num supermercado…).

Gosto de viver um dia de cada vez, a pensar num futuro a médio prazo, mas a aproveitar o presente e a tentar ter o maior número de experiências possível.

Se o meu país me deixar (que é como quem diz se me derem uma bolsa de estudo), vou para a universidade em Setembro!!!

Gosto de ler e de escrever, de ouvir música, de cantar e, quando calha, de tocar guitarra. Recentemente, descobri que gosto de cozinhar – coisas que vêm com o aproximar da idade adulta, enfim. Não sou diferente das outras pessoas ao ponto de preferir o Inverno ao Verão, mas escolho a Primavera e o Outono como minhas estações de eleição.
Literariamente falando, não tenho nenhum escritor favorito. Recentemente, descobri Bocage, Pessoa e Saramago e, até agora, temo-nos dado todos que nem uma maravilha.
Não tenho nenhum piercing, nem tatuagem, nem fetiche estranho com pés ou outras partes desagradáveis do corpo humano. Só pinto as unhas de cores berrantes. Quando tenho tempo e paciência, maquilho-me… fracamente.

Escrevo recorrentemente sobre as pessoas da minha vida: a minha família, os meus amigos e o meu namorado.

Prazer em conhecer-te. Já te disse que me chamo Beatriz? :)

Queridos, saí na revista!


Olá, bom dia, caros procrastinadores por esse mundo fora!

Quero partilhar convosco a nova vitória deste blogue e, consequentemente, como não poderia deixar de ser, uma igual vitória para mim também. Hoje, figuro em destaque no artigo "Adolescentes sem papas na língua" da revista Domingo (suplemento do Correio da Manhã), tal como outros jovens que continuam a intervir e a dar a sua opinião na blogosfera e nas redes sociais. Este artigo foi escrito pela jornalista Marta Martins Silva, a quem não poderia deixar de agradecer, e as fotos são da autoria do Bruno Colaço.

Esta foi uma inegável oportunidade para a divulgação do blogue e, claro, de reconhecimento. Esta tornou-se mais um desses eventos pontuais na juventude de alguém que lhe permite sentir uma motivação inexplicável para as adversidades que se lhe poderão apresentar no futuro - falo por mim.

Todas as reproduções do que disse e escrevi estão fiéis ao original e, como nem é assim tão habitual nos meios de comunicação, os jovens são elevados a um estatuto digno de futuros cidadãos do seu país. Afinal, ainda existem alguns que se preocupam, que têm opinião e que, apesar das "futilidades" inerentes à sua faixa etária, estão conscientes do que se passa na comunidade a que pertencem, tentando marcar uma pequena diferença, a sua diferença.

Portanto, agradeço, como já referi, o reconhecimento e a oportunidade de mostrar o que valho, pelo menos enquanto autora deste blogue. No momento em que fui contactada para ser entrevistada, não esperei que a minha intervenção tomasse esta dimensão na revista - nem nesse momento nem até ver pelos meus próprios olhos!

Obrigada à Marta Martins Silva, ao Bruno Colaço, aos procrastinadores que não se importam de o ser e a todas as outras pessoas que me servem de inspiração e que me motivam - a minha família, aos meus amigos, ao Ricardo.

Bom fim-de-semana!


***

Aqui fica o índice e o artigo, que também poderão ver e descarregar na página de Facebook do blogue. Já agora... eu sou a miúda do cachecol verde: Beatriz, a procrastinadora.






NOTA: eu sei que, se calhar, estou a festejar de uma maneira muito efusiva, mas dêem-me um desconto, que isto já me passa! :)

sábado, 6 de abril de 2013

Também tenho um amigo que demora duas vidas a arranjar-se, por isso não digam que são só as mulheres!


A propósito, nós não vamos à casa-de-banho juntas para ficarmos no mesmo cubículo a ver a outra fazer chichi; nós vamos à casa-de-banho juntas para podermos ir falando umas com as outras, cada uma de seu lado da porta, ok? E eu só tenho UM par de botins de salto alto que só usei uma vez, encontrando-se o resto dos meus sapatos em vias de irem para o lixo, tal é o uso, ou, pelo menos, em estado de contínua degradação. E nós, mulheres ou seres que ascenderão a tal num dia destes, precisamos de malas porque, ao contrário dos homens, usamos calças justas ou saias, ficando feio se se vir ali um telemóvel ou uma carteira a emergirem dos bolsos (ou a pedirem para serem "resgatados" por mãos alheias, além de que nos magoam as pernas); aproveitamos a fundura de algumas malas para despejar, por conveniência, aquilo que os homens não têm nos seus bolsos e hão-de precisar, eventualmente (lenços de papel, por exemplo). Quanto à demora e à picuinhice nas lojas, existem patologias e Patologias, sendo que, pessoalmente, tenho de argumentar que nem todos os seres humanos têm um corpo relativamente quadrado, tendo em vez disso curvas em tudo quanto é sítio, ou falta delas (factor pouco atractivo) pelo que é preciso saber escondê-las meticulosamente ou, pelo contrário, saber exagerá-las, daí os nossos dilemas no que toca a comprar nem que seja uma única peça de roupa. Quanto à síndrome da Primark, juntem o ponto anterior ao facto de nos encontrarmos numa das catedrais comerciais com preços mais baixos, não só em roupa, como igualmente em lingerie, malas, acessórios, maquilhagem, etc, etc.

Mais alguma coisa?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Beatriz ♥ Saramago

Memorial do ConventoDas pessoas que conheço, sou uma das excepções que adorou ler o Memorial do Convento. Para mim, foi a oportunidade de conhecer, finalmente, a escrita de Saramago, que tanto via defendida na minha família, mas que eu teimava em adiar para quando tivesse mais maturidade. Tenho dois livros autografados (As Pequenas Memórias, que já estou a terminar, e ainda outro, de que não recordo o nome, sendo o meu pai que o tem), mais uns quantos que fui adquirindo, esperando, um dia, ser capaz de valorizar tais obras. Portanto, foi a partir do Memorial que descobri Saramago e passei a adorá-lo. Desde a construção frásica, tão sui generis, até à narrativa das peripécias das personagens, passando pela caracterização destas últimas, o simbolismo inerente a tudo e a nada, a forma de criticar, tão subtilmente, a sociedade do século XVIII, fizeram-me render totalmente. Apesar de nenhum leitor, em princípio, se conseguir relacionar directamente com os protagonistas, Blimunda e Baltasar, é quase impossível não nos sentirmos atraídos pelo seu bom coração e pelo amor que nutrem um pelo outro. É impossível não nos rirmos de D. João V e da sua corte, não torcermos pelo padre Bartolomeu Lourenço, não simpatizarmos com o "Escarlate" e não termos pena da Infanta Maria Bárbara. Sumariamente, foi impossível não me crescer intensa e abruptamente uma vontade incontrolável de continuar a desbravar a bibliografia de Saramago.

OLH'Á NOTÍCIAAA FRESQUINHA!

Aconselho-vos a comprarem o Correio da Manhã este Domingo, revista-suplemento incluída (principalmente esta última!!!). Se não o comprarem, também não faz mal, porque, inevitavelmente, eu acabarei por revelar-vos a surpresa.

Este blogue está a ganhar algumas asas. E mais não digo!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A emancipação dos Jonas Brothers


"Baby, put your pom poms down for me"? Quem canta este refrão são os mesmos três irmãos que, ainda há um par de anos, exibiam os seus anéis da castidade, virgens que só eles (com alguma sorte, virgens do nariz!), que defendiam a espera pelo casamento até deixarem de o ser. Bem... aqui fica mais uma prova da emancipação sexual dos Jonas Brothers, a seguir, por exemplo, ao penúltimo videoclipe do Joe. É que já não era sem tempo! E, deixemo-nos de tretas, agora sim, eles atingiram o sex appeal desejável. Reapareceram com muito mais carisma e confiança, uma imagem mais adulta e... eu gosto. Gosto sim! A música fica no ouvido, não é a minha preferida mas, mantendo-se na mesma onda musical que a de sempre, torna-se muito mais interessante com uma letra cujo significado vem quebrar o gelo da "ingenuidade" presente nos álbuns anteriores.

Acaba-se a vinculação à Disney, surge a oportunidade de crescerem enquanto artistas. O caminho que foi percorrido pela Britney, pela Miley Cyrus e tantos outros artistas é, agora, iniciado pelos Jonas Brothers. Mantendo a "decência" que lhes é característica, revelam, por fim, o seu amadurecimento. Previsivelmente, libertaram-se da ideia de "sonsos", o que viria a acontecer, mais cedo ou mais tarde. Já nem as fãs são miudinhas pré-púberes facilmente iludidas por músicas sobre amor eterno e verdadeiro, sobre rapazes perfeitos. Elas cresceram e querem mas é ouvir e ver qualquer coisa comercial e cativante, que dê no olho (ei, e porque não haveria eu de estar a falar a partir de uma perspectiva pessoal?).

Polémicas

O Relvas decidiu apresentar oficialmente a sua demissão do Governo num dia em que o Benfica joga. A isto se chama "saber desviar as atenções like a boss".

quarta-feira, 3 de abril de 2013

3 de Abril é o Dia da Inês

No dia 3 de Abril de 2001 almocei esparguete. Não me perguntem o que comi mais, porque não me lembro de mais nada, apenas desse pormenor. Eu estava nervosa, de um modo infantil, mas estava, sentia aqueles tão aclichézados apertos no estômago e dividia-me entre querer ficar e querer ir - querer ficar em casa ou ir para a escola.
Eu nunca tinha ido para a escola. A maioria das crianças passa pela creche ou pelo jardim-de-infância, mas eu só o tinha experimentado uma vez, aos três anos, e não correra nada bem (miúdos mais velhos barulhentos, babados, sujos, irritantes, aqueles demónios que me encurralavam dentro de uma lagarta de plástico que lá havia, educadoras desatentas, bichos que me morderam toda), pelo que, aos cinco, não sabia bem o que esperar. Felizmente, foi sofrimento de pouca dura.
Mas, como ia eu contando, foi nesse dia, 3 de Abril de 2001, que eu comecei a conhecer o mundo além da casa da minha avó. Foi um dia duro, emocionalmente, e recordo-me de bastantes detalhes, como se os tivesse vivido ontem. Fui obrigada a perceber os outros miúdos, a entender as suas brincadeiras e conversas e, como havia de acontecer regularmente durante os anos que se seguiram, a ser rejeitada dessas mesmas brincadeiras e conversas que eu não percebia totalmente.
Entretanto, já passaram doze anos. Doze anos! Uma década vírgula dois. E, desse dia 3 de Abril, ficou-me algo ainda mais simbólico do que o primeiro dia no colégio que frequentei durante mais de metade da minha vida: conheci a Inês.

Bem… Conheci a Inês e conheci o Miguel, os meus mais fiéis compinchas de infância. Brincávamos com as Barbies, eles concertavam as minhas quando eu as descabeçava ou desmembrava (acontecia mais vezes do que o desejável), brincávamos aos Pokemons, às mães e aos pais, eu gritava com eles porque não os via seguir a minha story line da brincadeira (já nessa altura eu era um bocadinho mandona e tinha a mania de fazer histórias só minhas), eram a Inês e o Miguel que eu nomeava primeiro se me calhava fazer a chamada para o almoço e para a casa-de-banho…
Só que crescemos os três, o Miguel mudou de escola, e só fiquei eu e a Inês. E, acreditemos ou não, já lá vão doze anos desde que me convidou para brincar com ela (e o Miguel, claro), já que os outros meninos não gostavam de mim - nem do pobre Miguel, porque éramos ambos muito gorduchinhos e aluados nas nossas brincadeiras. A Inês também era gorducha, tinha uns olhos muito grandes e claros e, acima de tudo, aceitou-me como eu era, assim meia totó. Ainda que outros gostassem dela, a Inês gostava mais de nós.
Assim, quero falar-vos da Inês, de todas a melhor amiga que alguém poderia pedir. Não se importa que eu fale sobre mim, que me queixe, que me lamente, que lhe filosofe sobre a minha vidinha, que festeje, atire os foguetes e apanhe as canas, que lhe mande uma mensagem – ou até mil, se for necessário -  porque ela há-de me responder, mais cedo ou mais tarde, nada disto interessando quando, onde ou com que estado de espírito nos encontramos.
Ela é a parte altruísta da nossa amizade, enquanto eu sou a mais egocêntrica. Ela gosta mais de ouvir, eu gosto mais de divagar. Ela é mais ou menos tímida, eu sou mais ou menos amalucada. Ela tem paciência, eu sou impaciente.
A Inês e eu nunca discutimos. Só estivemos mal uma vez, e com toda a razão (mas isso é história, não valendo a pena remexer na caquinha). Durante o período escolar, vemo-nos, com alguma sorte, uma vez a cada dois meses (chegando a ficar juntas quase uma semana seguida nas férias), não falamos todos os santos dias, mas sabemos que estamos à distância de um telefonema, de uma mensagem ou de uma estação de comboio. Frequentarmos escolas diferentes desde o 7º ano e relacionarmo-nos com pessoas diferentes só nos ajudou, julgo eu, a confirmar o quão inseparáveis somos, não fisicamente, “apenas” de espírito.
Inevitavelmente, a Inês faz parte do meu quotidiano. Está presente nas minhas acções e nas decisões que tomo (como é que a Inês reagiria/pensaria/faria?), nos meus hobbies (se não fosse a Inês a incentivar-me, talvez eu já tivesse largado a guitarra e teria deixado de cantar; se a Inês não tivesse dito, certa vez, “leio  teu blogue sempre que posso”, eu não o teria chegado a levar a sério) e, principalmente, na minha personalidade (se a Inês não me tivesse incentivado a libertar-me e a mostrar, ao pé dela, quem realmente eu queria ser para o resto do mundo, talvez eu ainda não conhecesse a sensação do que é orgulhar-me de mim mesma e de ser aceite por outras pessoas sem desatar a voltar para a minha conchinha, cheia de medo da rejeição).

A Inês é a irmã que os meus pais não me quiseram dar, a voz da razão quando ela me falta, os conselhos sensatos que me livraram, livram e livrarão de caminhos menos aconselháveis, a amiga que quase ninguém chega a encontrar para si (coitadinhos), a que se cala e dá um passo atrás para que eu tenha os meus momentos, o exemplo de como as unhas roídas são horríveis nos dedos de uma rapariga (pronto, isto tinha de descambar!)... a Inês é uma data de pessoas e coisas sem nome! A Inês é a Inês e só a Inês poderá ser a minha Inês enquanto ambas formos vivas.
Se, aos cinco anos, a Inês não fosse da Sala Amarela, se não gostasse de Barbies ou não me tivesse perguntado se eu queria brincar, esta Beatriz não seria eu; existiria somente uma outra Beatriz que, para mim e para todos, permanecerá eternamente incógnita… felizmente!



Espero que, quem quer que nos tornemos no futuro, a nossa amizade dure e perdure, rija que só ela, bonita que só ela, tão ela que só ela.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

E ainda digo eu que não sei desenhar!

A filha dos meus vizinhos, o primo dela e um porquinho, a brincarem numa pradaria num radioso dia de sol.

Temos artista! Não tarda nada, estou a expor no Palácio de Versalhes, como a Joana Vasconcelos!

domingo, 31 de março de 2013

Quando não páram com essa m**** dos GIFs no Facebook


... ou vai haver sangue.

A crise dos entediados

Enquanto algumas pessoas suplicam por perguntas no Ask a partir do Facebook para "saírem do tédio", eu suplico que vejam o meu CV a partir dos sites que oferecem empregos para que, no ano lectivo que vem, não fique eu no "tédio", enquanto o pessoal vai todo para a universidade.

Oh my...

sábado, 30 de março de 2013

Do milho à Pipoca

Conheci a Pipoca através do seu primeiro livro, mal ele foi lançado. Como já é costume desde que me lembro, estava na livraria do Continente, a alimentar os olhos e o ego. Sempre gostei de estar rodeada de livros e de os observar, tocar e cheirar, livros novos quase que acabados de ser imprimidos, com as suas capaz coloridas, atraentes, brilhantes, modernas. Também não desdenho dos antigos, mas os livros recentes trazem-me uma espécie de alento, uma motivação que penso que só eu é que consigo entender de mim para mim, para continuar a escrever e talvez, um dia, também consiga ter um deles com o meu nome no espaço reservado ao do autor, dezenas de páginas preenchidas com palavras que pensei e organizei, ou seja - se é que o poderei chamar assim - o meu legado artístico. E, na capa desse livro que me chamou a atenção, estava uma rapariga nova, apesar de já adulta, que, descobri eu ao folhear a sua "obra", tinha um grande sentido de humor e sabia cativar-me praticamente do nada. Lembro-me de, ainda nesse dia, ter contado à minha avó que admirava a Ana Garcia Martins, escritora recém-descoberta, formada em Comunicação Social e cuja "fama" derivava de um blogue que escrevia há uns anos... E eu sempre adorei blogues, já fazendo, nessa altura, parte deste mundo (ainda que de um modo muito verdinho, mas fazia).


Mas os tempos de juventude não duram para sempre e a Pipoca também cresceu. Agora, já não é a rapariga que figura na contracapa da colectânea de textos do seu blogue homónimo. Confesso que já não lhe acho tanta piada, nem à sua imagem, nem aos seus textos, o que poderá ter a ver, se calhar, com as idades que eu (leitora) e ela (narradora na primeira pessoa) temos, que ainda são um bocadinho distantes. Agora, a Ana é uma mulher já na casa dos 30, eu ainda nem aos 20 cheguei, e hei-de continuar a identificar-me durante muito tempo com a Ana que começou a escrever na blogosfera em 2004... até porque a Ana adulta é uma apaixonada por moda e, disso, eu só percebo o suficiente para estar confortável na minha pele (e nas minhas vestimentas), é casada e está grávida (brrrrrr, no!).

Vi isto no Facebook do meu pai e achei que tinha piada


Páscoa Feliz, péssuáu!

sexta-feira, 29 de março de 2013

O príncipe "resgatador"

Fez-se uma série-documentário sobre os resgates “arriscados” do Príncipe William enquanto piloto da força aérea britânica, mostrando, nomeadamente, o resgate que prestou a uma criança que se meteu em sarilhos ao brincar com os amigos. Uau. Não me digam que também o filmaram a apanhar um gato do cimo de uma árvore! A sério, ainda matam o herdeiro da coroa inglesa, watch out!
Ehn. Para mim, o príncipe William é um homem demasiado seboso e sonso para que mereça o meu respeito enquanto futuro monarca de um dos reinos mais célebres da Europa. Tem um arzinho muito débil, simultaneamente presunçoso e calculista – tal como a mãezinha dele, a princesa Diana. Atirem-me lá pedrinhas, mas o homem é um franganote (e está a ficar careca, brrr). Anda o irmão mais novo, o príncipe Harry (ruivo e podre de giro, charmoso q.b.), no meio dos confrontos do Afeganistão, participando ininterruptamente em missões eufemisticamente perigosas, e sua alteza diverte-se a ser a estrela do seu próprio documentário sobre “trivialidades”… Haverá maior exemplo para o povo inglês? Será que ainda farão um reality show sobre os dramas da gravidez da Kate, sobre a sua vida de futura mamã real?
Compreendo que, actualmente, se aprecie bastante o jornalismo sensacionalista, cujo objectivo não é destacar a matéria ou o sujeito sobre o qual se fala, mas sim criar audiências e mediatismo. Porém… não estarão a passar os limites do aceitável? Digam-me vocês.

quinta-feira, 28 de março de 2013

"Carpe diem"

Há dias que são tristes, outros que se nos passam indiferentes, outros que são felizes e outros que são muito felizes.
Os meus nunca são menos do que indiferentes. Sou sempre capaz de encontrar um ensinamento por trás dos momentos mais tristes que me torna uma pessoa mais completa, com mais experiência. Sou sempre capaz de aproveitar nem que seja um segundo desses ciclos de vinte e quatro horas. Todos os dias expresso o meu amor por alguém, o meu apreço e gratidão. Aprendo sempre qualquer coisa, por muito supérflua que seja.
Estou rodeada de gente brilhante em vários aspectos. Orgulho-me de ter alguns bons amigos, com quem posso partilhar vida e meia sem constrangimentos, nunca permitindo que me perca de mim própria. Tive a sorte de nascer numa família trabalhadora e inconformada, que desde cedo me tem motivado para também o ser, para lutar pelas minhas ambições e pelos meus sonhos mais loucos, sem me deixar desconcentrar por pequenos percalços que, eventualmente, a vida me poderia trazer - não fui educada para ser derrotista. Já tive menos juízo, agora tenho algum, mas gosto de pensar que a minha rebeldia é a da mente, a da criatividade, a da vida a puxar-me para a aproveitar à minha maneira, uma rebeldia saudável.
Por vezes, sou demasiado rígida comigo mesma; noutras, desleixo-me (também mereço, sou apenas mais uma humana entre milhões!). No final, só quero ser um bocadinho mais feliz a cada dia que passa, ser alguém melhor, ser recordada por quem achar por bem recordar-me, poder sentir-me plenamente satisfeita, sabendo que fiz por isso.

dos outros #22

"Estou convencido de que, se quisermos estar do lado certo da revolução mundial, temos de começar por, enquanto nação, passar por uma radical revolução de valores. Temos rapidamente de deixar de ser uma sociedade orientada para as coisas e passar a ser uma sociedade orientada para as pessoas. Enquanto as máquinas e os computadores, as motivações de lucro e os direitos de propriedade forem considerados mais importantes que as pessoas, será impossível vencer estes monstros trigémeos que são o racismo, o materialismo extremo e o militarismo."

Martin Luther King Jr, Eu Tenho um Sonho

quarta-feira, 27 de março de 2013

Ódio de estimação


Desde que me lembro que travo uma guerra aberta com os cadernos de actividades. O objectivo de serem cadernos de actividades e terem espaço para respondermos às questões seria podermos responder-lhes sem preocupações, ao contrário dos manuais, em que temos de lhes anexar as soluções ou arranjar outro sítio onde responder, certo?? Então, porque é que existe sempre um determinado exercício que não tem espaço suficiente para lhe respondermos? :(

terça-feira, 26 de março de 2013

100 (!!!)

Uma vez que não posso ter os milhões de leitores que A Pipoca Mais Doce tem no seu blogue, festejo, humilde mas euforicamente, os 100 seguidores na página de Facebook do meu!!!

Uma centena!
One hundred!
Cent!

https://www.facebook.com/procrastinartambemviver

Os anjos não têm sexo, ok?

Ontem à noite dei conta de um ambiente tenso no Facebook graças a uma reportagem da TVI, que muitos jovens classificaram de escandalosa e, no mínimo, inapropriada. Fiquei curiosa. Primeiro, até pensei que se referiam ao novo programa do Nurb, do Kiko is Hot, da Anny is Candy e do Diogo Sena, quando mencionaram algo como "jovens que não sabem do que falam", entre outros tantos "elogios". Não é que eu os considere como tal, mas acredito que exista muita gente a pensar desse modo (haters). Contudo, depressa me apercebi que, para tanto estrilho, a sua causa deveria ser outra coisa. E era.

O episódio de ontem da rubrica Repórter TVI chama-se, então, "O Sexo dos Anjos" (também a poderão ver no site da TVI). Só o nome já é sugestivo o suficiente. Boa estratégia de marketing! Só que, cá para mim, tudo o que junte anjinhos com sexo só pode cheirar a mostarda queimada, e com toda a razão. Repetiram a dita reportagem ainda há bocado, no fim do telejornal das 13h, e, previsivelmente, passei esses vinte e cinco minutos a praguejar conta a televisão.

Rescaldo: o jornalista foi realmente inapropriado, não soube explorar o tema e generalizou uma imagem desagradável da minha (nossa!) geração, baseando-se em meia dúzia de entrevistas. Demonstrou uma irrepreensível falta de tacto quando se limitou a entrevistar apenas um tipo de jovem, ao invés de tentar cobrir uma maior variedade de indivíduos.

Bem sei que, infelizmente, miúdas como as que figuravam nesta reportagem é o que não falta por este país, por este mundo fora. Confirmo que representam uma grande parte da população adolescente e que não são exemplo para ninguém. Não as conheço, não sei quais são as suas origens e abstenho-me de fazer juízos de moral para além da imagem que elas se limitaram a fornecer aos telespectadores. Mostraram-nos ser apoiantes de um pseudo-movimento feminista (uma delas chegou a dizer a célebre frase "quando uma rapariga tem três parceiros numa semana, nós sabemos o que ela é; quando um rapaz faz o mesmo, é um garanhão") de que sou a maior opositora (cá para mim, se levam a sua vidinha dessa maneira, são todos uns vadios, sem selecção de sexo). Mostraram-nos as suas roupas justas, curtas e provocantes, a sua melhor - e mais exagerada - maquilhagem, as suas pernas, os seus rabos, as suas mamas, a sua lata, os piropos que lhes "mandam" quando saem à noite... Mas coitadas, à falta de miolos, têm de exibir o corpinho, o seu único trunfo disponível...
Quanto a terem abordado o tema da música, compreendo o papel sexual que ela desempenha na nossa sociedade, mas não será menor do que o desempenhado pelas outras artes. Vivemos num mundo em que a liberdade artística não conhece limites, portanto... porque não? Porque não meter meninas parcialmente nuas e transpiradas em videoclipes, porque não pô-las a dançar de um modo absurdamente sexual, porque não escrever letras foleiras que incitem ao "acasalamento"? 
Ah, e já que falamos em acasalamento, por que raio é que a pornografia, de repente, é chamada ao assunto, acusando-a de exercer pressão sobre quem a vê? A pornografia ilude tanto o seu público, aumentando-lhe as expectativas quanto à sua vida sexual, quanto as comédias românticas protagonizadas pelo Justin Timberlake, pelo Ryan Reynolds, pelo George Clooney, pela Scarlett Johansson, pela Sandra Bullock, pela Sarah Jessica Parker (e por aí fora) os iludem quanto à sua vida sentimental... Olá, sejam bem-vindos ao mundo real, onde não existem pessoas perfeitas, casais perfeitos, relações físicas/emocionais perfeitas, corpos perfeitos, locais perfeitos ou momentos perfeitos!

Para finalizar, sem dúvida que esta reportagem deverá ter suscitado muita curiosidade, exaltação mediática e audiências para a TVI. Se esse era o seu objectivo, conseguiram. No entanto, é lamentável que tenham reduzido a condição do jovem português à de alguém que só vive para o sexo, em função da sua imagem, e que não tem outras preocupações senão a de "engatar" e de ser "engatado", qual homem das cavernas.
Deixo a sugestão à TVI - sugestão essa que, provavelmente, nunca será lida nem aproveitada - para que seja feita, já agora, outra reportagem sobre o RESTO dos jovens do nosso país - aqueles que estudam, trabalham, fazem por ser cidadãos e, em geral, pessoas melhores, que são intelectual e emocionalmente equilibrados e que se sabem divertir sem serem demasiado promíscuos fora da sua intimidade, aqueles que merecem ser colocados em destaque em horário nobre!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Dos outros #21

" Um movimento social que se limita a mexer com as pessoas não passa de uma revolta. Um movimento que transforma as pessoas e as instituições é uma revolução."

" A desumanidade do homem para com o homem não é apenas perpetrada pelas acções virulentas dos maus. Também é perpetrada pela nefasta inacção dos bons. "

Martin Luther King, Eu Tenho Um Sonho

Não é um bloqueio criativo, é a procrastinação!


Para escrevinhadores como eu, aqui fica este mapa que poderão consultar em caso de bloqueio criativo. Em último caso, se não o for e, mesmo assim, não conseguirem escrever, a vossa patologia é simplesmente procrastinação - está confirmado! E parem lá com isso, que a vida é curta (façam o que eu digo, não façam o que eu faço!).

domingo, 24 de março de 2013

No meu tempo...

... existiam lojas de roupa (não me estou a referir à Bershka nem nada... nadinha mesmo) que davam música in (dubstep ou outro género qualquer, desde que repetitivo, enjoativo, nocivo para os neurónios) aos seus clientes. Agora, também existem blogues que nos dão essa música mal lá entramos. Bolas, SCM Player!


(AH! Mas vocês estavam à espera de que, por eu estar em férias, iria começar a publicar coisas de jeito? Neste santo antro da procrastinação?? Nôpe. Tenho muito nada para fazer.)

sexta-feira, 22 de março de 2013

Os "potter heads" vão entender

O Sócrates tem tanta autoridade para comentar política quanto o Severus Snape para fazer um anúncio da Pantene.

Livros para a veia

[O meu Goodreads está aqui.]

Apresento-vos os livros que se encontram em monte de espera por cima da minha mesa de cabeceira. Por esta altura, já terminei o Sputnik Sweetaheart e o Amor de Perdição. Também já vou a meio d'O Hobbit (que comecei a ler no início deste ano), da autobiografia do Martin Luther King, d'A Literatura Ensina-se? e do grande calhamaço The Spanish Embassador's Suitcase, de que já cheguei a escrever-vos algumas vezes. Quanto aos Homens que matam cabras só com o olhar, acho que vou desistir, apesar de já ter lido o primeiro capítulo, porque não é o meu tipo de ficção favorito (vou mas é ver o filme e acabou-se, desculpem lá qualquer coisinha). E, sim, eu vou ler o Nómada, pois já não será a primeira nem a última amiga a recomendar-mo, porque é totalmente diferente da saga Twilight, patati, patata, e sempre é um bom pretexto para depois falar mal do filme que aí vem (e só eu sei o quanto gosto de denegrir filmes em prol das obras literárias que lhes deram origem!).

Normalmente, é nas férias que me consigo concentrar melhor para ler, tal como todas as pessoas moderadamente normais. Esta primeira semana foi somente reservada para pôr a leitura e a escrita em dia, mas a segunda (e última, snif, snif) já terá de ser para bulir. Porque até as pessoas moderadamente normais não se escapam de ter professoras de História viciadas em passar trabalhos de férias, até no Verão (não se enganem, eu gosto muito da minha, só que a senhora sempre nos podia dar um tempinho para espairecer as neuroniosidades), nem de ter de preparar o trabalho de Geografia a ser apresentado no final do período. Contudo, até às pessoas moderadamente normais mandarão os trabalhos com os porcos se acharem que a sua sanidade mental vem primeiro do que um dezoito ou um dezanove num trabalho. E é aí que eu deixo de ser uma pessoa moderadamente normal, para me tornar, antes, uma pessoa moderadamente anormal.